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Inteligência artificial sai da fase de testes e entra na geração de valor nas empresas, diz sócio da EY Davi Dias
Publicado 04/08/2026 • 22:36 | Atualizado há 7 dias
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Publicado 04/08/2026 • 22:36 | Atualizado há 7 dias
KEY POINTS
A inteligência artificial deixou de ser tratada pelas empresas apenas como um ambiente de testes e começa a entrar em uma fase de investimentos estruturados, com foco direto em geração de valor. É o que afirmou Davi Dias, sócio e líder de inteligência artificial da EY, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Os dados fazem parte do CEO Outlook Survey, elaborado pela EY-Parthenon em colaboração com a FT Longitude, divisão de pesquisas do Financial Times Group.
Dias afirmou que 72% dos CEOs brasileiros aumentaram os investimentos em IA em 2026, enquanto os outros 28% mantiveram o nível de aportes. Nenhum dos executivos consultados indicou redução.
“A gente passou dos anos praticamente numa feira de ciência dentro das empresas, muita experimentação, muito MVP. Agora, não. A gente está vendo realmente investimentos de uma forma estruturada”, afirmou Dias.
Segundo ele, a principal mudança está na forma como as companhias passaram a tratar a tecnologia.
“Saiu da fase do ‘talvez’ para uma fase intencional: gerar valor com inteligência artificial, não de forma acidental, mas de forma intencional”, disse.
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A redução de despesas e os ganhos de produtividade continuam entre os principais objetivos dos investimentos. O levantamento, porém, aponta avanço da IA em áreas ligadas à qualidade dos produtos e serviços e à reformulação dos próprios modelos de negócio.
“O mais bacana é a melhoria da qualidade das entregas e a redefinição de negócio, o que a gente não via há dois anos”, afirmou Dias.
Segundo o executivo, a transformação provocada pela tecnologia tende a ser mais profunda do que uma simples melhoria incremental de processos.
“A transformação que a inteligência artificial está trazendo não é incremental. Ela realmente é disruptiva”, disse.
As aplicações também deixaram de ficar concentradas em poucas áreas. Atendimento ao cliente, estratégia, cadeia de suprimentos, recursos humanos, vendas e marketing aparecem entre as frentes que já utilizam a tecnologia.
De acordo com Dias, 38% das empresas pesquisadas já relatam retornos claros sobre seus investimentos em inteligência artificial.
“A possibilidade de transformar uma organização com inteligência artificial é absolutamente transversal. Você vê todas as áreas tendo retorno sobre o investimento”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCPara Dias, a expansão dos investimentos também expõe um dos principais desafios das empresas: preparar profissionais para utilizar a tecnologia de forma capaz de produzir resultados.
O executivo diferenciou o simples uso de ferramentas de IA da capacidade de incorporá-las efetivamente aos processos de negócio.
“Existe um gap entre usar IA e gerar valor com IA. E você só gera valor se entender como gerar valor com a inteligência artificial”, disse.
Na avaliação dele, programas estruturados de capacitação são uma condição para que os investimentos realizados pelas empresas sejam convertidos em produtividade, qualidade e retorno financeiro.
“Letramento ou treinamento é absolutamente condição sine qua non para que aqueles números apareçam”, afirmou.
Dias também rejeitou a ideia de que o objetivo central da tecnologia seja simplesmente substituir trabalhadores.
“A ideia da inteligência artificial nunca foi, e não vai ser durante muito tempo, substituir o humano, e sim empoderar o humano”, disse.
Leia também: Entrelinhas de Mercado: “Cada pessoa terá seu próprio agente de IA”, diz Luiz Tonisi, CEO da Qualcomm
Depois de uma primeira onda marcada pela contratação de ferramentas e experimentação, Dias avalia que as empresas brasileiras começam a estruturar melhor suas estratégias.
Segundo ele, fatores como governança, segurança, uso responsável, infraestrutura tecnológica e definição clara do retorno esperado ganharam importância nas decisões de investimento.
“As empresas estão entendendo que inteligência artificial não se resumia apenas a contratar uma ferramenta para todo mundo e colocar todo mundo para usar”, afirmou.
Para o executivo, a definição de um business case passa a ser fundamental para separar iniciativas experimentais de projetos capazes de gerar resultados concretos.
“A gente está muito próximo de uma virada e de um salto exponencial nos próximos anos. A gente esperava que isso acontecesse em 2025, está acontecendo em 2026 essa estruturação”, disse.
Na avaliação de Dias, essa mudança pode representar um divisor de águas para a velocidade com que a inteligência artificial transforma as empresas brasileiras.
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