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Por André Amadeus
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Publicado 08/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: SpaceX
Além da SpaceX: conheça a ação espacial que pode ganhar força em 2026
A abertura de capital da SpaceX, prevista para este mês, colocou o setor espacial novamente no radar dos investidores globais.
Embora a empresa de Elon Musk concentre grande parte das atenções, outras companhias ligadas à economia espacial também buscam espaço no mercado financeiro, de acordo com o The Wall Street Journal.
Entre elas, a Rocket Lab desponta como uma das candidatas a ganhar relevância em 2026, impulsionada pela expansão de suas operações, pelo avanço de contratos militares e pela crescente demanda por lançamentos orbitais.
Fundada na Nova Zelândia e atualmente sediada na Califórnia, a Rocket Lab se consolidou como uma das poucas empresas privadas do mundo capazes de colocar cargas em órbita de forma recorrente. Em cerca de duas décadas de atividade, a companhia realizou 88 lançamentos de foguetes de pequeno porte, registrando apenas quatro falhas.
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A empresa atua principalmente no transporte de satélites para órbita baixa da Terra, segmento que ganhou importância nos últimos anos com a expansão das telecomunicações, observação terrestre e projetos ligados à defesa.
Agora, a Rocket Lab busca avançar para um novo patamar. A companhia planeja iniciar ainda este ano as operações do foguete Neutron, um veículo de porte médio capaz de transportar cargas significativamente maiores do que os modelos atualmente utilizados pela empresa.
O lançamento do Neutron é considerado um dos projetos mais importantes da história da companhia. Com capacidade para transportar até 13 toneladas métricas, o novo foguete permitirá à Rocket Lab disputar contratos que atualmente estão concentrados em empresas de maior porte.
Além da capacidade ampliada, o projeto busca melhorar a competitividade nos custos de lançamento. Embora ainda não alcance os valores praticados pelos foguetes mais eficientes da SpaceX, o Neutron deverá posicionar a Rocket Lab em uma faixa de preço considerada atraente para diversos clientes comerciais e governamentais.
Leia também: Tudo que sabemos sobre o maior IPO da história; SpaceX, uma empresa de I.A. com máscara de fogueteira
A estratégia também pode abrir espaço para contratos ligados a grandes constelações de satélites e futuras demandas da indústria espacial.
Uma das áreas que mais impulsionam o crescimento da Rocket Lab é o setor militar. A empresa vem aproveitando a experiência adquirida com lançamentos de menor porte para atender missões que exigem rapidez e maior flexibilidade operacional.
Essa característica tem despertado interesse das Forças Armadas dos Estados Unidos, que buscam alternativas para colocar equipamentos em órbita em prazos reduzidos.
Leia também: SpaceX quer lançar data centers em órbita; entenda o que seria necessário para isso acontecer
Em março, a companhia conquistou um contrato de US$ 190 milhões junto ao Pentágono para apoiar testes relacionados a tecnologias hipersônicas. Paralelamente, participa de iniciativas ligadas ao projeto Golden Dome, sistema de defesa antimísseis baseado em recursos espaciais.
Os números recentes ajudam a explicar o interesse crescente dos investidores. A receita da Rocket Lab ultrapassou US$ 600 milhões no último ano, representando crescimento de 38% em relação ao período anterior.
A empresa também informou possuir mais de 70 lançamentos contratados, além de uma carteira de pedidos avaliada em aproximadamente US$ 2,2 bilhões ao final do primeiro trimestre.
A expectativa é que esse volume continue aumentando diante do avanço da militarização do espaço e do surgimento de novos projetos comerciais ligados à infraestrutura orbital.
Entre as apostas de longo prazo da companhia está um mercado que ainda dá seus primeiros passos: os data centers em órbita.
Executivos da Rocket Lab avaliam que o avanço da inteligência artificial poderá elevar significativamente a necessidade de processamento de dados no espaço.
Caso esse cenário se concretize, a empresa pretende ampliar sua atuação para além dos lançamentos, construindo e operando estruturas próprias em órbita.
A iniciativa faz parte de uma estratégia de integração vertical, na qual a companhia busca participar de diferentes etapas da cadeia espacial.
Apesar do potencial de expansão, a Rocket Lab enfrenta um ambiente competitivo cada vez mais disputado.
A própria SpaceX domina boa parte do mercado por meio do serviço Starlink, enquanto a Amazon avança com sua constelação de satélites para oferta de internet global.
Outras empresas listadas em bolsa também tentam conquistar espaço. É o caso da Intuitive Machines, voltada para missões lunares, além das operadoras de satélites AST SpaceMobile, Viasat e Iridium.
Essas companhias apostam no crescimento da demanda por conectividade espacial, comunicação direta com celulares e serviços voltados à Internet das Coisas.
As ações da Rocket Lab acumulam forte valorização em 2026, refletindo a expectativa do mercado sobre o crescimento futuro da companhia.
Embora a avaliação atual já incorpore boa parte desse otimismo, analistas observam que a empresa possui uma vantagem importante em relação aos gigantes do setor.
Por partir de uma base de receita menor, a Rocket Lab tem mais espaço para apresentar taxas elevadas de crescimento nos próximos anos. Isso pode facilitar a entrega dos resultados esperados pelos investidores.
O desempenho do novo foguete Neutron e a expansão dos contratos governamentais devem ser fatores decisivos para determinar se a companhia conseguirá transformar esse potencial em resultados concretos nos próximos anos.
Leia também: IPO da Cerebras anima mercado de tecnologia, mas SpaceX e OpenAI deixam todo o resto na sombra
Com a SpaceX atraindo os holofotes do mercado financeiro, a Rocket Lab surge como uma das empresas mais observadas por quem busca exposição ao setor espacial sem depender exclusivamente da gigante fundada por Elon Musk.
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