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Inteligência Artificial

Governança de I.A. se torna prioridade para CFOs, revela levantamento da Grant Thornton

Publicado 09/08/2026 • 12:01 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Grant Thornton ouviu 232 CFOs sobre prioridades de investimento em tecnologia
  • Apenas 37% dos CFOs se declaram otimistas com a economia neste trimestre
  • Governança e métricas de retorno passam a guiar projetos de Inteligência Artificial
Grant Thornton

Foto: Shutterstock

A Inteligência Artificial entra em uma nova fase de governança dentro das empresas. É o que aponta o CFO Survey Q2 2026, pesquisa realizada pela Grant Thornton com 232 líderes financeiros, segundo a qual os CFOs deixam de discutir se devem investir em IA e passam a cobrar retorno mensurável e controle sobre os projetos em andamento.

Conforme o levantamento, apenas 37% dos executivos entrevistados demonstram otimismo em relação à economia, o menor índice em 20 trimestres. Ainda assim, 67% pretendem ampliar os investimentos em tecnologia e transformação digital nos próximos 12 meses, patamar próximo ao maior já registrado na série histórica da pesquisa.

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Retorno financeiro vira exigência

Segundo a Grant Thornton, muitas empresas ainda não possuem mecanismos claros para avaliar o retorno financeiro das iniciativas de Inteligência Artificial. Assim, a consultoria destaca a necessidade de métricas, processos de acompanhamento e disciplina na alocação de capital.

De acordo com Marco Aurélio Neves, sócio-líder de consultoria da Grant Thornton, “a discussão deixou de ser se a empresa deve investir em Inteligência Artificial. A questão agora é como garantir que esses investimentos produzam resultados mensuráveis”. Para o executivo, “governança, indicadores e acompanhamento da execução passam a ser tão importantes quanto a própria tecnologia”.

Área financeira ganha protagonismo

Ainda segundo Marco Aurélio, o CFO deixou de responder apenas pelo controle financeiro das empresas. Ele passa a participar diretamente de decisões sobre inovação, transformação digital e geração de valor para o negócio.

Nesse sentido, o executivo afirma que a área financeira passou a ocupar papel de protagonismo na definição da estratégia empresarial. A pesquisa da Grant Thornton também mostra que 60% dos entrevistados já consideram tecnologia e IA o principal fator de geração de valor em operações de fusões e aquisições.

Governança soma disciplina e crescimento

Para a Grant Thornton, o equilíbrio entre disciplina financeira e crescimento sustentável passa a orientar a atuação dos CFOs. Segundo Marco Aurélio, “eficiência não significa simplesmente cortar custos. Significa investir melhor, utilizar tecnologia para aumentar a produtividade e direcionar recursos para iniciativas que realmente gerem vantagem competitiva”.

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O levantamento também aponta que 42% dos CFOs esperam aumento nas atividades de fusões e aquisições nos próximos meses, com abordagem mais seletiva, priorizando empresas capazes de acelerar ganhos operacionais e inovação.

Cenário econômico dos Estados Unidos piora

O levantamento, aplicado entre 28 de abril e 11 de maio deste ano, mostra que a confiança econômica dos CFOs americanos se deteriorou de forma acentuada no período. Segundo a Grant Thornton, o pessimismo cresceu com a alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Irã e pelo fechamento do estreito de Ormuz.

De acordo com Dana Lance, líder de soluções tributárias, qualidade e risco da Grant Thornton, “a incerteza sobre tarifas está criando desafios nas cadeias de suprimentos, e o fornecimento de petróleo somado à guerra gerou boa parte da incerteza econômica e do pessimismo que vimos”. Ainda conforme o levantamento, 67% dos CFOs esperam alta da inflação nos próximos 12 meses, com 18% projetando aumento expressivo. A confiança na capacidade de atender às demandas da cadeia de suprimentos caiu de 58% para 43% no mesmo período.

Apesar do cenário, 87% dos executivos planejam iniciativas de redução de custos, ante 72% no trimestre anterior. No entanto, apenas 42% confiam que vão atingir as metas de controle de despesas, contra 51% no levantamento passado.

Governança de risco não cobre criação de valor

Segundo a Grant Thornton, boa parte das organizações já possui governança voltada a risco e conformidade, mas ainda carece de governança direcionada à criação de valor com Inteligência Artificial. Sem um processo orientado por métricas para avaliar as iniciativas, a consultoria aponta risco de manutenção de investimentos em projetos com desempenho abaixo do esperado.

Para Mike Desmond, líder de crescimento em auditoria da Grant Thornton, “quando o desempenho não atende aos critérios em cada etapa, os líderes precisam tomar decisões com base em métricas, não em emoções”. Já Mike Hennessey, sócio nacional de modernização financeira da Grant Thornton, destaca que ferramentas de IA aplicadas ao planejamento financeiro “permitem que as corporações façam projeções com mais rapidez e precisão”.

Fusões crescem de forma seletiva

O levantamento indica que 42% dos CFOs esperam aumento nas atividades de fusões e aquisições nos próximos 12 meses, mas apenas 11% projetam alta expressiva. Segundo a Grant Thornton, o mercado favorece negócios pontuais, com objetivos claros de geração de valor, em vez de expansões amplas.

Para Paul Edwards, líder global da prática Grant Thornton Stax, “existe muito dinheiro disponível para negócios, e há muitas gestoras de private equity, mas os compradores estão seletivos”. O executivo também observa que “uma empresa que roda 25 pilotos de IA não tem estratégia. Uma empresa que roda dois ou três pilotos tem”. A pesquisa ainda aponta que 30% dos CFOs já participam de operações de nearshoring na América Latina, alta de 11 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

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