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Master Capixaba: Justiça mantém bloqueio de R$ 5 milhões de ex-presidente da Apex Partners

Publicado 17/10/2026 • 07:45 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • Recurso de Fernando Cinelli foi acolhido parcialmente, com suspensão da quebra de três anos de sigilo bancário que alcançaria 27 instituições financeiras.
  • Relator destacou que livros societários, registros contábeis, extratos das empresas e sistemas de tesouraria permanecem sob posse da Apex.
  • Mérito sobre a regularidade das operações ainda depende de produção de provas; defesa sustenta que os recursos tiveram finalidade empresarial.

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) manteve o bloqueio de até R$ 5 milhões em bens de Fernando Cinelli, fundador e ex-presidente da Apex Partners, ao considerar que há elementos documentais suficientes para preservar seu patrimônio enquanto a Justiça apura transferências milionárias feitas a partir do caixa de empresas do grupo.

Na decisão, obtida pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o desembargador Raphael Americano Câmara afirmou haver “materialização documental inequívoca” de sucessivas saídas de recursos em benefício da conta pessoal do então administrador. Segundo o relator, os documentos apresentados por Cinelli ainda não bastam, nesta fase, para comprovar a regularidade das operações perante as regras societárias.

O recurso foi acolhido apenas em parte. O TJ-ES suspendeu a quebra do sigilo bancário de Cinelli, mas manteve em vigor o bloqueio de ativos financeiros e restrições sobre veículos e imóveis.

Leia também: Master Capixaba: ex-presidente da Apex Partners pede revisão da recuperação judicial e cobra esclarecimentos sobre empresas e dívidas

Justiça vê base para preservar patrimônio

A disputa começou depois que a Apex Partners e a ABM Partnership procuraram a Justiça e relataram movimentações financeiras consideradas atípicas entre contas da empresa e Cinelli.

Segundo a decisão, as companhias apresentaram inicialmente quatro comprovantes de transferências e atribuíram às movimentações valor bruto de R$ 5,9 milhões. Depois, apontaram novas supostas inconsistências de R$ 23,2 milhões e pediram a ampliação das medidas sobre o patrimônio do ex-executivo.

O bloqueio original havia sido determinado em 18 de agosto.

Ao manter a medida, Câmara destacou que o caso de Cinelli é diferente de outros processos relacionados à crise da Apex nos quais bloqueios contra pessoas físicas foram suspensos.

Segundo o relator, neste caso há notícia de “transferências atípicas e substanciais” diretamente da tesouraria das empresas para a conta do antigo presidente, próximas ao período em que a crise financeira do grupo se agravou e o pedido de recuperação judicial foi apresentado.

O desembargador afirmou que preservar os bens é necessário até que a Justiça consiga esclarecer definitivamente a regularidade dos lançamentos.

Cinelli diz que dinheiro tinha finalidade empresarial

A defesa sustenta que as transferências questionadas tinham destinação corporativa. Entre as justificativas apresentadas estão recursos destinados a chamadas de margem e garantias de operações envolvendo ações da CVC e aportes ligados ao fundo Propósito Previdência.

Cinelli também apontou uma transferência de R$ 900 mil que, segundo sua defesa, teria ocorrido no sentido inverso, de sua conta pessoal para a ABM.

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O TJ-ES não decidiu de forma definitiva sobre essas explicações. Na avaliação do relator, verificar se as operações tinham autorização formal, finalidade empresarial e estavam de acordo com as regras internas da companhia exige produção adicional de provas.

Quebra de sigilo é suspensa

Cinelli conseguiu reverter outra parte da decisão de primeira instância. A Justiça havia autorizado acesso a três anos de seu histórico bancário, envolvendo 27 instituições financeiras, investimentos, contas e cartões.

Câmara considerou a medida excessivamente ampla e afirmou que a quebra de sigilo bancário deve ser usada apenas de forma excepcional.

O relator destacou que, depois do afastamento de Cinelli em 5 de agosto, a Apex passou a manter sob sua posse exclusiva os livros societários, registros contábeis, extratos das contas das pessoas jurídicas e sistemas eletrônicos de tesouraria.

Segundo a decisão, a própria companhia possui meios para auditar os lançamentos e identificar eventuais irregularidades antes de ser necessário acessar de forma ampla a movimentação financeira pessoal do ex-presidente.

Caso dados bancários já tenham sido enviados à Justiça, eles deverão permanecer em área sigilosa e não poderão ser utilizados como prova até o julgamento definitivo do recurso.

Leia também: Master Capixaba: justiça suspende reunião da Apex Partners que decidiria impedimento de voto do fundador

Defesa diz que mérito ainda será julgado

Em nota enviada ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Cinelli afirmou ver com naturalidade a decisão e destacou a suspensão da quebra de seu sigilo bancário.

A defesa também ressaltou que a própria Justiça reconheceu que documentos, livros societários, registros contábeis e sistemas de tesouraria permanecem sob posse exclusiva da Apex.

Segundo Cinelli, essa situação dificulta uma resposta completa aos questionamentos apresentados contra ele.

O fundador da Apex afirma ainda que a manutenção cautelar do bloqueio não representa uma conclusão definitiva sobre o caso e que o mérito dependerá da análise dos documentos e da produção de provas.

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