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TIMES | CNBC Parlatório Talks: “América Latina é o próximo passo de expansão global”, diz presidente da Arcadis
Publicado 21/09/2026 • 21:33 | Atualizado há 44 minutos
Publicado 21/09/2026 • 21:33 | Atualizado há 44 minutos
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O Brasil ainda investe menos do que seria necessário apenas para conservar sua infraestrutura atual, afirmou Karin Formigoni, presidente da Arcadis no Brasil. Segundo a executiva, enquanto referências utilizadas pela companhia indicam necessidade de investimentos anuais equivalentes a cerca de 3% do PIB, o país destina atualmente entre 2% e 2,3%.
Em entrevista nesta terça-feira (22) ao Parlatório Talks, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Formigoni afirmou que a diferença evidencia o tamanho das oportunidades, mas também dos desafios. “A gente não está conseguindo nem manter a infraestrutura que a gente ainda tem”, disse. Para ela, algumas áreas avançaram com maior velocidade, especialmente aquelas que passaram a receber participação mais intensa da iniciativa privada.
A presidente da Arcadis destacou que Brasil e América Latina ocupam posição relevante na estratégia global da companhia, principalmente pelo potencial relacionado à sustentabilidade, energia renovável, saneamento e proteção ambiental. A empresa tem cerca de 2 mil funcionários no Brasil e aproximadamente 2,5 mil profissionais na América Latina.
Entre os segmentos considerados prioritários pela companhia estão ferrovias, rodovias, portos, energia, mineração e indústria. Formigoni também apontou os data centers como uma frente de forte expansão, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial e pela necessidade crescente de infraestrutura energética.
“A América Latina é esse próximo passo de expansão global”, afirmou ao comentar o mercado de data centers. Segundo ela, energia também se tornou uma das grandes alavancas internacionais de crescimento da companhia, enquanto a mineração permanece como uma das principais âncoras dos negócios no país.
Na avaliação da executiva, o Brasil passou a receber nos últimos anos grandes investidores internacionais em infraestrutura, movimento relacionado principalmente às privatizações e concessões. Apesar disso, fatores de instabilidade e questões geopolíticas podem interferir na velocidade dessa agenda.
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Formigoni estima que atualmente entre 60% e 70% dos investimentos em infraestrutura sejam privados, considerando concessões e parcerias público-privadas. Para que esse capital continue chegando, acrescentou, é necessário oferecer segurança aos investidores.
Outro obstáculo começa a surgir na própria capacidade de execução dos projetos. “Você não tem engenheiros suficientes e nem construtoras com capacidade suficiente para a gente conseguir entregar tudo aquilo que a gente precisa entregar”, afirmou. Segundo Formigoni, durante um período, profissionais de engenharia migraram para outras áreas, enquanto agora a demanda volta a crescer.
Na logística, a presidente da Arcadis apontou a malha ferroviária como uma das principais deficiências brasileiras. Ela citou a necessidade de melhorar o escoamento da produção do Centro-Oeste em direção ao Norte, reduzindo a dependência de portos das regiões Sul e Sudeste.
O saneamento representa outro desafio. Formigoni chamou atenção para as desigualdades regionais no acesso à água tratada e para a necessidade de avançar na coleta e no tratamento de esgoto. Na avaliação dela, o fortalecimento do marco regulatório e a entrada da iniciativa privada criaram condições para acelerar investimentos no setor.
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Siga o Times | CNBCAlém da ampliação das redes, ela defendeu maior atenção à gestão e à conservação dos ativos existentes. A executiva citou projetos voltados à redução das perdas de água e afirmou que, em determinadas regiões brasileiras, essas perdas podem chegar a 70%. Em um trabalho realizado para a Sabesp, segundo ela, houve redução de 30% nas perdas.
Formigoni ressaltou que o saneamento também tem consequências diretas para as contas públicas. A ausência de coleta e tratamento adequados aumenta a ocorrência de doenças transmitidas pela água, elevando os gastos do sistema de saúde. “Além das pessoas não ficarem doentes, o que melhora a qualidade de vida, o impacto que teria na saúde pública diminuindo esses casos seria muito significativo”, afirmou.
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A Arcadis atua em Brumadinho desde o rompimento da barragem, inicialmente com coleta e monitoramento da qualidade da água e, posteriormente, no desenvolvimento do plano de reparação. Segundo Formigoni, o trabalho inclui avaliação dos impactos, medidas de mitigação e compensação, monitoramentos ambientais e iniciativas junto às comunidades.
Para a executiva, uma das principais lições da tragédia está na necessidade de antecipar e administrar riscos. “Se tinha indícios de que alguma parte da estrutura falhava, que precisava de um reparo, isso deveria ter sido levado às últimas consequências”, afirmou. Ela relacionou essa experiência aos desafios atuais provocados pelas mudanças climáticas e à necessidade de identificar vulnerabilidades antes que eventos extremos ocorram.
A inteligência artificial pode ampliar essa capacidade, segundo Formigoni. Com dados organizados, modelos digitais e simulações, empresas conseguem projetar os efeitos de secas, chuvas extremas e outras ocorrências sobre uma infraestrutura. Gêmeos digitais também permitem acompanhar remotamente o comportamento de determinados ativos durante sua operação.
Apesar dos avanços tecnológicos, ela ressaltou que a análise humana continua indispensável. “Nada substitui a inteligência humana no final do dia também”, afirmou.
Na mineração, Formigoni defendeu que a atividade precisa avançar simultaneamente em descarbonização, proteção da biodiversidade e legado social. Segundo ela, a transição energética aumenta a própria necessidade de minerais, tornando fundamental desenvolver operações capazes de reduzir e compensar impactos ambientais.
A executiva citou eletrificação de frotas, hidrogênio verde e projetos voltados à produção de menor emissão como exemplos dessa transformação. Também destacou a importância de preparar municípios dependentes da mineração para novas atividades econômicas depois do encerramento das minas, evitando que o fim da exploração provoque um vazio econômico.
Para Formigoni, a sustentabilidade deixou de ser apenas um componente adicional dos projetos. “Os projetos têm que nascer de maneira sustentável, as infraestruturas têm que ser resilientes”, afirmou. Além de reduzir riscos diante de eventos climáticos, medidas relacionadas à eficiência hídrica, energia renovável e economia circular podem diminuir custos e elevar a competitividade das empresas.
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