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Relembre como Americanas escondeu R$ 40 bilhões em dívidas dos balanços
Publicado 30/06/2026 • 12:10 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 30/06/2026 • 12:10 | Atualizado há 1 hora
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Divulgação
A Americanas protagonizou um dos maiores escândalos contábeis do mercado brasileiro nos últimos anos. Passados mais de três anos da revelação do rombo de R$ 40 bilhões, vale relembrar o mecanismo que esteve no centro da fraude e que permitiu à varejista esconder parte relevante de suas dívidas dos investidores.
A operação utilizada se chama risco sacado. Nessa modalidade de crédito, uma instituição financeira compra débitos que uma empresa tem com seus fornecedores, como faturas referentes à compra de produtos. O banco antecipa o pagamento ao fornecedor, e a empresa passa então a dever diretamente à instituição financeira.
Leia também: Entenda o caso Americanas: ‘maior fraude contábil do Brasil’, segundo a PF
Segundo apurações conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Americanas usava o risco sacado de forma intensa, mas a operação não era devidamente registrada em seus balanços. Isso fazia com que prejuízos acumulados pela companhia permanecessem ocultos dos investidores e do mercado por anos.
Documentos analisados pelas investigações mostram que a varejista participava ativamente das negociações de taxas e contratos relacionados a essas operações, tanto com fornecedores quanto com instituições financeiras. Essa participação contraria a versão apresentada pela própria empresa em respostas formais às auditorias, segundo a qual a companhia não se envolvia diretamente nessas tratativas.
Pela forma como era praticado pela Americanas, o risco sacado funcionava, na prática, como uma extensão de prazo para a varejista quitar suas compras junto a fornecedores, e não como um simples pedido de antecipação de pagamento feito por eles. Isso significa que era a própria empresa quem arcava com o custo da operação.
Leia também: Executivos são alvos de buscas da PF por rombo na Americanas; bloqueio de bens pode chegar a R$ 54 bilhões
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Siga o Times | CNBCLevantamentos da CVM mostram que, durante pelo menos três anos seguidos, documentos enviados à auditoria responsável pela validação dos balanços da varejista chegaram a apresentar diferenças entre uma primeira versão e versões corrigidas posteriormente. Nas correções, valores relativos a operações de crédito a fornecedores deixavam de constar, fazendo a situação financeira da companhia parecer mais sólida do que de fato era.
Mesmo diante dessas inconsistências ao longo de anos, a auditoria emitiu pareceres sem ressalvas sobre os balanços da varejista, e o tema do risco sacado sequer apareceu entre os principais assuntos destacados nos relatórios finais de auditoria daquele período.
O rombo contábil da Americanas se tornou público em janeiro de 2023, quando a nova gestão da companhia revelou inconsistências bilionárias nos balanços, atribuídas à diretoria anterior. O caso provocou forte impacto no mercado de capitais brasileiro, levou a empresa a pedir recuperação judicial e abriu uma onda de investigações que seguem em curso até hoje.
Desde a revelação do escândalo, a CVM abriu dois inquéritos administrativos, que permanecem ativos, além de mais de duas dezenas de processos administrativos relacionados ao caso. Parte deles já foi encerrada, enquanto outros continuam em análise pela autarquia.
A Polícia Federal também deflagrou uma operação com mandados contra ex-executivos da varejista. O ex-presidente da companhia chegou a ser preso durante a ação, mas foi solto no dia seguinte. A investigação sobre o caso ainda está em andamento.
O Congresso chegou a instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a fraude contábil. Ao final dos trabalhos, no entanto, a CPI apresentou relatório sem pedir o indiciamento de nenhum envolvido.
Procurada, a Americanas afirmou que segue contribuindo com todas as investigações conduzidas pelas autoridades competentes e que aguarda o desfecho do caso para a responsabilização de todos os envolvidos.
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