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Por que a Fitch Ratings rebaixou a Cimed? Veja os sinais de alerta
Publicado 08/04/2026 • 19:31 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 08/04/2026 • 19:31 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto Divulgação
Por que a Fitch Ratings rebaixou a Cimed Veja os sinais de alerta
A Cimed teve sua nota de crédito rebaixada pela Fitch Ratings após um ano marcado por queda no lucro, pressão nas margens e geração de caixa negativa.
O movimento ocorreu depois da divulgação dos resultados de 2025, quando a companhia combinou distribuição elevada de dividendos com aumento do endividamento, de acordo com a publicação do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Confira os 15 sinais de alerta do por que a Fitch Ratings rebaixou a Cimed:
O primeiro sinal de alerta foi a redução expressiva da rentabilidade, o lucro líquido caiu cerca de 30% em relação ao ano anterior, mesmo com crescimento da receita.
Isso indica que a empresa vendeu mais, mas teve dificuldade em transformar esse aumento em ganho efetivo. O avanço das despesas operacionais e financeiras reduziu o resultado final, mostrando perda de eficiência.
Leia também: Margens pressionadas e geração de caixa negativa fazem Fitch rebaixar nota da Cimed
A margem EBITDA recuou para 16%, abaixo do histórico recente da companhia, que girava em torno de 21%.
Essa queda revela que os custos cresceram em ritmo mais acelerado que a receita. Gastos com marketing, estrutura e expansão pesaram sobre a operação, reduzindo a capacidade de geração de lucro.
Um dos pontos mais críticos foi o caixa operacional negativo em R$ 55,5 milhões. Na prática, isso significa que a empresa não gerou dinheiro suficiente com suas atividades principais. Mesmo com lucro contábil positivo, faltou caixa real, o que é visto pelo mercado como um sinal de fragilidade financeira.
Leia também: Consultor vê sinais de alerta na Cimed e diz que conta não fecha: ‘Onde tem fumaça, tem fogo’
Outro fator relevante foi a diferença entre o lucro registrado e o dinheiro efetivamente disponível. Esse descompasso ocorreu principalmente por aumento de estoques e vendas a prazo. A empresa reconhece receita, mas ainda não recebeu esse valor, o que compromete a liquidez no curto prazo.
A Cimed distribuiu R$ 427 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio, valor mais que o dobro do lucro do período.
Esse movimento chamou atenção porque foi realizado mesmo com o caixa negativo. Isso indica uma política agressiva de remuneração aos acionistas em um momento financeiro delicado.
Leia também: Recorde de vendas da Cimed não se traduz em receita e lucro na mesma proporção
Sem recursos suficientes, a companhia recorreu a cerca de R$ 450 milhões em empréstimos, financiamentos e debêntures.
Esse tipo de operação, conhecido como leveraged dividend, aumenta o risco financeiro. A empresa passa a depender mais de capital de terceiros para sustentar decisões que não fortalecem diretamente a operação.
A dívida bruta atingiu R$ 1,8 bilhão ao final de 2025. Além do volume elevado, a qualidade da alavancagem também preocupa. Grande parte da dívida está concentrada em debêntures, o que pode pressionar o caixa com pagamentos de juros.
Os índices financeiros subiram para níveis considerados mais arriscados. A relação dívida bruta sobre EBITDA chegou a 3,7 vezes, enquanto a dívida líquida ficou em 2,8 vezes.
Esses números ultrapassam patamares vistos como confortáveis para o perfil de crédito anterior da empresa.

Os estoques cresceram de forma relevante ao longo do ano, consumindo mais de R$ 200 milhões em caixa.
Esse movimento indica capital parado. Produtos armazenados ainda não se converteram em vendas efetivas, o que reduz a liquidez e aumenta o risco de ineficiência operacional.
Leia também: Com lucro em queda e caixa negativo, Cimed pega empréstimo para pagar dividendos
Os investimentos em publicidade e marketing avançaram mais de 40%. Embora façam parte da estratégia de expansão, esses gastos pressionaram o resultado no curto prazo. O retorno desses investimentos ainda depende do desempenho futuro das marcas.
A implementação de um novo sistema de gestão gerou instabilidade temporária na operação comercial. Esse tipo de mudança pode afetar vendas, logística e faturamento, contribuindo para a queda de desempenho observada no período.
A empresa também investiu em novas frentes, incluindo parcerias e operações em segmentos diferentes. Parte dessas iniciativas ainda está em fase inicial e apresentou prejuízo, o que adiciona pressão sobre os resultados consolidados.
Com mais dívida, os gastos com juros cresceram e passaram a impactar diretamente o lucro.
Esse efeito cria um ciclo delicado. Quanto maior o endividamento, maior o custo financeiro, o que reduz ainda mais a capacidade de geração de resultados.
A antecipação dos dividendos ocorreu em meio a alterações na legislação que passaram a tributar lucros distribuídos a partir de 2026.
Embora legal, essa decisão priorizou o benefício fiscal dos acionistas no curto prazo, em detrimento de uma posição de caixa mais sólida.

A combinação de menor lucro, caixa negativo, mais dívida e distribuição elevada de recursos fragilizou a estrutura financeira.
Para a Fitch Ratings, esse conjunto de fatores elevou o risco de crédito e justificou o rebaixamento da nota.
Leia também: Cimed vende mais, lucra menos e vê pressão crescer sobre caixa e rating
No entendimento da agência, o principal desafio da Cimed agora é recuperar o equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e geração de caixa, reduzindo a dependência de endividamento e fortalecendo sua capacidade financeira nos próximos anos.
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