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TIMES | CNBC Parlatório Talks: “Defender um país melhor é defender uma empresa melhor”, diz Sergio Zimerman, presidente do Conselho do Petz Cobasi, ao analisar o cenário político  e o impacto no varejo

Publicado 19/10/2026 • 22:48 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • O executivo cobrou maior participação do empresariado em discussões que ultrapassem interesses específicos.
  • Zimerman aponta a inteligência artificial como uma das frentes de investimento da companhia e cobra maior participação do empresariado nas discussões sobre o futuro do país.
  • O executivo destacou, ainda, que mais de 40% das vendas do grupo são digitais e que 95% dos pedidos on-line são enviados pelas próprias lojas físicas.
  • Sergio Zimerman defende compromisso com a estabilidade fiscal para reduzir o prêmio de risco e aliviar a pressão sobre o crédito.

Sergio Zimerman, presidente do conselho do Grupo Petz Cobasi, em entrevista nesta segunda-feira (19) ao programa Parlatório Talks, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, defendeu que empresários e cidadãos cobrem transparência e responsabilização, sem transformar o debate em disputa partidária. “Isso não é pauta de esquerda, isso não é pauta de direita, isso é pauta do povo brasileiro que quer o melhor para o Brasil”, declarou.

O empresário afirmou que a polarização permite que apoiadores relativizem denúncias quando envolvem políticos de seu campo. “O dinheiro da corrupção não pergunta em quem você votou”, disse. Ele também afirmou que mobilizações em defesa das instituições seriam mais oportunas depois do segundo turno.

Zimerman criticou o funcionamento atual do Supremo Tribunal Federal e defendeu a preservação da instituição acima de seus integrantes. “As pessoas passam, as instituições ficam. A gente precisa pensar nos nossos filhos, nos nossos netos, a gente precisa recuperar a instituição”, afirmou.

Na avaliação dele, o país deveria discutir critérios de escolha, duração dos mandatos e responsabilidades dos poderes em um projeto de longo prazo. “Vamos falar o que o país deveria ser. Ou o que pode ser”, propôs. Ele citou horizontes de 10, 15, 20 ou 30 anos para mudanças estruturais graduais.

O presidente do conselho questionou a distribuição de obrigações fiscais entre Executivo, Legislativo e Judiciário. “Como é que um poder vai responder pela responsabilidade fiscal se outros dois poderes podem criar despesas?”, perguntou, ao defender regras mais claras para a atuação de cada um.

O papel do empresariado

Ele também cobrou maior participação do empresariado em discussões que ultrapassem interesses específicos. “Você tem pouco líder defendendo o Brasil”, avaliou. Para Zimerman, a atuação pública não deveria se limitar à defesa de uma empresa ou de um setor econômico.

“Uma população empobrecida não compra. Um país que tá sendo destruído não consome”, disse. Na entrevista ao Parlatório Talks, o executivo vinculou a sustentabilidade do varejo à melhora das condições econômicas e institucionais do país.

Os juros elevados se transformaram no principal obstáculo ao varejo brasileiro e devem continuar pressionando empresas endividadas, afirmou Sergio Zimerman, presidente do conselho do Grupo Petz Cobasi, em entrevista nesta segunda-feira (19) ao programa Parlatório Talks, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para o empresário, a combinação entre crédito caro, endividamento das famílias e disputas judiciais compromete a capacidade de investimento do setor.

“A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Aqui acho que já é quase que um consenso que essa dose é uma dose de veneno e que está matando e que vai continuar matando”, disse Zimerman ao apresentador Carlos Marques. Ele relacionou o cenário ao avanço das recuperações judiciais no país.

Segundo o executivo, a rentabilidade limitada do comércio torna particularmente difícil suportar o custo financeiro. “A empresa trabalha o ano inteiro, pega o seu resultado operacional, quando dá, paga o serviço da dívida, às vezes nem isso consegue. E ainda que conseguisse pagar todo o serviço da dívida, ela não tem depois pulmão para fazer investimentos”, afirmou.

Juros, dívidas e pressão sobre o varejo

Zimerman também associou o nível dos juros à distribuição de renda. “A gente está vivendo um regime que é o paraíso para o rentista”, declarou. Na avaliação dele, o custo do dinheiro transfere recursos do setor produtivo para o financeiro e aprofunda desigualdades.

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Para o presidente do conselho, a redução do prêmio exigido pelo mercado dependerá de sinalizações fiscais, independentemente do resultado eleitoral. “Se houver um compromisso com a estabilidade fiscal, se houver uma sinalização para o mercado que os próximos quatro anos serão diferentes”, haverá efeito sobre a curva de juros, avaliou.

Outro fator citado foi o empréstimo consignado, que, segundo ele, pode agravar o endividamento quando oferecido sem educação financeira. “Você trabalha o mês inteiro, chega no final do mês e você não tem mais salário para receber, porque tudo é descontado de parcela de consignado”, afirmou. Zimerman disse observar trabalhadores nessa situação dentro das empresas.

Ao discutir relações trabalhistas, o empresário criticou mudanças na cobrança de honorários de sucumbência e atribuiu a elas efeitos sobre os valores reivindicados em processos. Ele ressalvou, contudo, que há trabalhadores com reclamações legítimas: “Tem pessoas que efetivamente são prejudicadas pelas empresas, é uma reclamação absolutamente justa”.

No diagnóstico do entrevistado, o varejo enfrenta uma combinação excepcional de dificuldades. “Eu acho que nunca houve tantos fatores concomitantes afetando o varejo”, disse. Ele considera que a continuidade de juros reais elevados pode manter a pressão sobre companhias que precisam renegociar dívidas.

Lojas físicas sustentam o avanço digital

Apesar da pressão sobre o setor, o grupo aposta na integração entre comércio eletrônico e lojas físicas. Zimerman afirmou que mais de 40% das vendas da Petz Cobasi ocorrem por canais digitais e que a empresa mantém a expansão de sua rede de aproximadamente 520 unidades.

“Investir na loja física é investir no digital, porque a loja física é o mini hub de distribuição”, explicou. Segundo o empresário, 95% dos pedidos digitais são despachados das lojas, em vez de dependerem de um único centro de distribuição.

Esse modelo, argumentou, permite atender clientes a partir da unidade mais próxima, reduzindo prazos e custos. “Isso faz o quê? Que a entrega fica mais rápida e que o custo fica menor, que é um sonho”, destacou Zimerman.
Ao explicar a trajetória das duas redes até a fusão, o executivo apontou a atenção ao consumidor como fator decisivo. “O que nos guiou é uma coisa muito importante, que foi esse foco excessivo ao comportamento do consumidor, foco excessivo ao que o consumidor precisava”, afirmou.

A transformação digital ganhou impulso na pandemia, mas, segundo Zimerman, o grupo havia começado a se preparar antes. “Quando a gente percebeu que o consumidor estava se digitalizando, a empresa se digitalizou em tempo”, disse, ao lembrar a preparação realizada em 2018 e 2019.

Inteligência artificial e comportamento do consumidor

A próxima etapa, acrescentou, envolve o uso de inteligência artificial em processos internos e no atendimento. Ele citou contabilidade, área jurídica e experiência do consumidor como frentes de investimento, diante de clientes que passaram a conferir informações com ferramentas digitais.

“O consumidor muda e outra coisa, vai mudar de novo, inteligência artificial, estamos atentos”, afirmou. Para ele, a tecnologia também altera a relação de conhecimento entre vendedores e clientes, que podem consultar ferramentas de IA imediatamente ao receber uma orientação.

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