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O que é a “destilação em IA” e como está mexendo com o mundo da tecnologia nos EUA
Publicado 25/07/2026 • 11:50 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 25/07/2026 • 11:50 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
Em linhas gerais, destilação é o processo de utilizar respostas de um chatbot ou o conteúdo produzido por um modelo avançado de inteligência artificial para treinar outro modelo
No início deste ano, o chefe de IA do Google, Jeff Dean, falou, durante um podcast, sobre um conceito que, na época, era pouco conhecido fora dos círculos mais técnicos: a destilação.
Ao comentar o desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial do Google, Dean disse que ele e seus colegas descobriram técnicas de destilação porque a empresa buscava melhorar o desempenho de seus sistemas sem depender de um único e grande modelo de reconhecimento de imagens.
“Por meio da destilação, que é uma técnica fundamental para tornar os modelos menores mais capazes, é preciso ter um modelo de fronteira para então destilá-lo em um modelo menor”, afirmou Dean em fevereiro.
Cinco meses depois, a destilação tornou-se um dos temas mais debatidos entre empresas de tecnologia e autoridades em Washington, à medida que especialistas e parlamentares discutem se essa prática pode representar uma ameaça à segurança nacional e facilitar que a China alcance os Estados Unidos na corrida pela inteligência artificial.
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A discussão ganhou força no fim da semana passada, após o laboratório chinês Moonshot AI lançar o modelo Kimi K3. Usuários rapidamente concluíram que ele é competitivo em relação aos melhores modelos comerciais da Anthropic e da OpenAI.
Ao contrário das principais empresas americanas de IA, que comercializam acesso a modelos proprietários, a Moonshot e outros laboratórios chineses oferecem modelos chamados de “open-weight”, permitindo que usuários façam o download da tecnologia, modifiquem o sistema e o executem onde desejarem.
Algumas autoridades americanas atribuem a rápida evolução da Moonshot justamente à destilação, classificando a prática como um caso de apropriação indevida de propriedade intelectual americana, especialmente por utilizar o modelo Fable, da Anthropic.
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“Temos informações de que a Moonshot AI utilizou destilação do modelo Fable, da Anthropic, para desenvolver o K3”, escreveu o assessor da Casa Branca, Michael Kratsios, na rede social X, na quarta-feira. “Para isso, eles desenvolveram uma sofisticada plataforma interna capaz de realizar destilação em larga escala contra modelos americanos, alternando rapidamente entre diferentes métodos de acesso para evitar detecção.”
Em linhas gerais, destilação é o processo de utilizar respostas de um chatbot ou o conteúdo produzido por um modelo avançado de inteligência artificial para treinar outro modelo.
A prática é controversa porque, dependendo da forma como é utilizada, permite que desenvolvedores criem sistemas concorrentes aproveitando os resultados gerados por empresas que investiram milhões ou bilhões de dólares no desenvolvimento das tecnologias mais avançadas.
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“É como se alguém assistisse às aulas, lesse os livros e fizesse todo o trabalho pesado das tarefas escolares”, afirmou Pukar Hamal, fundador da empresa de segurança em IA SecurityPal. “Então outro estudante aparece e diz: ‘Eu não fiz nada disso. Posso simplesmente copiar seu trabalho?'”
Seja em resposta à publicação de Kratsios ou por outros fatores, as maiores empresas de tecnologia do mundo divulgaram, na sexta-feira, uma carta conjunta para deixar clara sua posição.
Após uma série de manifestações nas redes sociais ao longo da semana, Nvidia, Microsoft, Meta, Palantir e mais de 20 empresas pediram aos formuladores de políticas públicas que evitem “restrições prematuras” aos modelos de IA open-weight, que poderiam “prejudicar a concorrência ou empurrar a inovação para o exterior”.
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“Destilação, ou a prática de utilizar as saídas de um modelo para ajudar a treinar ou aperfeiçoar outro, é uma técnica amplamente utilizada para melhoria, evolução e validação de modelos”, escreveram as empresas.
O avanço da destilação cria um dilema para os formuladores de políticas públicas nos Estados Unidos, que há muito tempo demonstram preocupação com a tecnologia chinesa tanto por questões de propriedade intelectual quanto de segurança nacional.
