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Alívio geopolítico pode recolocar setor de luxo entre as apostas do mercado global

Publicado 16/06/2026 • 17:07 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Ações de grupos como LVMH, Hermès, Richemont e Ferrari reagiram positivamente após o acordo entre EUA e Irã.
  • Estabilidade econômica tende a impulsionar consumo de experiências, viagens e produtos de alto padrão.
  • Queda do petróleo também pode beneficiar a cadeia têxtil e reduzir custos logísticos da indústria global.

A melhora do cenário geopolítico e a perspectiva de maior estabilidade econômica podem recolocar o setor de luxo entre os destaques do mercado global no segundo semestre, avalia Valeska Nakad, coordenadora do curso de Moda da Belas Artes.

Segundo a especialista, após um período marcado por juros elevados, desaceleração da economia chinesa e menor apetite por consumo de alto padrão, as grandes marcas de luxo voltaram a atrair a atenção dos investidores. “O mercado de luxo vinha passando por algumas dificuldades após a pandemia, mas agora vemos uma possibilidade de retomada do crescimento impulsionada pelas movimentações políticas e econômicas. É um setor que reage muito bem a esse tipo de cenário”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Para Valeska, a capacidade de adaptação dos grandes conglomerados ajuda a explicar a rápida reação das ações do segmento.

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“Os grandes grupos conseguem equilibrar seus resultados porque atuam em diferentes mercados. Eles investem em moda, joalheria, setor imobiliário, automotivo e experiências. Essa diversificação possibilita crescimento e expansão quando há um novo direcionamento dos investimentos globais”, explicou.

Consumo mais seletivo

Na avaliação da especialista, um ambiente econômico mais estável tende a fortalecer o consumo de luxo, mas de forma diferente do observado no passado.

“As pessoas estão comprando menos em volume, mas investindo melhor. O luxo voltou a estar associado à exclusividade e à experiência. Hoje vemos consumidores direcionando recursos para viagens, hospitalidade, joias e produtos com maior valor agregado”, disse.

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Ela destaca que grupos de luxo vêm ampliando sua atuação para além dos produtos tradicionais, investindo também em segmentos como hotelaria e mercado imobiliário.

“Existe uma busca por investimentos maiores e experiências mais completas. Mesmo com desafios locais, vemos um movimento econômico e social que favorece esse crescimento global, inclusive em mercados importantes como a China”, afirmou.

Turismo favorece vendas

Valeska avalia que a redução das tensões no Oriente Médio também pode beneficiar diretamente o turismo internacional, um dos principais motores de vendas do setor de luxo. “O Oriente Médio é um mercado emergente, mas extremamente relevante para o luxo. Com maior estabilidade política, há uma tendência de retomada das viagens, do turismo e do consumo nesses destinos”, afirmou.

Segundo ela, o comportamento do consumidor durante viagens costuma favorecer compras de maior valor.

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“É no momento de lazer que as pessoas ficam mais propensas a investir. A emoção faz parte da experiência de compra. Muitos consumidores associam viagens à aquisição de vinhos, joias, bolsas e outros artigos de luxo que funcionam como uma lembrança daquela experiência”, explicou.

A especialista observa que esse comportamento também é comum entre os brasileiros. “Mesmo com empreendimentos de alto padrão no Brasil, o consumidor brasileiro gosta de comprar produtos de luxo durante viagens internacionais. Isso faz parte da experiência que ele busca”, disse.

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Efeito do petróleo

Outro fator que pode favorecer o setor é a recente queda dos preços do petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã.

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Segundo Valeska, o impacto vai além da produção de tecidos sintéticos e beneficia toda a cadeia produtiva. “O petróleo influencia não apenas a fabricação dos fios e filamentos, mas também toda a logística global. Estamos falando de transporte marítimo, aéreo e rodoviário. Uma redução desses custos traz alívio para toda a cadeia e melhora o resultado final da indústria”, afirmou.

Ela ressalta que países relevantes para a produção têxtil, como Brasil, China e Índia, tendem a se beneficiar desse movimento. “Esse alívio nos custos pode gerar um respiro importante para toda a cadeia produtiva e, no fim, também impactar o consumidor final”, concluiu.

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