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Ferrari anuncia primeiro carro elétrico da marca; ações caem após lançamento
Publicado 26/05/2026 • 06:49 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 26/05/2026 • 06:49 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
Ferrari Spa
A Ferrari revelou o veículo elétrico Ferrari Luce no cenário simbólico da Vela di Calatrava, Città dello Sport, em Roma, em maio de 2026.
A Ferrari apresentou seu primeiro carro totalmente elétrico, o Luce, em um movimento que marca a entrada da fabricante italiana no segmento de veículos de luxo movidos a bateria. O modelo chega anos após rivais como Porsche e Lamborghini, que já oferecem opções eletrificadas em seus portfólios.
Segundo a empresa, o Luce, que significa “luz” em italiano, terá velocidade máxima superior a 310 km/h, autonomia acima de 530 quilômetros e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. O veículo conta com bateria de 122 kWh.
Leia também: Ferrari supera expectativas no 1º trimestre antes da estreia de seu primeiro carro elétrico
Com 2,26 toneladas, o modelo também se tornou o carro mais pesado já produzido pela Ferrari. O Luce é ainda apenas o segundo veículo de quatro portas da história da montadora e o primeiro com cinco lugares, uma mudança relevante para uma marca tradicionalmente associada a esportivos de dois assentos.

“Estamos inaugurando um capítulo que transforma nossa visão em realidade, fortalecendo a tradição da Ferrari de antecipar e moldar o futuro”, afirmou o presidente da companhia, John Elkann, em comunicado.
Ao ser questionado se a empresa conseguiria satisfazer tanto os novos clientes quanto sua clientela habitual, Vigna disse a Charlotte Reed, da CNBC: “Olha, quando você trabalha com uma nova tecnologia, precisa sempre ter em mente uma palavra chamada respeito.”
Leia também: Ferrari encerra 2025 com lucro bilionário
O lançamento ocorre em um momento de desaceleração do mercado global de veículos elétricos. Montadoras de luxo têm reduzido o ritmo de expansão nesse segmento diante de uma demanda abaixo do esperado durante a transição dos motores a combustão para os elétricos.
No ano passado, a Ferrari revisou suas projeções para os veículos elétricos e passou a estimar que eles representarão 20% da oferta da companhia em 2030, abaixo da meta anterior de 40%.
As ações da Ferrari operavam em queda de 6,3% na manhã de terça-feira (26), recuperando parte das perdas anteriores. Os papéis da empresa, listados em Milão, acumulam queda de quase 27% nos últimos 12 meses.
Analistas atribuíram a reação negativa do mercado tanto à recepção do novo design quanto ao movimento clássico de realização de lucros após um evento amplamente antecipado pelos investidores. Os papéis da companhia haviam acumulado forte valorização antes do lançamento do veículo.
Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, parte dos fãs da Ferrari vê a entrada da marca no segmento elétrico como um risco à identidade construída em torno de motores a combustão e desempenho tradicional.
“No fim das contas, muitos fãs estão decepcionados com a adoção do conceito de veículos elétricos pela Ferrari, acreditando que isso dilui a marca de supercarros, que se consolidou em torno do design clássico e da potência bruta dos motores a combustão”, afirmou Field à CNBC.
O analista também destacou preocupações dos investidores com os custos elevados de pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos, o que pode pressionar retornos financeiros da companhia.
Anthony Dick, analista automotivo da Oddo BHF, afirmou que a reação do mercado foi incomum para um lançamento automotivo. Segundo ele, o Luce representa “o maior desvio do espírito da marca” já realizado pela Ferrari, aumentando os receios sobre impacto em valor de marca e rentabilidade caso o modelo não tenha boa aceitação comercial.
Apesar das críticas, o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou que o Luce manterá a experiência emocional característica dos carros da montadora. Segundo ele, embora o veículo tenha motor elétrico, o som continuará sendo um elemento central da experiência de condução.
“O importante é a emoção que está sendo transmitida ao motorista”, disse Vigna.
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