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QUANTUM: Cidades inteligentes precisam de políticos sensíveis e novo modelo de gestão, diz Walter Longo

Publicado 16/10/2026 • 20:43 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Walter Longo defende que cidades inteligentes usem dados para atender cidadãos de forma individualizada, e não como uma massa.
  • Apresentador propõe trocar punições por incentivos e rever horários de trabalho para reduzir os congestionamentos urbanos.
  • No QUANTUM, Longo afirma que a gestão pública precisa acompanhar a velocidade e a personalização já presentes na vida cotidiana.

Mais do que investir em sensores e tecnologia, uma cidade inteligente precisa de gestores capazes de compreender as necessidades individuais da população, afirmou Walter Longo no programa QUANTUM, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, apresentado com Viviane Brafmann. Para ele, a inteligência artificial e a análise de dados permitem substituir decisões voltadas à média dos habitantes por serviços e comunicações ajustados a cada cidadão.

“Mais do que cidades inteligentes, que tá todo mundo querendo transformar a sua, nós precisamos de políticos inteligentes”, afirmou Longo. Segundo ele, os smartphones e as redes sociais deram aos moradores mais condições de cobrar e dialogar com os governantes, mas o administrador público não deve confundir a opinião mais ruidosa com a melhor solução coletiva.

O apresentador defendeu o uso de big data para distinguir necessidades de pessoas que vivem no mesmo bairro. Como exemplo, citou a inauguração de uma ponte: a obra pode representar valorização imobiliária para um aposentado, segurança no caminho da escola para uma família e redução do deslocamento para um trabalhador. “Então, hoje nós vamos trocar a política das massas pela política dos cidadãos”, disse.

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Incentivos no lugar de multas

Na gestão da mobilidade, Longo propôs uma mudança de lógica: em vez de concentrar esforços em multas e proibições, prefeituras poderiam recompensar comportamentos que reduzam a pressão sobre a infraestrutura. Uma das hipóteses apresentadas foi oferecer desconto no IPTU a quem more perto do trabalho, incentivando a distribuição dos deslocamentos pela cidade.

“Temos que punir quem faz as coisas erradas. Tem que passar a pensar, temos que premiar quem faz as coisas certas”, afirmou, ao contrastar os dois modelos. Ele também sugeriu, como exercício, usar benefícios tarifários para incentivar caminhões a circular fora dos horários de pico. As propostas foram apresentadas como alternativas para discussão, não como políticas já implementadas.

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Para Longo, a personalização já se tornou rotina em serviços privados, nos quais consumidores escolhem horários, produtos e conteúdos. A administração pública, porém, ainda exige esperas prolongadas e oferece respostas padronizadas. Essa diferença, avaliou, aumenta a frustração dos cidadãos e pode estimular a procura por atalhos.

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Rodízio de vidas e revisão dos horários

Outro eixo da discussão foi a concentração dos horários de entrada e saída do trabalho, herança que Longo associou à Revolução Industrial. Ele sugeriu que atividades econômicas adotem jornadas em faixas diferentes, distribuindo a demanda por ruas, transporte, comércio e serviços. “Não faz mais sentido a gente ficar preocupado com rodízio de carros, quando a gente podia criar rodízio de vidas”, afirmou.

Entre os exemplos hipotéticos, citou escritórios de contabilidade funcionando mais cedo, agências de publicidade começando mais tarde e férias escolares distribuídas em meses diferentes. Para o apresentador, rever essas convenções pode produzir cidades que sejam não apenas habitáveis, mas também mais agradáveis para seus moradores.

Longo encerrou defendendo que a cidade seja compreendida como um organismo, e não apenas como uma máquina. Na metáfora, problemas de mobilidade, violência e poluição exigem equilíbrio entre diferentes partes, com participação ativa dos moradores. “Os paradigmas são para serem revisados, não necessariamente quebrados”, ponderou, ao ressaltar que algumas práticas podem continuar adequadas após uma avaliação crítica.

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