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Quem não aprender IA corre risco de ficar desempregado, diz Carlos Siqueira, sócio da Korn Ferry

Publicado 27/06/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Carlos Siqueira afirma que a inteligência artificial deve acelerar a mudança de remuneração por cargo para remuneração por habilidades.
  • Segundo ele, RHs ainda têm dificuldade para precificar novas funções porque os benchmarks tradicionais não acompanham a velocidade da transformação.
  • Executivo diz que diplomas podem perder valor relativo diante da necessidade de capacitação rápida em IA.

Profissionais que não aprenderem a usar inteligência artificial correm risco real de ficar desempregados. A avaliação é de Carlos Siqueira, sócio sênior da Korn Ferry, consultoria global de gestão, liderança e remuneração.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Siqueira disse que a IA deve redesenhar o mercado de trabalho em velocidade inédita e acelerar a transição de modelos baseados em cargos para estruturas mais centradas em habilidades.

“Eu acho que tem grande risco de ficar desempregado”, afirmou, ao ser questionado sobre quem não aprender inteligência artificial.

Segundo ele, empresas já observam mudanças profundas na forma como funções são avaliadas, remuneradas e reorganizadas.

“O impacto quase vai dissolver o mundo do trabalho e reordená-lo inteiro”, disse.

Fim do modelo tradicional

Siqueira afirmou que o plano tradicional de cargos e salários já vinha passando por mudanças, mas deve sofrer um impacto maior com a IA.

Segundo ele, outras ondas de transformação, como a reengenharia nos anos 1990, também levantaram discussões sobre remuneração por habilidades. A diferença agora, disse, está na velocidade e na escala da mudança.

“A realidade agora é muito maior, a velocidade é muito maior e a gente deve ver mudanças das mais radicais”, afirmou.

Para o executivo, as empresas ainda buscam entender quais áreas serão mais afetadas e como adaptar estruturas internas de remuneração.

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RH sem referência clara

Siqueira disse que os departamentos de recursos humanos acompanham o movimento, mas enfrentam dificuldade para avaliar novas habilidades porque os modelos tradicionais de comparação salarial ficaram defasados.

“Quando a velocidade é muito grande, o desafio aumenta muito, porque você não tem referência”, afirmou.

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Segundo ele, as empresas terão que criar instrumentos internos para avaliar a complexidade das novas funções e estimar remuneração a partir de cargos tradicionais comparáveis.

O executivo afirmou que a remuneração baseada em habilidades pode ampliar diferenças salariais dentro das companhias.

“A gente observou no mundo todo uma ampliação das diferenças salariais. É muito possível”, disse.

Liderança e aprendizado

A pesquisa da Korn Ferry também aponta que lideranças preparadas para IA devem ganhar mais valor no mercado.

Siqueira afirmou que o novo perfil de executivo exige agilidade para aprender, incorporar tecnologias e adaptar a organização.

“Ele tem que estar aberto a absorver o novo”, disse. “Se ele for resistente e quiser engessar as coisas ou se proteger, o risco de ficar para trás é bem maior.”

Segundo ele, empresas vivem uma urgência de requalificação para evitar que a tecnologia substitua funções antes que profissionais consigam se adaptar.

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Diploma perde peso relativo

Siqueira afirmou que o diploma pode perder valor relativo em um mercado em que o conhecimento está mais distribuído e acessível por meio da própria inteligência artificial.

“O conhecimento agora está em todo lugar. Não está mais somente numa faculdade”, disse.

Para ele, cursos e capacitação em IA tendem a ganhar importância na empregabilidade.

“Ela vai te ajudar a aprender como extrair o conhecimento do mundo, porque o mundo inteiro agora está disponível dentro da IA de maneira muito veloz”, afirmou.

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