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Itaú compra a totalidade da NeoSpace, startup de inteligência artificial, por R$ 2,9 bilhões

Publicado 26/10/2026 • 08:31 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • Itaú Unibanco anunciou acordo para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace por R$ 2,925 bilhões, com pagamentos distribuídos ao longo de cinco anos.
  • Banco já detinha 15% da startup desde 2025, após investir US$ 15 milhões em uma rodada de captação.
  • Especializada em modelos de IA para crédito, prevenção a fraudes e relacionamento com clientes, a NeoSpace projetava faturamento de R$ 300 milhões em 2026.
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O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) um acordo para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace A.I. Technologies por R$ 2,925 bilhões. A operação amplia o controle do banco sobre o desenvolvimento de inteligência artificial aplicada a serviços financeiros, especialmente nas áreas de crédito, prevenção a fraudes e relacionamento com clientes.

Segundo fato relevante divulgado ao mercado, parte do pagamento será realizada no fechamento da transação, enquanto as demais parcelas serão desembolsadas ao longo de cinco anos, mediante condições estabelecidas em contrato. A conclusão depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, além de outras exigências regulatórias.

A aquisição representa uma nova etapa de uma parceria iniciada há quase dois anos. Em janeiro de 2025, o Itaú comprou 15% da NeoSpace por US$ 15 milhões, em uma rodada de investimentos que movimentou US$ 18 milhões. Na ocasião, as empresas também firmaram um acordo para desenvolver soluções exclusivas de inteligência artificial generativa para o banco.

Fundada em 2024 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs, a NeoSpace desenvolve modelos de inteligência artificial especializados na análise de grandes volumes de dados corporativos. Diferentemente de ferramentas generalistas, a tecnologia é direcionada a aplicações específicas, como avaliação de crédito, identificação de riscos e personalização de serviços financeiros.

A startup projetava alcançar R$ 300 milhões em faturamento em 2026, segundo informações divulgadas pela própria empresa à imprensa. O valor é uma projeção, e não representa receita já realizada.

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Estratégia de expansão tecnológica

A compra também reforça uma relação anterior do Itaú com os fundadores da NeoSpace. Pierobon, Almeida e Debs participaram da criação da Zup Innovation, empresa de tecnologia adquirida pelo banco em uma operação anunciada em 2019, com valor-base de R$ 575 milhões para a totalidade do negócio.

Desta vez, o investimento está diretamente relacionado ao uso de inteligência artificial em operações bancárias. Os modelos desenvolvidos pela NeoSpace já utilizam dados do próprio Itaú para aprimorar análises de crédito, processos de relacionamento com clientes e mecanismos de prevenção a fraudes.

A incorporação dessa tecnologia pode ampliar a capacidade do banco de desenvolver ferramentas próprias, reduzindo a dependência de soluções externas em determinadas aplicações e permitindo maior integração entre dados, modelos e produtos financeiros.

A operação também está associada à evolução da ia.i, assistente de inteligência artificial generativa do Itaú, desenvolvida para oferecer interações personalizadas e recomendações financeiras a partir das necessidades dos clientes.

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O impacto econômico dessas aplicações está relacionado à escala das operações do banco. Ao fim do segundo trimestre de 2026, o Itaú registrava carteira de crédito de aproximadamente R$ 1,52 trilhão e lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões no período. Nesse contexto, ganhos de precisão na análise de risco, na concessão de crédito e na prevenção a fraudes podem representar economias e melhorias operacionais relevantes, embora o banco não tenha divulgado estimativas financeiras dos benefícios esperados com a aquisição.

Apesar da mudança societária prevista, a NeoSpace continuará com gestão autônoma, e sua equipe será mantida, conforme informou o Itaú no comunicado.

A operação coloca o desenvolvimento de modelos especializados de inteligência artificial entre os investimentos estratégicos do banco, que passa a buscar controle integral sobre uma tecnologia já utilizada em atividades diretamente ligadas à concessão de crédito, ao relacionamento com clientes e à gestão de riscos.

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O que faz a NeoSpace?

A NeoSpace desenvolve modelos de inteligência artificial para interpretar grandes volumes de dados de empresas, a exemplo de transações financeiras, históricos de consumo, registros operacionais e informações industriais, segundo a própria companhia.

A empresa chama a arquitetura de Large Data Model, ou grande modelo de dados. O cofundador Felipe Almeida afirma que os modelos de linguagem usados no dia a dia foram desenvolvidos sobretudo para processar texto, o que diferencia a proposta da NeoSpace.

O objetivo é antecipar comportamentos de clientes, entre eles sinais de cancelamento, mudança de perfil financeiro e risco de inadimplência. Cada modelo é treinado com o histórico de dados da empresa contratante. Em um dos métodos descritos pela companhia, 18 meses de dados servem para identificar padrões e 6 meses para validar as previsões.

Em 2025, ao anunciar o uso da infraestrutura em nuvem da Oracle, a NeoSpace apresentou dois produtos. O NeoLang é um modelo de linguagem voltado a finanças, que conversa com o cliente para fazer recomendações personalizadas. O NeoCustomer é treinado com dados detalhados de clientes para sugerir produtos de acordo com o contexto de cada um.

Além de bancos e seguradoras, a empresa afirma que a tecnologia se aplica a telecomunicações, varejo, mineração e energia, a exemplo da previsão de clientes propensos a trocar de operadora. Cita ainda companhias aéreas e petroleiras, para otimização de rotas e combustível e identificação de áreas de exploração. A NeoSpace não divulga clientes além do Itaú, e esses setores aparecem na lista de aplicações possíveis, sem contratos confirmados.

A companhia atribui à tecnologia ganhos de desempenho de 8% a 10% em alguns casos e de até 30% em outros, números que não foram auditados por terceiros. Para treinar os modelos, usa processadores gráficos da Nvidia, afirma ser a maior usuária da linha B200 na América Latina e planeja quintuplicar a capacidade de processamento em dois anos.

Fora do Brasil, os Estados Unidos são o primeiro mercado-alvo, e a empresa já contrata funcionários no país. A NeoSpace projeta dobrar a receita a cada ano e superar R$ 3 bilhões em 2030, de acordo com o que divulgou. O valor, a exemplo do faturamento de 2026, é uma projeção.

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