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Por que a Raízen ainda enfrenta dificuldade para fechar acordo com credores
Publicado 11/03/2026 • 17:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/03/2026 • 17:10 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Wikimedia Commons.
Raízen
A Raízen informou, nesta quarta-feira (11), que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial (RE) na Justiça de São Paulo. Se aprovada, o mecanismo permitirá que a empresa renegocie R$ 65 bilhões de dívidas não operacionais diretamente com os credores.
Até o momento, de acordo com o Fato Relevante, a produtora de etanol já conta com a adesão de 47% dos credores. Contudo, precisa de 50% + 1 para que a RE seja autorizada. Em geral, conforme noticiado anteriormente, alguns dos credores da Raízen são os bancos:
No entanto, um pedido RE implica em uma disputa mais ampla entre credores, acionistas e potenciais investidores interessados nos ativos da Raízen.
Isso porque o mecanismo de recuperação extrajudicial implica em uma série de medidas que reduziria o valor dos papéis da empresa e permitiria que a própria companhia escolhesse os credores com prioridade de pagamento.
Leia também: O que é recuperação extrajudicial e como funciona o processo usado pela Raízen
Além disso, a negociação tende a ser complexa porque a dívida da Raízen está distribuída entre diferentes grupos de credores, como bancos, investidores institucionais e detentores de bonds. Cada um deles pode ter interesses distintos sobre prazos, garantias e prioridade de pagamento.
Como a recuperação extrajudicial exige a adesão de mais de 50% dos credores para ser homologada pela Justiça, convencer esses diferentes grupos a aceitar as mesmas condições pode tornar o processo mais difícil.
Além dos valores em aberto com bancos, a produtora de etanol também deve para bondholders – ou seja, aqueles que detêm “bonds”, títulos de dívida emitidos pela própria Raízen. Nos últimos anos, a companhia esteve entre as grandes emissoras de títulos voltados ao investidor pessoa física no mercado de capitais.
Ademais, assim como noticiado anteriormente, esses detentores enfrentam riscos diante de uma recuperação extrajudicial. Isso porque o plano de RE prevê aumento de capital, venda de ativos e reorganização societária.
Ou seja, comprometem-se estratégias que seriam utilizadas para pagar os bondholders, como:
Na prática, essas ações comprometem o valor dos papéis atuais.
Por outro lado, caso os bondholders e bancos sejam priorizados, credores locais podem sentir negativamente o efeito dessa decisão. De acordo com Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, “os credores já não vão receber aquilo que era prometido quando compraram a dívida da empresa ou participaram das emissões”, afirma.
Consequentemente, a Raízen pode enfrentar desafios para acessar o mercado se seguir por esse caminho. Enquanto isso, os concorrentes podem se beneficiar de uma brecha no mercado para aumentar seu market share e atrair investimentos.
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