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Gigantes da logística aceleram investimentos para atender boom da saúde impulsionado pelos medicamentos GLP-1
Publicado 25/07/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 25/07/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 dia
KEY POINTS
À medida que cresce a demanda por medicamentos especializados, como os GLP-1, empresas de logística, incluindo UPS e FedEx, estão adaptando suas estratégias para aprimorar o transporte e o armazenamento desses produtos farmacêuticos.
A maior parte dos medicamentos injetáveis da classe GLP-1, incluindo Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, exige armazenamento refrigerado durante o transporte.
A pandemia de Covid-19 colocou a logística da saúde no centro das atenções em 2020, quando o transporte de vacinas com controle de temperatura tornou-se essencial para conter o vírus. Desde então, com o aumento dos investimentos em novas inovações farmacêuticas, o transporte desses produtos passou a receber ainda mais atenção.
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As empresas de logística estão investindo milhões de dólares e ampliando dezenas de instalações com controle de temperatura para aproveitar esse mercado.
Em junho, a UPS anunciou um investimento de US$ 48 milhões (R$ 245,76 milhões) em instalações com temperatura controlada, diante da crescente demanda por tratamentos críticos. Segundo a Growth Market Reports, o mercado de produtos biológicos sensíveis à temperatura deverá crescer a uma taxa composta anual de 8,3% até 2033, alcançando um valor de aproximadamente US$ 39,1 bilhões (R$ 200,19 bilhões).
Enquanto isso, os medicamentos para obesidade e diabetes registram forte expansão. Uma pesquisa da Gallup divulgada em julho mostrou que 11% dos americanos utilizam medicamentos GLP-1 para perda de peso em 2026, ante 3% em 2024.
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No entanto, se esses medicamentos não forem armazenados e transportados na temperatura correta, correm o risco de perder sua eficácia.
A Food and Drug Administration (FDA) alertou que o armazenamento inadequado durante o transporte pode comprometer a qualidade dos medicamentos e recomenda que pacientes não utilizem medicamentos GLP-1 que cheguem “quentes ou com refrigeração insuficiente”.
Outros medicamentos biológicos, como algumas vacinas, insulina e antibióticos, também exigem transporte especializado para manter sua eficácia. Para as empresas de logística, isso significa garantir armazenamento e movimentação adequados em todas as etapas da cadeia.
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A logística voltada ao setor de saúde tornou-se uma das maiores oportunidades de crescimento para a UPS. Durante teleconferência com analistas em abril, a CEO Carol Tomé afirmou que o portfólio global de saúde da empresa ganhou participação de mercado todos os anos desde 2021 e registrou, pela primeira vez, US$ 3 bilhões (R$ 15,36 bilhões) em receita trimestral no primeiro trimestre deste ano.
O presidente da divisão de saúde da UPS, John Bolla, disse à CNBC que a empresa observa um número crescente de companhias do setor buscando parceiros capazes de acompanhar o aumento da demanda.
“Uma das maiores oportunidades que vemos é apoiar a transição para terapias mais especializadas e para um modelo de atendimento realizado fora dos ambientes tradicionais de saúde”, afirmou Bolla.
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Segundo ele, a UPS está registrando um “crescimento acelerado” em medicamentos biológicos e terapias celulares e gênicas. O maior desafio, porém, é que a margem para erro é mínima: um breve desvio da temperatura correta pode inutilizar os medicamentos.
“Mas é justamente isso que cria uma oportunidade tão significativa para a logística da saúde”, afirmou. “À medida que os tratamentos se tornam mais especializados e as cadeias de suprimentos mais complexas, as empresas precisam de parceiros capazes de oferecer não apenas armazenamento ou transporte refrigerado, mas visibilidade, controle e confiabilidade em toda a operação.”
A FedEx também está aproveitando essa tendência e lançou, neste mês, uma organização dedicada às ciências da vida para apoiar especificamente o transporte de medicamentos e outros produtos de saúde.
