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Ações da Hermès caem 11% mesmo depois de balanço positivo; queda expõe fragilidade no setor de luxo e dependência do mercado chinês

Publicado 29/07/2026 • 09:40 | Atualizado há 6 minutos

KEY POINTS

  • Papéis da Hermès recuam 11% na Bolsa de Paris mesmo com crescimento de 6,7% na receita do trimestre
  • Analistas do Citi apontam ausência de recuperação convincente da Hermès no mercado chinês
  • Ações da Hermès acumulam queda de 27% no ano em meio à crise do setor de luxo europeu
Bolsas da Hermès.

Bolsas da Hermès.

Divulgação Hermès.

As ações da Hermès despencavam 11% na Bolsa de Paris nesta quarta-feira (29), horas depois de a grife francesa divulgar o balanço do primeiro semestre que apresentou crescimento na receita, mas sem sinais convincentes de recuperação no mercado chinês.

A queda no valor de mercado ocorre apesar de a Hermès ter reportado um avanço orgânico de 6,7% na receita do segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior. No primeiro trimestre, o crescimento havia sido de 5,6%. Ainda assim, os investidores reagiram mal ao resultado.

Leia também: LVMH tem alta nas vendas do segundo trimestre, inpulsionadas por demanda nos EUA

De acordo com balanço divulgado pela Hermès nesta quarta-feira (29), a receita consolidada do grupo no primeiro semestre de 2026 somou 8,2 bilhões de euros (R$ 47,8 bilhões), alta de 6% a taxas de câmbio constantes.

A companhia informou que o lucro operacional recorrente chegou a 3,4 bilhões de euros (R$ 19,8 bilhões), o equivalente a uma margem de 41% sobre as vendas.

🔍 Margem operacional recorrente: indicador que mede o lucro das atividades principais da empresa antes de itens extraordinários, em proporção à receita total.

Ainda segundo o comunicado da grife, o fluxo de caixa livre ajustado cresceu 18% no período, para 2,2 bilhões de euros, resultado atribuído pela empresa à gestão de estoques e ao desempenho de vendas das coleções mais recentes.

China sem sinais de recuperação

O ponto de maior atenção do mercado recaiu sobre a região Ásia-Pacífico, que exclui o Japão mas inclui a China. Segundo o balanço da Hermès, a receita da região cresceu apenas 2,4% no semestre, ritmo pouco superior ao registrado nos primeiros meses do ano.

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Analistas do Citi afirmaram, em nota, que a companhia não apresentou evidências de uma recuperação na China. A ausência de sinais mais fortes no mercado chinês tem sido apontada como o principal fator por trás da reação negativa dos investidores ao balanço.

O mesmo movimento foi observado em outra gigante do setor, a LVMH, que também mostrou pouca melhora na China no trimestre.

Concorrência local pressiona marcas europeias

Além do cenário macroeconômico chinês, a Hermès enfrenta o avanço de marcas locais no segmento de luxo. Grifes chinesas de artigos de couro têm conseguido ocupar o espaço entre o mercado de luxo e o de moda de massa, o que representa um desafio à participação de mercado das marcas europeias.

O setor de luxo como um todo vinha de anos de retração na demanda por acessórios e alta-costura, com o cenário mais severo justamente na China. A expectativa do setor para 2026 era de recuperação, apoiada em uma melhora tanto no mercado chinês quanto no americano.

Queda acumulada de 27% no ano

Com o recuo desta quarta-feira (29), as ações da Hermès acumulam queda de cerca de 27% no ano. O desempenho ilustra a dificuldade do setor de luxo europeu em recuperar o fôlego mesmo diante de resultados financeiros considerados sólidos pelas próprias empresas.

Em comunicado, o presidente-executivo da Hermès, Axel Dumas, afirmou que a companhia entrega um desempenho sólido no primeiro semestre, atribuído à força de seus métiers e à confiança dos clientes, e disse acreditar na força do modelo artesanal da grife para o segundo semestre.

A Hermès informou ainda que mantém a meta de crescimento de receita a taxas de câmbio constantes no médio prazo, apesar das incertezas econômicas e geopolíticas apontadas pela própria empresa.

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