Colin Shea-Blymyer, pesquisador do Centro para Segurança e Tecnologias Emergentes da Universidade Georgetown, afirmou que o governo americano ainda busca definir sua posição.
Segundo ele, Washington pode argumentar que empresas chinesas e russas utilizaram os resultados produzidos por modelos americanos para melhorar seus próprios sistemas, obtendo assim uma vantagem considerada injusta.
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O CEO da Box, Aaron Levie, um dos signatários da carta, afirmou que, para permanecer competitivas, as empresas americanas precisam ter acesso às melhores tecnologias, independentemente de onde tenham sido desenvolvidas.
“De maneira geral, quanto maior for a inovação, seja nos Estados Unidos, na China ou em qualquer outro lugar, maior será o avanço da inteligência artificial, tornando a tecnologia cada vez mais barata e eficiente ao longo do tempo”, afirmou.
Embora grande parte da discussão atual esteja centrada nos modelos chineses open-weight, como o Kimi K3, diversas empresas utilizam a técnica de destilação em seus próprios modelos, explicou Shashi Bellamkonda, diretor de pesquisas da Info-Tech Research Group.
A Nvidia, por exemplo, empregou destilação durante o treinamento de sua família de modelos Llama Nemotron, conforme detalhado em um artigo científico divulgado pela companhia.
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“É uma técnica legítima e extremamente valiosa para treinar modelos menores e mais baratos a partir dos resultados produzidos por modelos maiores. Isso acontece o tempo todo”, afirmou Bellamkonda.
A Anthropic, entretanto, adota uma posição diferente. A empresa acompanha como seus modelos são utilizados e busca proteger um negócio em rápida expansão.
Em fevereiro, a companhia afirmou que os recursos do Claude estavam sendo alvo de destilação “em escala industrial” por empresas chinesas como DeepSeek, Moonshot e MiniMax, que teriam utilizado cerca de 24 mil contas falsas para gerar aproximadamente 16 milhões de interações.
A Anthropic, avaliada em cerca de US$ 1 trilhão e com planos de abrir capital futuramente, afirmou que impedir a destilação ilícita tornou-se uma questão de segurança nacional.
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“A Anthropic e outras empresas americanas desenvolvem sistemas que impedem agentes estatais e não estatais de utilizar IA para desenvolver armas biológicas ou realizar ataques cibernéticos maliciosos”, afirmou a companhia em publicação feita em fevereiro. Segundo a empresa, combater esse problema exige “ação rápida e coordenada entre empresas, formuladores de políticas públicas e a comunidade global de inteligência artificial”.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic proíbem a prática de destilação em seus termos de uso. Segundo Bellamkonda, ambas defendem que utilizar seus modelos sem autorização pode caracterizar apropriação indevida de propriedade intelectual.
No entanto, diante da rápida elevação dos custos da inteligência artificial, muitas empresas continuarão buscando formas de aumentar a eficiência.
Hamal afirmou que não teria qualquer problema em utilizar modelos open-weight chineses, como o Kimi K3, na SecurityPal, empresa que automatiza avaliações de segurança utilizando inteligência artificial.
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“Nós apenas garantiríamos que não existam portas dos fundos maliciosas no código”, afirmou. “Depois de fazermos nossa avaliação e hospedarmos o sistema em nossa própria infraestrutura, por que não?”
Um dos grandes desafios enfrentados por Anthropic e OpenAI ao defenderem o argumento de violação de propriedade intelectual é que ambas também utilizaram conteúdos produzidos por terceiros para treinar seus modelos e, por esse motivo, enfrentam processos judiciais.
Max Pritt, advogado do escritório Boies Schiller Flexner e representante de autores em ações de direitos autorais contra empresas de inteligência artificial, afirmou que o próprio governo americano enfrenta uma situação semelhante.
“A administração, pelo menos publicamente, concentrou seus esforços em proteger a propriedade intelectual das empresas de tecnologia, enquanto permaneceu em grande parte silenciosa sobre os direitos autorais de criadores e indivíduos cujos conteúdos foram utilizados sem autorização”, afirmou Pritt.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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