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Tech Check: Brasil precisa transformar ciência em negócios globais, diz Helena Levorato, CEO da Sociedade Brasileira de Inovação
Publicado 29/10/2026 • 21:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 29/10/2026 • 21:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Brasil reúne conhecimento científico e capacidade de desenvolver soluções tecnológicas, mas ainda precisa superar a falta de capital, a burocracia e a distância entre universidades e empresas para transformar pesquisas em negócios competitivos no exterior. A avaliação é de Helena Levorato, CEO e cofundadora da Sociedade Brasileira de Inovação.
Em entrevista nesta quinta-feira (29) ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a executiva afirmou que o desafio central não é apenas criar tecnologia, mas fazer com que as soluções brasileiras ganhem escala e alcancem outros mercados. “O nosso desafio maior é como que a gente vai tornar todo esse conhecimento, pegar todos esses recursos e toda essa aprendizagem para realmente aprender a escalar esses negócios”, disse.
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Segundo Helena, o país dispõe de vantagens em biotecnologia, tecnologia agrícola e biodiversidade, além de um mercado interno amplo para testar produtos. Ela citou a posição brasileira de 53º lugar no ranking global de inovação e segundo na América Latina e defendeu aproveitar a experiência nacional na solução de problemas complexos. “A gente consegue levar isso aí pro mundo todo”, afirmou.
Para a executiva, o acesso a financiamento é o principal gargalo do setor, acompanhado da necessidade de formar profissionais e reduzir entraves burocráticos. Ela também considera tardia a decisão de muitas empresas de buscar clientes fora do Brasil. “Muitas vezes essa empresa vai pensar em internacionalização quando ela tem 10 anos, 20 anos de atuação”, observou.
Helena defendeu que a estratégia internacional seja considerada desde a criação do negócio, inclusive no planejamento de captação de recursos, pesquisa, testes e validação. “Você começa a construir já olhando pro mercado global”, disse, ao destacar que a maturidade da empresa determina sua capacidade de desenvolver tecnologia própria e expandir operações.
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Outro obstáculo está na transformação de pesquisa acadêmica em produtos comercializáveis. “Hoje a universidade, por exemplo, ela não tem ainda uma estrutura que dê esse suporte para que essa solução saia dali, se torne um produto”, afirmou. Para Helena, é necessário fortalecer o empreendedorismo dentro das instituições de ensino e conectar pesquisadores ao mercado.
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Siga o Times | CNBCApesar da capacidade científica brasileira, Helena apontou uma dependência de infraestrutura tecnológica estrangeira, especialmente de semicondutores, chips, processadores e computadores de alto desempenho. “Tudo isso ainda precisa muito, a gente ainda depende muito dessa tecnologia lá fora”, afirmou.
Diante desse cenário, a executiva defendeu concentrar esforços em aplicações que aproveitem competências já consolidadas, como as voltadas ao agronegócio, às finanças e à biotecnologia. A combinação entre ciência e necessidades do mercado, segundo ela, pode permitir avanços mais rápidos do que tentar desenvolver internamente toda a infraestrutura de base.
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O tamanho do mercado brasileiro também favorece a validação de tecnologias antes da internacionalização. Helena afirmou que uma empresa pode testar, aprimorar e ampliar o faturamento de uma solução no próprio país antes de levá-la a outros mercados. “A complexidade é sempre um ativo importante pra inovação”, avaliou.
Helena ressaltou que inovação não se resume a tecnologias inéditas ou grandes investimentos. Mudanças em processos, serviços e experiências do consumidor também podem representar avanços relevantes. “A inovação parte de um princípio que é resolver problemas complexos com soluções que vão atender uma demanda real”, explicou.
A CEO afirmou que simplificar operações, melhorar o atendimento e adaptar soluções existentes são formas de inovar acessíveis a diferentes tipos de negócio. “A inovação, na realidade, ela está em todo momento nas decisões que a gente toma no dia a dia dentro de uma empresa”, disse.
Na avaliação dela, ampliar o acesso ao conhecimento é parte do trabalho da Sociedade Brasileira de Inovação. “Como que a gente democratiza esse acesso à inovação? Porque ele tá mais perto da gente, a inovação está mais próxima do que a gente percebe normalmente”, concluiu.
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