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EXCLUSIVO: IA corporativa precisa provar impacto real nos negócios, diz Marcelo Braga da IBM Brasil
Publicado 10/06/2026 • 19:44 | Atualizado há 1 minuto
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Publicado 10/06/2026 • 19:44 | Atualizado há 1 minuto
KEY POINTS
A inteligência artificial corporativa está deixando a fase de experimentação e entrando em uma etapa em que empresas precisam provar impacto real no negócio. É o que avalia Marcelo Braga, CEO da IBM Brasil, em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC durante o Web Summit.
Segundo Braga, companhias passaram os últimos anos testando aplicações de IA, mas agora precisam concentrar investimentos em projetos com objetivo claro, métricas definidas e capacidade de se sustentar ao longo do tempo.
“Para nós, não tem muita discussão a respeito de um projeto de IA. Tem que ser um projeto que tem um objetivo claro de negócio”, afirmou.
O executivo disse que empresas devem buscar aplicações simples e escaláveis, capazes de gerar produtividade. Esses ganhos, segundo ele, podem financiar projetos mais ambiciosos no futuro.
Braga afirmou que o uso de IA pela IA tende a gerar iniciativas pouco duradouras, mesmo quando a tecnologia parece promissora. Para ele, sem impacto mensurável no negócio, o projeto não se sustenta.
“Se não tem impacto de negócio, não é perene, não sustenta”, disse.
Leia também: Com foco em nuvem e IA, IBM e Google Cloud lançam iniciativa para modernizar sistemas globais
O CEO da IBM Brasil afirmou que o uso de inteligência artificial no ambiente corporativo é diferente do uso pessoal da tecnologia. Em setores regulados, como bancos, governo, saúde e telecomunicações, uma resposta errada pode gerar riscos operacionais, regulatórios e de imagem.
Segundo Braga, empresas precisam garantir rastreabilidade das respostas, identificar a origem das informações usadas por sistemas de IA e corrigir rapidamente dados que deixam de ser válidos.
“O que era um regulatório até ontem pode ter um regulatório novo, e a resposta de ontem pode estar errada hoje”, afirmou.
Nesse contexto, o executivo disse que plataformas de orquestração e segurança de agentes de IA ganham importância. Elas ajudam empresas a controlar viés, risco e origem das respostas em processos corporativos.
Para Braga, a IA agêntica deve permitir que empresas redesenhem processos inteiros, e não apenas façam melhorias incrementais. A tecnologia, disse ele, pode ampliar produtividade, reduzir custos e criar formas diferentes de operar.
“A IA agêntica é o termo do momento”, afirmou.
Segundo ele, à medida que funcionários passam a usar dois ou três agentes de IA em suas rotinas, as empresas precisarão ter governança sobre esses sistemas.
Braga disse que a gestão de agentes deve permitir saber quem criou cada ferramenta, como ela é usada, quais resultados gera e como pode ser reaproveitada por outras áreas da companhia.
Braga afirmou que a cibersegurança ficou mais complexa com a expansão da IA. Segundo ele, ataques passaram a identificar falhas com mais velocidade, o que obriga empresas a usar inteligência artificial também na defesa.
O executivo citou como exemplo a gestão de credenciais de agentes de IA. Como processos corporativos passam a ser executados por diferentes agentes conectados, interações não previstas podem criar novos riscos.
“A forma de tratar credenciais e acessos dos agentes muda radicalmente”, afirmou.
Braga também destacou o papel do open source no ambiente corporativo. Segundo ele, como empresas usam intensamente esse tipo de tecnologia, é necessário identificar falhas, corrigi-las e aplicar atualizações com mais rapidez.
No passado, disse o executivo, empresas podiam planejar correções para o fim de semana ou para uma janela mensal. Agora, uma vulnerabilidade identificada pela manhã pode ser explorada no mesmo dia.
“Essa velocidade era completamente distinta do passado”, afirmou.
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Além da IA, Braga afirmou que a computação quântica deve se tornar uma nova camada de poder computacional para resolver problemas que computadores tradicionais não conseguem tratar com a mesma velocidade.
Segundo ele, uma das principais aplicações está na saúde, especialmente em simulações envolvendo moléculas, desenvolvimento de medicamentos, vacinas e testes de interações medicamentosas.
“Você imagina o impacto que pode ter na saúde da população mundial desenvolver vacinas muito mais rápido, medicamentos muito mais rápidos”, disse.
O executivo também citou aplicações no mercado financeiro, como simulações probabilísticas, fraudes e hedge funds.
Outra frente é a segurança digital. Braga afirmou que a computação quântica terá capacidade futura de quebrar criptografias tradicionais com mais facilidade. Por isso, bancos como Bradesco e Itaú já participam de discussões sobre proteção em um ambiente “quantum safe”, segundo ele.
“Isso não é futuro”, afirmou.
Braga disse que líderes empresariais precisam dedicar mais tempo para entender tecnologias disruptivas e seus efeitos sobre negócios, pessoas e processos.
Segundo ele, a transformação não será restrita a áreas de tecnologia ou atendimento ao cliente. Marketing, finanças, controladoria, contabilidade, jurídico, vendas e desenvolvimento de software também devem mudar a forma de trabalhar.
O CEO citou um estudo segundo o qual 39% das habilidades profissionais devem mudar até 2030.
“Todos eles vão trabalhar muito diferente daqui a quatro anos, não estamos falando 40”, afirmou.
Para Braga, a adoção de IA depende também de cultura corporativa. Se gestores não estiverem abertos às novas ferramentas, dificilmente criarão ambientes favoráveis à inovação.
“Começa pela liderança ter o letramento adequado”, disse.
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