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O que faz a Abraicc, associação que entrou em confronto com a CVM no caso Oncoclínicas
Publicado 01/06/2026 • 14:29 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/06/2026 • 14:29 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: divulgação
O que faz a Abraicc, associação que entrou em confronto com a CVM no caso Oncoclínicas
A Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo (Abraicc) ganhou visibilidade no mercado financeiro ao liderar acionistas minoritários da Oncoclínicas em uma disputa com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A entidade passou a representar investidores que questionam a condução do processo envolvendo a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da companhia e a atuação da área técnica do regulador.
No caso, os minoritários pedem que a CVM revise integralmente a atuação da SRE/GER-1, gerência responsável pelos registros de valores mobiliários. Além disso, solicitam o afastamento da equipe técnica envolvida e defendem que um membro do colegiado da autarquia assuma a relatoria do processo.
Para a Abraicc, representada pelo Demori Claudino Advogados, a SRE/GER-1 cometeu “quebra objetiva de imparcialidade” e não reúne condições de relatar o caso. Os acionistas pedem que um membro do próprio colegiado assuma a relatoria. A informação é da coluna de Renan Setti, em O Globo.
Leia também: Minoritários da Oncoclínicas pedem afastamento de gerência da CVM em disputa sobre OPA
A Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo (Abraicc) atua na defesa de investidores e consumidores em disputas ligadas ao mercado financeiro, crédito e relações de consumo.
Segundo o engenheiro de produtos de crédito e especialista em governança corporativa, Elber Laranja, a entidade vai além de uma representação tradicional. Ela funciona como uma estrutura de coordenação jurídica entre investidores, sobretudo em casos mais complexos do mercado de capitais.
“Primeiramente, a Abraicc atua como um agente de consolidação de interesses. Em vez de investidores individuais enfrentarem grandes companhias e fundos sozinhos, ela organiza essas demandas e cria uma atuação coletiva mais estruturada”, explica Elber.
Para o especialista, o foco está na governança corporativa e na análise de operações como fusões, aquisições e ofertas públicas. “O objetivo é acompanhar se as regras do jogo estão sendo respeitadas também em relação aos minoritários, que normalmente têm menos poder de influência nesses processos”, afirma.
Ele destaca que esse modelo ganha força pela complexidade do mercado. “São estruturas técnicas, com muita informação financeira e jurídica envolvida. A associação entra como um ponto de apoio para dar mais força e organização aos investidores”, completa.
Por isso, a Abraicc concentra sua atuação em disputas que envolvem proteção de minoritários e maior transparência regulatória.
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Siga o Times | CNBCNo caso da Oncoclínicas, a entidade passou a representar investidores que contestam a interpretação da CVM sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da companhia. O grupo defende que o fundo estrangeiro Centaurus Capital deveria realizar a oferta de compra das ações em condições mais vantajosas para os minoritários.
Leia também: Oncoclínicas encerra contrato com Citi e anuncia novo formador de mercado
Segundo a associação, a área técnica da CVM teria perdido a imparcialidade ao longo da análise do processo. Por isso, os investidores defendem que o colegiado do órgão assuma diretamente a condução do caso.
Entre os principais pontos levantados, a Abraicc cita o envio de um ofício para endereço incorreto e o prazo de apenas 24 horas para resposta. Além disso, os minoritários afirmam que não tiveram acesso aos autos no momento da notificação, o que teria prejudicado a manifestação da entidade.
A disputa também avançou para outras instâncias, com apresentação de recursos e questionamentos adicionais sobre a condução do processo.
O caso ganhou maior repercussão pela diferença entre os valores envolvidos. Os minoritários defendem uma OPA da Oncoclínicas acima de R$ 16 por ação, enquanto os papéis eram negociados próximos de R$ 1,46 no período analisado.
Ainda de acordo com o especialista, esse modelo de atuação da Abraicc fortalece a capacidade de atuação da entidade em disputas complexas. “Isso cria uma arquitetura financeira mais robusta, porque permite sustentar litígios longos contra grandes corporações e até contra reguladores”, diz Elber Laranja.
Ele ressalta que esse tipo de organização já começa a alterar a dinâmica entre empresas e investidores no Brasil. “Quando uma entidade estruturada entra no processo, o nível de pressão institucional muda. O debate deixa de ser individual e passa a ter uma escala muito maior”, conclui.
Esse tipo de estrutura tende a ganhar ainda mais relevância à medida que o mercado de capitais se torna mais sofisticado. No caso da Oncoclínicas, a leitura do especialista é de que disputas como essa deixam de ser exceção e passam a exigir, cada vez mais, organização, estratégia e capacidade técnica de todos os lados envolvidos.
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