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SpaceX quer lançar data centers em órbita; entenda o que seria necessário para isso acontecer
Publicado 08/05/2026 • 13:00 | Atualizado há 5 dias
Publicado 08/05/2026 • 13:00 | Atualizado há 5 dias
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Foto: divulgação/SpaceX
SpaceX quer lançar data centers em órbita; entenda o que seria necessário para isso acontecer
A SpaceX apresentou, no fim de janeiro, um pedido à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos para colocar em órbita uma constelação de satélites voltada ao processamento de inteligência artificial.
A proposta prevê estruturas alimentadas por energia solar funcionando no espaço para reduzir custos energéticos e diminuir a pressão ambiental causada pelos grandes data centers instalados em terra.
O projeto faz parte da estratégia de expansão da empresa de Elon Musk na corrida global da inteligência artificial.
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A meta da companhia é usar satélites para processar dados diretamente em órbita, aproveitando a energia solar praticamente constante fora da atmosfera terrestre.
Hoje, os data centers são considerados a espinha dorsal da IA. Eles armazenam informações, treinam modelos e executam bilhões de operações por segundo.
O problema é que essas estruturas consomem grandes quantidades de eletricidade e água para resfriamento, o que tem provocado críticas em diferentes países.
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No documento enviado às autoridades americanas, a empresa fala em uma constelação que poderia chegar a até 1 milhão de satélites, sendo improvável que esse número seja atingido.
Atualmente, existem cerca de 15 mil satélites ativos orbitando a Terra. A rede Starlink, também da SpaceX, responde por aproximadamente 9.500 deles.
A empresa já havia solicitado autorização para até 42 mil satélites antes da expansão do serviço de internet via satélite.
O plano depende diretamente do desenvolvimento do Starship, foguete reutilizável que promete reduzir drasticamente os custos de lançamento.
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A SpaceX acredita que a combinação de lançamentos frequentes e estruturas reaproveitáveis pode tornar viável a criação de centros de processamento de dados fora do planeta.
De acordo com o estudo realizado pelo MIT Technology Review, embora o espaço seja associado ao frio extremo, manter computadores funcionando fora da Terra não é simples.
Data centers produzem enormes quantidades de calor e, no vácuo espacial, não existe circulação de ar para dissipar essa energia, como acontece em solo terrestre.
No espaço, o resfriamento depende principalmente de radiação térmica, um processo menos eficiente. Isso significa que os satélites precisariam de grandes estruturas externas capazes de liberar calor continuamente.
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Especialistas afirmam que um data center espacial operando em órbita iluminada permanentemente pelo Sol poderia enfrentar temperaturas acima de 80 °C. Esse nível é considerado perigoso para chips e componentes eletrônicos no longo prazo.
Empresas do setor aeroespacial estudam sistemas de bombeamento de fluido refrigerante conectados a grandes radiadores externos.
O objetivo seria transportar o calor gerado pelos servidores para painéis capazes de dissipar energia térmica no espaço.
Outro obstáculo importante envolve a radiação espacial. Fora da proteção natural da atmosfera terrestre, satélites ficam expostos constantemente a partículas solares e raios cósmicos.
Esse ambiente pode causar falhas em chips, perda de dados e danos permanentes em componentes eletrônicos.
Sistemas tradicionais usados em missões espaciais costumam passar por anos de testes e recebem proteção especial contra radiação, o que aumenta os custos.
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Empresas de tecnologia acreditam que chips modernos podem se tornar mais resistentes com blindagem adicional e sistemas de correção de erros.
Ainda assim, especialistas alertam que não basta proteger apenas os processadores. Memórias, unidades de armazenamento e sistemas de comunicação também precisam suportar esse ambiente hostil.
Além disso, futuros data centers em órbita teriam de contar com redundância e capacidade de reconfiguração caso algum equipamento falhe.
A proposta também levanta preocupações sobre o aumento do tráfego espacial. Atualmente, satélites já realizam centenas de milhares de manobras para evitar colisões em órbita.
Quanto maior o número de equipamentos lançados, maior o risco de acidentes que possam gerar fragmentos perigosos circulando ao redor da Terra.
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Uma rede com centenas de milhares de satélites exigiria sistemas altamente coordenados de comunicação e desvio automático.
Outro ponto envolve a substituição constante de equipamentos. Como a tecnologia evolui rapidamente, satélites precisariam ser atualizados regularmente. Isso aumentaria o número de lançamentos e de reentradas na atmosfera terrestre.
Pesquisadores ainda estudam os possíveis impactos ambientais provocados pela queima desses materiais durante a reentrada.
Mesmo com foguetes maiores e mais baratos, um data center espacial de grande porte dificilmente caberia em um único lançamento.
A solução mais provável seria montar estruturas diretamente em órbita usando robôs especializados. O problema é que essa tecnologia ainda está em estágio inicial de desenvolvimento.
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Empresas aeroespaciais já realizaram testes experimentais em terra, mas sistemas capazes de construir estruturas gigantes no espaço ainda não operam comercialmente.
Por isso, especialistas acreditam que os primeiros projetos devem ser menores e voltados ao processamento de imagens de satélites ainda em órbita. Isso reduziria o volume de dados enviados para a Terra e ajudaria empresas de monitoramento espacial.
Além da SpaceX, outras empresas também estudam formas de levar computação avançada ao espaço. O setor acredita que a demanda crescente por inteligência artificial exigirá novas fontes de energia e infraestrutura.
Nos bastidores da indústria, cresce a avaliação de que parte da computação pesada poderá migrar gradualmente para órbita nas próximas décadas.
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Ainda assim, engenheiros e pesquisadores afirmam que transformar o espaço em uma grande rede de data centers dependerá de avanços tecnológicos que ainda não existem em escala comercial.
Por enquanto, o projeto da SpaceX representa mais uma aposta de longo prazo na disputa global pela liderança da inteligência artificial.
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