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Por Nathalia Gimenes
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Publicado 01/05/2026 • 09:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Wikimedia Commons
Prada é dona da Versace? Entenda quem controla as grandes marcas de luxo
A consolidação no mercado de luxo ganhou um novo capítulo em 2025, com a entrada da Prada nesse movimento, o que ajuda a explicar por que tantas marcas tradicionais mudaram de mãos nos últimos anos.
Com a desaceleração do setor de luxo e a pressão por resultados, grandes grupos passaram a apostar em aquisições para ganhar escala e ampliar portfólio.
Esse movimento, já consolidado entre conglomerados europeus, agora também avança na Itália, com a Prada buscando fortalecer sua posição no mercado global.
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Segundo comunicado do Prada Group, a Prada comprou 100% da Versace em 2025, em um negócio avaliado em cerca de €1,25 bilhão.
A operação recebeu aprovação regulatória e passou a colocar oficialmente a marca da Medusa sob o controle do grupo italiano, encerrando o período em que a grife estava sob propriedade da americana Capri Holdings.
Com isso, a Versace voltou ao controle italiano e passou a integrar o portfólio da Prada, que já inclui outras marcas como Miu Miu.
Além disso, segundo o The Wall Street Journal, o movimento foi visto como estratégico para reposicionar a Versace, que vinha enfrentando queda de desempenho e dificuldades para competir com conglomerados maiores.
A Prada fechou a compra da Versace por €1,5 bilhão, valor bem abaixo dos US$ 2,15 bilhões pagos pela Capri Holdings em 2018. A queda no preço reflete a turbulência nos mercados, impulsionada pelas tarifas impostas pelo governo Trump.
A marca, famosa pelo estilo barroco e pelo logotipo com a cabeça da Medusa, traz um perfil de cliente diferente do da Prada, historicamente minimalista, ampliando o alcance do grupo. O CEO Andrea Guerra reconheceu que “a jornada será longa e exigirá execução disciplinada e paciência”.
Essa é a maior aquisição da Prada desde compras frustradas no final dos anos 1990 (Helmut Lang e Jil Sander), que o próprio sócio Bertelli classificou como “erros estratégicos”.
A operação vai além de uma simples aquisição. Na prática, a Prada busca criar um “campeão italiano” capaz de disputar espaço com grupos como LVMH e Kering, que dominam o setor global de luxo.
A Versace chega ao grupo com desafios. A marca vinha com desempenho pressionado e deve passar por um processo de reestruturação, que pode impactar a rentabilidade no curto prazo.
Além disso, há um contraste claro entre as duas casas: enquanto a Prada construiu sua identidade no minimalismo sofisticado, a Versace é conhecida pelo estilo ousado e maximalista. A combinação, portanto, pode ampliar o alcance do grupo em diferentes perfis de consumidores.
“A aquisição da Versace representa um passo significativo na evolução estratégica do grupo, agregando uma marca altamente distinta e complementar ao nosso portfólio e contribuindo para nossas ambições de crescimento a longo prazo”, disse Patrizio Bertelli, presidente e diretor executivo da Prada ao WSJ.
A compra da Versace reflete um movimento de consolidação no mercado de luxo, com maior concentração de marcas sob grandes grupos globais.
Esse modelo permite ganhos de escala, maior poder de negociação e investimentos robustos em marketing, tecnologia e expansão internacional.
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Com a nova estrutura, a Versace entra em uma fase de transformação. A estratégia da Prada envolve reposicionar a marca, melhorar a distribuição e fortalecer o produto, ainda que isso leve tempo.
A Prada reportou uma receita total de €5,72 bilhões em 2025, acima dos €5,43 bilhões registrados no ano anterior e ligeiramente superior à projeção de €5,68 bilhões, segundo estimativas de analistas compiladas pela FactSet.
Ao mesmo tempo, mudanças criativas e de liderança já começaram sob a Prada, sinalizando que o grupo pretende reconstruir o valor da marca no longo prazo.
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