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GPA negocia desconto em dívida com bancos e conversão de 25% em ações
Publicado 01/05/2026 • 14:28 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/05/2026 • 14:28 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Divulgação
Fachada de uma loja Pão de Açúcar
O GPA negocia com bancos credores uma reestruturação que pode reduzir pela metade o passivo financeiro da companhia com essas instituições. A proposta combina desconto direto sobre a dívida e conversão de parte do valor devido em ações da dona do Pão de Açúcar. A informação foi confirmada pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
As conversas envolvem cerca de R$ 2 bilhões em dívidas com quatro bancos. Pelo desenho em negociação, 25% desse valor teria deságio, o equivalente à cerca de R$ 500 milhões. Outros 25%, também em torno de R$ 500 milhões, seriam convertidos em ações da companhia.
Se a proposta avançar nesses termos, o saldo remanescente com os bancos ficaria perto de R$ 1 bilhão.
A conversão em ações seria feita com base no preço de tela dos papéis em janeiro de 2028. Ainda não há uma definição prévia sobre qual valor será usado, já que a cotação será conhecida apenas no período do vencimento.
A expectativa considerada nas negociações é que a empresa esteja em uma posição financeira melhor até lá.
As ações do GPA fecharam a quinta-feira (30) a R$ 2,40. No ano, os papéis acumulam queda de quase 40%.
Leia também: GPA: conheça a Casino e saiba qual sua participação no Grupo Pão de Açúcar atualmente
A recuperação extrajudicial do GPA envolve R$ 4,53 bilhões em passivos. A lista de credores inclui bancos, debenturistas, detentores de certificados de recebíveis imobiliários (CRI), além de empresas de logística, consultorias e transportadoras.
Até agora, o avanço mais relevante ocorre nas conversas com as instituições financeiras.
Para debenturistas e detentores de CRI, a proposta discutida é mais dura. A negociação ainda considera desconto de 90% sobre o passivo, além de conversão da dívida em ações com base no preço dos papéis em 2029.
Esse grupo reúne cerca de R$ 1,5 bilhão em créditos. Desse total, aproximadamente R$ 560 milhões estão nas mãos de detentores de CRI. Outros pouco mais de R$ 990 milhões correspondem a debêntures.
Juntos, debenturistas e donos de CRI formam o segundo maior bloco de credores da companhia.
Na lista de credores signatários divulgada pela empresa, a Pentágono S.A. Distribuidora de Títulos aparece ligada aos CRIs, enquanto a Vórtx Distribuidora de Títulos aparece como representante dos debenturistas.
Se as condições negociadas com os bancos fossem aplicadas a todos os credores sujeitos à recuperação, a dívida total cairia de R$ 4,53 bilhões para cerca de R$ 2,26 bilhões. Nesse cenário, o deságio e a conversão em ações ficariam em torno de R$ 1,13 bilhão cada.
Leia também: O que é conta escrow? Entenda a exigência da Justiça no caso GPA e Casino
Na avaliação de uma fonte ouvida pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, as negociações não indicam, necessariamente, uma empresa em situação irreversível do ponto de vista operacional ou de caixa. O ponto de atenção está na forma como a reestruturação vem sendo conduzida.
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Seguir no Google“Há uma assimetria clara no tratamento entre os diferentes tipos de credores. Enquanto os grandes bancos teriam condições mais equilibradas, com parte da dívida podendo ser convertida em ações, investidores menores, como debenturistas e detentores de CRI, enfrentariam perdas muito mais expressivas”, afirmou a fonte.
A leitura é que esse desenho reflete a própria dinâmica das recuperações extrajudiciais no Brasil. Como o plano depende da aprovação da maioria dos credores, grupos que concentram fatia relevante da dívida tendem a ter mais força para direcionar a negociação.
“Quando há concentração relevante da dívida nas mãos de grandes players, esses grupos conseguem direcionar a votação e aprovar termos mais favoráveis a si próprios, mesmo que isso implique condições mais duras para os minoritários”, disse.
Para a fonte, o caso reforça uma percepção recorrente no mercado: a estrutura da dívida e a governança dos credores podem ser tão determinantes quanto a situação financeira da companhia no desfecho de uma recuperação.
“Mais do que um sinal de fragilidade extrema da companhia, o caso reforça a percepção de que a governança e a estrutura da dívida têm papel determinante no desfecho dessas negociações”, afirmou.
Nesse cenário, a reestruturação pode preservar valor para os maiores credores, enquanto investidores menores acabam absorvendo parcela maior das perdas.
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