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Durante uma teleconferência realizada em junho, a diretora de clientes da FedEx, Brie Carere, informou que a receita com transporte de produtos de saúde no ano fiscal de 2026 alcançou quase US$ 10 bilhões (R$ 51,2 bilhões).
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Siga o Times | CNBC“Estamos desenvolvendo soluções completas voltadas aos clientes globais da indústria farmacêutica, e o mais importante é lembrar que existe um paciente esperando no fim de cada entrega”, afirmou Nick Gennari, presidente da divisão de saúde da FedEx.
Em relação aos GLP-1, Gennari afirmou que a distribuição desses medicamentos se tornou mais complexa, com apresentações que vão de injetáveis a comprimidos e entregas diretas ao consumidor. Segundo ele, essa complexidade também representa uma oportunidade de crescimento para a FedEx.
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Ele destacou que a empresa conta com tecnologias especializadas, incluindo sistemas de aprendizado de máquina que permitem aos clientes acompanhar os produtos de forma preditiva, além de soluções capazes de identificar diferentes medicamentos e tratá-los conforme suas necessidades específicas.
Gennari acrescentou que está “muito confortável” com a infraestrutura atual da empresa e com seus planos de expansão, incluindo a logística refrigerada.
“Grande parte da infraestrutura necessária para sermos bem-sucedidos nesse segmento nós já temos. Contamos com a companhia aérea, uma excelente malha operacional e capacidade de transporte. Nossa rede é robusta e funciona muito bem”, afirmou.
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A C.H. Robinson informou à CNBC que superou US$ 1 bilhão (R$ 5,12 bilhões) em receita apenas com logística para o setor de saúde no último ano, impulsionada principalmente pelo crescimento dos medicamentos GLP-1 e pelos investimentos em instalações refrigeradas.
“É preciso ter conectividade de ponta a ponta. Você precisa construir uma infraestrutura e uma rede muito eficientes para atender adequadamente os clientes da área da saúde”, afirmou Ronnie Davis, vice-presidente de transporte terrestre da empresa na América do Norte.
Segundo Davis, a cadeia de suprimentos dos medicamentos também ficou mais complexa. Além da necessidade de refrigeração, muitos produtos possuem prazo de validade reduzido e precisam ser entregues em janelas de tempo bastante específicas.
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“Muita inovação foi direcionada ao desenvolvimento dos medicamentos. Agora estamos vendo isso pressionar a capacidade das cadeias refrigeradas disponíveis no mercado”, afirmou. “Com o crescimento dos GLP-1 e de outros medicamentos especializados, aumentou a competição pelos mesmos recursos de transporte refrigerado, que são limitados.”
Ele acrescentou que a C.H. Robinson está ampliando sua capacidade operacional para atender ao aumento da demanda, enquanto as farmacêuticas também buscam desenvolver produtos com maior prazo de validade.
Essa inovação também está sendo impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, segundo Hendrik Venter, CEO da DHL Supply Chain. A empresa utiliza IA para monitorar produtos sensíveis das ciências da vida, acompanhar temperaturas e prever possíveis falhas durante o transporte.
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“Estamos vendo a indústria migrar dos medicamentos convencionais para os biofármacos”, afirmou Venter à CNBC. “É preciso ter uma cadeia de suprimentos resiliente e capaz de operar em diversas faixas de temperatura.”
A DHL anunciou no ano passado que pretende investir 2 bilhões de euros (R$ 11,72 bilhões) em logística para o setor de saúde até 2030, sendo metade desse valor destinada às Américas.
Segundo Venter, muitas farmacêuticas também estão terceirizando suas operações de armazenagem para a DHL. A empresa assume essas instalações, faz sua gestão e as integra ao restante de sua rede logística.
A DHL também lançou um corredor aéreo farmacêutico global, com aeronaves dedicadas e uma rede integrada que evita que medicamentos passem por diferentes ambientes regulatórios.
“Você não pode perder uma carga. Não é possível substituí-la. Ela precisa ser entregue no prazo, sempre, mantendo a qualidade e a temperatura corretas”, afirmou Venter. “Por isso continuamos avaliando, de forma seletiva, como fortalecer essa rede.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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