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SpaceX aposta em IA e infraestrutura para processamento de dados, mas retorno pode levar anos, aponta professor

Publicado 07/08/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Além da atuação no setor espacial, Spacex passou a ser associada a investimentos em inteligência artificial.
  • Professor de tecnologia da ESPM diz que movimento faz parte de uma transformação mais ampla provocada pelo boom da IA.
  • Queda das ações trouxe dúvidas sobre as expectativas do mercado em relação aos próximos passos da Spacex.

A queda das ações da SpaceX após a divulgação do primeiro balanço desde a abertura de capital trouxe dúvidas sobre as expectativas do mercado em relação aos próximos passos da companhia. Além da atuação no setor espacial, a empresa passou a ser associada a investimentos em inteligência artificial e infraestrutura de processamento de dados.

Para o professor de tecnologia da ESPM Edney Souza, a movimentação faz parte de uma transformação mais ampla provocada pela IA, que exige investimentos em diferentes áreas da tecnologia.

“É um movimento para além da internet, um movimento da inteligência artificial, porque além de rodar nos sistemas, ela será embarcada dispositivos, na robótica e em todos os lugares”, afirmou em entrevista exclusiva ao programa Real Time.

Leia também: Ações da SpaceX despencam 12% após disparada nos investimentos em IA preocupar investidores

Três frentes de negócio

Segundo Souza, a SpaceX passou a concentrar sua estratégia em três principais áreas: lançamentos espaciais, conectividade via satélite e inteligência artificial. A primeira delas envolve os foguetes reutilizáveis, tecnologia que reduziu custos de envio de equipamentos ao espaço e abriu novas possibilidades comerciais para a empresa.

“Por ele reutilizar, ele torna muito mais barato você colocar satélites no ar ou levar qualquer outra coisa para o espaço”, explicou o professor.

A segunda frente é a Starlink, que utiliza uma rede de satélites de baixa órbita para oferecer conexão de internet. O negócio, porém, exige investimentos frequentes para expansão e manutenção da estrutura. A terceira área envolve a xAI, criada para desenvolver modelos de inteligência artificial. O setor disputa espaço com empresas como OpenAI, Anthropic e Google.

Data centers no espaço ainda são uma aposta distante

Uma das principais apostas associadas à estratégia de Musk é a possibilidade de construir data centers no espaço. A ideia é aproveitar condições diferentes das encontradas na Terra, como maior exposição à energia solar e menor necessidade de sistemas tradicionais de refrigeração. Apesar da proposta, Souza avalia que os resultados financeiros dessa iniciativa não devem aparecer rapidamente.

“Quem está comprando ação da SpaceX hoje esperando colher o resultado do data center que o Elon Musk está prometendo vai ter que esperar uns longos anos. Eu diria, no mínimo, cinco anos sendo extremamente otimista”, disse.

O professor destacou que a tecnologia pode ser promissora, mas depende da criação de uma infraestrutura ainda inexistente em escala comercial. “A ideia dele é bastante interessante, mas começar a montar esse data center, começar a ter essa infraestrutura, vai demorar um tempo”, afirmou.

A reação das ações da empresa também reflete uma mudança no comportamento dos investidores de tecnologia. Depois de um período de forte valorização de empresas ligadas à inteligência artificial, o mercado passou a cobrar maior clareza sobre retorno financeiro.

Souza afirma que existe preocupação com uma possível valorização excessiva do setor.

“O mercado americano passou por muitas bolhas ao longo dos anos. O investidor mais experiente olha para a inteligência artificial e fala: será que eu não estou muito animado em demasia com o sucesso da inteligência artificial?”, comentou.

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Para ele, a avaliação de empresas de tecnologia exige observar toda a cadeia envolvida, e não apenas as companhias mais conhecidas.

“Quando a gente fala em investir em inteligência artificial, a gente está falando em investir em energia, em chips, em data centers, em memória, em uma cadeia de empresas gigante”, explicou.

Disputa envolve empresas americanas e chinesas

Além da concorrência entre gigantes dos Estados Unidos, o setor também é influenciado pelo avanço tecnológico da China.

Segundo Souza, acompanhar o desenvolvimento chinês é um dos desafios para investidores, já que parte dessas iniciativas recebe menos exposição internacional. “A China joga esse jogo em silêncio, muito diferente do que os Estados Unidos fazem. O Elon Musk consegue um foguete que dá ré, ele coloca no X, todo mundo fica sabendo o que acontece”, afirmou.

O professor ressalta que a competição tecnológica envolve diferentes áreas, como semicondutores, energia e infraestrutura de computação.

Expansão de data centers pode pressionar preços

O aumento dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial também levanta dúvidas sobre uma possível oferta excessiva de capacidade no futuro.

Para Souza, a consequência pode ser uma disputa mais intensa por preços entre empresas que estão construindo grandes estruturas. “Em algum momento a gente vai ter um excesso de oferta de data center e vai ser pelo preço menor”, afirmou.

Ele avalia que a inteligência artificial continuará exigindo infraestrutura, mas os vencedores desse mercado ainda são difíceis de prever. “Vai precisar de mais data center? Vai. Só que eles vão ficar muito diferentes com chips fotônicos e com energia nuclear”, disse.

Novas tecnologias podem alterar modelo atual

Entre as tecnologias observadas pelo mercado estão os chips fotônicos, que usam luz para realizar processamento e podem reduzir o consumo energético em aplicações de inteligência artificial. “O chip fotônico continua gastando o mesmo volume de energia conforme aumenta a complexidade do algoritmo”, explicou Souza.

No entanto, essas soluções ainda estão em fase de desenvolvimento e representam apostas de longo prazo.

Para o professor, o momento atual exige cautela dos investidores diante da velocidade das mudanças tecnológicas. “É um jogo de muitas peças no tabuleiro ao mesmo tempo”, concluiu.

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