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EXCLUSIVO: Fechamento de empresas em 2026 deve igualar os piores patamares da década, mostra estudo
Publicado 10/09/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 10/09/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Vestuário e acessórios lidera o fechamento crônico de empresas, mas nenhum segmento escapa em crises graves
O ano de 2026 pode ser o segundo pior para as empresas de varejo no Brasil, atrás somente de 2018, com o fechamento estimado em até 25,9 pontos percentuais acima da média histórica, aponta estudo do IBEVAR – FIA Business School, dividido com exclusividade ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O levantamento também apontou 2021, ressaca econômica da pandemia, como o segundo maior choque da série histórica, com salto de 21,3 pontos percentuais. Já a recessão de 2015, evento mais lembrado pela opinião pública, elevou o fechamento em apenas 5,5 pontos percentuais, tornando-se o mais brando dos três períodos analisados pelo modelo.
Batizado de “O Terremoto de 2026”, o estudo reconstitui 12 anos de dados de abertura, fechamento e saldo líquido de empresas em 13 segmentos do varejo nacional, entre 2011 e 2022. A partir desse histórico, os pesquisadores aplicaram um modelo estatístico de efeitos fixos para isolar o impacto de cada ano sobre a mortalidade empresarial, descontando as características estruturais de cada setor.
Vale explicar o que esses números representam. O ponto percentual mede a diferença bruta entre duas porcentagens, e não a variação percentual entre elas, então quando o estudo diz que 2018 somou 25,9 pontos percentuais, significa que a taxa de fechamento daquele ano ficou 25,9 pontos acima do que seria esperado em um ano comum, para o mesmo segmento.
Como ler os números
Ponto percentual (pp): mede a diferença bruta entre duas taxas, não a variação percentual entre elas. Quando o estudo diz que 2018 somou 25,9 pontos percentuais, significa que a taxa de fechamento daquele ano ficou 25,9 pontos acima do esperado em um ano comum, para o mesmo segmento.
Taxa de fechamento (%): mede a proporção de empresas que encerraram atividade em relação ao total existente naquele segmento, no próprio ano. Quando a tabela mostra 48,4% para vestuário e acessórios em um cenário como o de 2018, significa que essa fatia das lojas do setor fecharia as portas naquele ano, e não que o fechamento seria 48,4% maior do que no ano anterior.

Nos gráficos do estudo, cada linha colorida representa um segmento do varejo ao longo do tempo, e os picos de 2015, 2018 e 2021 aparecem ao mesmo tempo em quase todas as linhas, sinal de que os treze segmentos reagem juntos ao mesmo choque, em vez de fecharem por motivos internos e isolados de cada setor.
De acordo com o estudo, 2026 reúne o mesmo ingrediente que provocou os dois maiores choques da década, uma combinação de crise institucional aguda com ano eleitoral polarizado. Esse padrão difere do que caracterizou a recessão de 2015, identificada pelo modelo como o choque mais brando dos três períodos analisados.
“Os dados são claros. Crise política e ruptura institucional fecham mais empresas do que recessão econômica pura. O mercado brasileiro tolera mal a incerteza institucional, muito pior do que tolera a incerteza econômica convencional”, afirma Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School.
O próprio estudo faz uma ressalva sobre esse período. Parte do salto registrado em 2018 pode refletir baixas administrativas de CNPJs inativos promovidas pela Receita Federal, e não fechamentos reais de negócios em atividade.
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Siga o Times | CNBCTaxa de fechamento estimada por segmento em cada cenário
| Segmento | Ano normal | 2015 | 2018 | 2021 | 2026* |
|---|---|---|---|---|---|
| Vestuário e acessórios | 22,5% | 27,9% | 48,4% | 43,8% | 48,4% |
| Alimentos especializados | 16,6% | 22,1% | 42,5% | 37,9% | 42,5% |
| Tecidos e armarinho | 12,7% | 18,2% | 38,6% | 34,0% | 38,6% |
| Eletrônicos e informática | 10,8% | 16,3% | 36,8% | 32,2% | 36,8% |
| Supermercados | 8,2% | 13,7% | 34,2% | 29,6% | 34,2% |
| Outros especializados | 5,3% | 10,8% | 31,3% | 26,7% | 31,3% |
| Papelaria e escritório | 4,6% | 10,1% | 30,5% | 25,9% | 30,5% |
| Casa e decoração | 2,8% | 8,3% | 28,8% | 24,2% | 28,8% |
| Material de construção | 2,2% | 7,7% | 28,1% | 23,5% | 28,1% |
| Alimentação preparada (ref.) | 2,1% | 7,6% | 28,0% | 23,4% | 28,0% |
| Combustíveis | 1,9% | 7,4% | 27,9% | 23,3% | 27,9% |
| Farmácias e saúde | ~0,0% | 5,1% | 25,5% | 20,9% | 25,5% |
| Esporte e lazer | ~0,0% | 3,0% | 23,5% | 18,9% | 23,5% |
Taxa de fechamento estimada por segmento e cenário, segundo o estudo “O Terremoto de 2026” (IBEVAR-FIA Business School). A taxa mede a proporção de empresas que encerraram atividade em relação ao total existente naquele segmento, no próprio ano, e não a variação em relação ao ano anterior. *A coluna 2026 não consta do estudo original. É uma projeção editorial do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, que reproduz os valores do cenário 2018 porque foi a esse cenário que o próprio estudo comparou 2026, e não um cálculo específico feito pelo IBEVAR para o ano.
Além do efeito de cada ano, o estudo mapeou a propensão estrutural de cada segmento ao fechamento. Vestuário e acessórios aparece na liderança, com efeito fixo de 20,35 pontos percentuais acima da referência, seguido por alimentos especializados, com 14,51 pontos, e tecidos e armarinho, com 10,58 pontos.
No outro extremo, farmácias e saúde, com efeito de menos 2,5 pontos, e esporte e lazer, com menos 4,57 pontos, aparecem como os segmentos mais resistentes, descritos pelo estudo como os últimos itens cortados quando o consumo das famílias se retrai.
Pelo modelo, em um cenário como o de 2018, ao qual 2026 mais se assemelha, o setor de vestuário e acessórios pode chegar a 48,4% de taxa de fechamento, o maior número entre os 13 segmentos analisados.

Contudo, essa hierarquia entre setores desaparece quando o choque atinge determinada magnitude. Conforme o modelo, em 2018 até o segmento de esporte e lazer, o mais protegido em anos normais, chegou a 23,5% de taxa de fechamento, patamar superior ao pior ano normal do setor mais frágil da série.
Pelos parâmetros do estudo, choques institucionais dessa intensidade não distinguem setores blindados de setores vulneráveis, atingindo o varejo inteiro ao mesmo tempo.
Para chegar à comparação entre 2026 e os anos anteriores, os pesquisadores testaram a qual dos quatro cenários históricos, ano normal, 2015, 2018 ou 2021, o cenário atual mais se assemelha. Segundo Felisoni, o resultado aponta que 2026 não se parece com a recessão de 2015, e sim com a crise de 2018.
Com base nesses parâmetros, o estudo projeta que o fechamento de empresas e os pedidos de recuperação judicial em 2026 devem testar os mesmos patamares extremos observados nos dois maiores choques da década, afastando a hipótese de uma estabilização suave como a registrada em 2022. Essa comparação entre 2026 e 2018 é a conclusão do próprio estudo, mas os valores numéricos por segmento atribuídos a 2026 nesta reportagem são uma extrapolação editorial do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, e não um cálculo específico feito pelo IBEVAR para o ano.
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