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Brasil busca soberania em IA com supercomputadores, mas ainda depende do exterior, afirma CEO da aiiaLabs
Publicado 24/08/2026 • 18:16 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 18:16 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os investimentos brasileiros em supercomputadores e capacidade de processamento de inteligência artificial podem ampliar a soberania tecnológica do país, mas ainda não serão suficientes para garantir autossuficiência, avaliou Daniele Andrade, fundadora e CEO da aiiaLabs. Em entrevista nesta segunda-feira (24) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ela afirmou que a estratégia pode elevar a capacidade nacional de pesquisa e desenvolvimento e, ao mesmo tempo, reduzir a vulnerabilidade decorrente da dependência de um único fornecedor estrangeiro.
“É diferente buscar soberania de buscar autossuficiência. Então, o Brasil busca a soberania, mas ainda não vamos alcançar a autossuficiência”, afirmou Daniele.
A executiva relacionou o avanço da infraestrutura ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), elaborado em 2024. Segundo ela, o edital divulgado na semana passada para um novo supercomputador representa uma das primeiras manifestações concretas e visíveis dessa estratégia.
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Daniele explicou que o plano brasileiro está estruturado em cinco eixos, começando justamente pela infraestrutura necessária para sustentar o avanço da inteligência artificial.
“O primeiro, a gente está falando de infraestrutura, que é o computador, que é o supercomputador. A gente está falando também de um pacote que olha data center, enfim, todas as articulações de capacidade computacional”, explicou.
Os outros pilares envolvem formação de pessoas, utilização da inteligência artificial pelo governo, impactos sobre a economia brasileira e governança. A discussão, segundo Daniele, não significa necessariamente que o Brasil esteja tentando disputar diretamente a liderança tecnológica com Estados Unidos e China.
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“Será que a gente compete com os Estados Unidos, compete com a China? Talvez a agenda maior dessa história não seja necessariamente que o Brasil está competindo com esses grandes players mundiais”, ponderou.
O país, porém, pode avançar significativamente em capacidade computacional. Segundo a executiva, o Brasil já possui uma máquina entre os 500 maiores supercomputadores do mundo e a implementação do novo projeto poderia melhorar substancialmente essa posição.
“Imagine você se hoje a gente tem implementado nosso plano com o supercomputador: nós iríamos para esse ranking ter talvez a quinta ou a sexta maior máquina global para processar inteligência artificial”, afirmou.
Para Daniele, aumentar a capacidade de processamento é essencial para que o país consiga extrair mais benefícios econômicos e tecnológicos da IA. Atualmente, avaliou, o Brasil ocupa principalmente uma posição de consumidor de tecnologia.
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“A gente precisa avançar em pesquisa, a gente precisa ter os nossos avanços tecnológicos, porque hoje o Brasil está num patamar de consumo”, afirmou.
A executiva citou a infraestrutura instalada no Ceará, incluindo os 16 cabos submarinos no Nordeste, e mudanças regulatórias que ampliaram a capacidade brasileira de movimentação de dados. Ainda assim, avaliou que essas estruturas não garantem por si só independência intelectual.
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Siga o Times | CNBC“Essas tecnologias ou esses avanços não trazem para o Brasil uma soberania de capacidade intelectual”, disse Daniele.
A criação de infraestrutura própria de processamento, portanto, teria uma função adicional: permitir que conhecimento e tecnologias sejam desenvolvidos dentro do país. “A gente está falando de desenvolver máquina para que a gente possa fazer o quê? Processamento e desenvolver propriedade intelectual no Brasil”, destacou.
Daniele explicou que uma das estruturas ficará em Macaíba, na região da Grande Natal, no Rio Grande do Norte, enquanto haverá também a evolução da máquina instalada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Os dois centros tecnológicos permanecem ligados ao Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
O supercomputador Santos Dumont, localizado em Petrópolis, tem como uma de suas principais funções apoiar a pesquisa científica e as universidades federais. “A máquina do Santos Dumont, que até então é o nosso supercomputador, favorece pesquisa, linhas de pesquisa, apoia todas as universidades federais”, explicou.
A nova estrutura no Rio Grande do Norte, por sua vez, deve ampliar o alcance da infraestrutura para além do ambiente acadêmico. “Essa máquina que passa a operar no Rio Grande do Norte atinge toda a camada comercial do Brasil também”, afirmou.
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Segundo Daniele, o cronograma discutido para a nova estrutura aponta para 2027, e o edital para sua construção acaba de ser lançado.
A opção por estruturas associadas a tecnologias chinesas e americanas pode funcionar como uma forma de diversificação para o Brasil. Daniele afirmou que a evolução da máquina instalada em Petrópolis recebe recursos chineses, envolvendo dois fornecedores do país asiático.
Já o projeto do Rio Grande do Norte deve permanecer mais conectado ao ecossistema tecnológico dos Estados Unidos. “Tudo bem que as placas poderão ser compradas da Nvidia, da AMD ou da Intel, mas a gente fica no circuito americano”, explicou.
Para a executiva, essa combinação pode ser importante justamente porque soberania tecnológica não significa eliminar todas as relações com fornecedores internacionais, mas ter alternativas disponíveis em situações de instabilidade.
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“Eu acho interessante ter essas opções. Soberania é sobre isso, é sobre você criar condições para poder escolher caso haja uma eventual crise”, afirmou.
Nesse cenário, o Brasil poderia contar com dois grandes polos tecnológicos internacionais para sustentar sua infraestrutura. “Você tem dois players atendendo o Brasil”, concluiu Daniele.
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