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Lixo espacial aumenta e startups criam novo mercado para limpar a órbita da Terra

Publicado 11/08/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O avanço da atividade espacial está deixando um problema cada vez maior ao redor da Terra: o acúmulo de lixo espacial.
  • Satélites que deixam de funcionar, partes de foguetes e outros equipamentos não desaparecem depois do fim das missões e podem permanecer em órbita durante anos.
  • O problema ganhou um novo exemplo nesta semana, quando o estágio superior de um foguete Falcon 9 da SpaceX colidiu com a Lua.
Lixo espacial aumenta e startups criam novo mercado para limpar a órbita da Terra

Foto: unsplash

Lixo espacial aumenta e startups criam novo mercado para limpar a órbita da Terra

O avanço da atividade espacial está deixando um problema cada vez maior ao redor da Terra: o acúmulo de lixo espacial. Satélites que deixam de funcionar, partes de foguetes e outros equipamentos não desaparecem depois do fim das missões e podem permanecer em órbita durante anos.

O problema ganhou um novo exemplo nesta semana, quando o estágio superior de um foguete Falcon 9 da SpaceX colidiu com a Lua. O equipamento havia sido deixado em uma trajetória descontrolada após uma missão lunar e permaneceu no espaço por mais de um ano antes de atingir a superfície lunar.

O episódio chama atenção para uma questão que vai além da Lua. Mais perto da Terra, a quantidade de objetos abandonados também cresce e aumenta o risco de colisões. Com isso, empresas começam a apostar que retirar esses equipamentos e prestar serviços de manutenção em órbita pode se transformar em um novo mercado.

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Órbita da Terra fica mais congestionada

A órbita baixa da Terra reúne satélites em operação e objetos deixados por décadas de atividades espaciais, incluindo foguetes e satélites dos Estados Unidos e da antiga União Soviética.

Um mapa interativo desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin mostra o congestionamento em tempo real. Já o OrbitRadar acompanha quase 30 mil objetos no espaço. Cerca de 18.500 são satélites ativos, enquanto o restante corresponde a fragmentos de detritos ou corpos de foguetes descartados.

Além disso, o problema não está apenas na quantidade. Os objetos circulam em alta velocidade e uma colisão pode produzir uma nova nuvem de fragmentos. Alguns deles podem ficar pequenos demais para serem rastreados da Terra, dificultando a prevenção de novos acidentes.

Segundo Tim Flohrer, chefe do departamento de detritos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA), a quantidade de lixo pode continuar aumentando mesmo sem novos lançamentos. Isso acontece porque os objetos podem se fragmentar mais rapidamente do que os detritos reentram naturalmente na atmosfera.

Como resultado, satélites ativos precisam realizar cada vez mais manobras para evitar colisões. Em um cenário extremo, determinadas órbitas podem se tornar inutilizáveis.

Astroscale desenvolve tecnologia contra o lixo espacial

É nesse mercado que a Astroscale pretende atuar. A empresa desenvolve espaçonaves para remover detritos e prestar outros serviços em órbita.

Segundo Andrew Faiola, vice-presidente comercial da companhia, os veículos precisam ser ágeis e capazes de operar com segurança perto de outras espaçonaves. A tarefa é complexa porque os objetos na órbita baixa se deslocam a cerca de 7 a 8 quilômetros por segundo e podem girar sem controle.

A Astroscale está entre as poucas empresas comerciais que já demonstraram capacidade de se acoplar a outra espaçonave por meio de um sistema de captura magnética.

A companhia também identifica oportunidades no setor de defesa. No ano fiscal encerrado em abril, a receita cresceu 142%. Apesar disso, a empresa ainda registra grandes prejuízos operacionais, consome caixa e obtém uma parcela importante de sua receita por meio de projetos financiados por governos.

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Por enquanto, os contratos vêm principalmente de agências espaciais e governos. A expectativa é que, no futuro, operadores de grandes constelações de satélites também financiem esse tipo de serviço.

ClearSpace amplia serviços no mercado espacial

A ClearSpace, startup sediada em Luxemburgo, trabalha com uma proposta mais ampla. Para a empresa, a remoção de detritos pode fazer parte de um mercado de inspeção, reparo e manutenção de espaçonaves em órbita. A companhia desenvolveu um satélite com uma “garra” capaz de capturar detritos. Depois, o equipamento pode trazer o objeto de volta à Terra ou levá-lo para uma região conhecida como “cemitério espacial”, onde o risco de colisão é menor.

Nesse sentido, a ClearSpace levantou € 26 milhões (cerca de R$ 150 milhões) , cerca de US$ 30 milhões, em 2023 e planeja uma nova rodada de financiamento ainda neste ano.

Regulamentação pode criar demanda

Além da tecnologia e do financiamento, o setor também enfrenta um desafio regulatório relacionado à responsabilidade pela retirada de equipamentos espaciais abandonados.

A ESA afirma que não é uma entidade reguladora e só pode impor medidas de mitigação de detritos em suas próprias missões. Para a agência, o lixo espacial precisa de cooperação global.

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Dessa forma, Faiola avalia que novas regras podem ajudar a criar um mercado para a remoção de detritos. A expectativa das empresas é que, com mais exigências, operadores espaciais passem a contratar serviços para retirar equipamentos ao fim de sua vida útil.

Assim, o aumento do lixo espacial começa a abrir espaço para uma nova atividade comercial: empresas que não apenas colocam equipamentos em órbita, mas também trabalham para mantê-los, removê-los e reduzir o congestionamento no espaço.

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