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Infraestrutura antiga freia avanço da digitalização no Brasil, diz executivo da Axis

Publicado 29/05/2026 • 12:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Modernização tecnológica é apontada como condição necessária para ampliar mobilidade, segurança, conectividade e eficiência operacional nas cidades.
  • Segundo a Axis Communications, o desafio atual não está apenas na coleta de dados, mas na capacidade de transformá-los em ações práticas.
  • Executivo avalia que Brasil reúne condições favoráveis para expansão de data centers, mas ainda enfrenta desafios regulatórios e de infraestrutura.

A modernização da infraestrutura tecnológica será decisiva para que o Brasil consiga aproveitar plenamente os avanços em inteligência artificial, automação e economia de dados, afirmou Luis Ceciliato, gerente Nacional Brasil da Axis Communications.

Em entrevista nesta sexta-feira (29) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo avaliou que boa parte da infraestrutura utilizada atualmente no país foi concebida décadas atrás, o que limita ganhos de eficiência e dificulta a adoção de novas tecnologias em larga escala.

“O grande desafio não é só conectar, porque a gente tem uma geração atual extremamente conectada, porém, o que eu faço com esses dados e com essas informações?”, questionou.

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Segundo Ceciliato, a conectividade deve ser encarada como um meio para viabilizar melhorias concretas na vida da população e na operação das empresas. “A gente precisa conectar para trazer mais eficiência operacional, para eu ter, por exemplo, uma mobilidade urbana mais adequada, para fazer com que as pessoas saibam de forma preventiva que uma área pode ter um alagamento”, exemplificou.

Para ele, o desafio passa não apenas pela transmissão das informações, mas pela capacidade de transformá-las em ações e serviços mais eficientes.

Bases antigas

Ao analisar a realidade brasileira, o executivo destacou que diversos setores ainda operam sobre estruturas antigas, incompatíveis com as exigências da economia digital. “Eu tenho uma malha nova, mas eu tenho uma malha da década de 60 e 70. Isso faz com que eu não consiga colocar mais velocidade no transporte das pessoas por uma questão de segurança”, afirmou ao citar o setor de mobilidade urbana.

Segundo ele, a atualização dessas estruturas passa pela incorporação de sensores e sistemas capazes de fornecer informações em tempo real. Como exemplo, mencionou a gestão inteligente de semáforos e cruzamentos urbanos. “Se eu tenho a tecnologia me trazendo os dados com essa visibilidade, eu poderia colocar mais fluidez para o cidadão”, observou.

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Para Ceciliato, a necessidade de modernização tende a se tornar ainda mais urgente diante do crescimento da população urbana. “Nos próximos cinco anos, a gente vai triplicar a quantidade de pessoas vivendo nas cidades”, afirmou. Nesse contexto, ele defendeu o uso da tecnologia para melhorar áreas como mobilidade, saúde pública e segurança.

Dados e integração

O executivo também ressaltou que a inteligência artificial, por si só, não resolve problemas de eficiência operacional. Segundo ele, o principal desafio está em integrar dados e processos dentro das organizações.

A inteligência artificial está disponível, mas ela só vai me trazer o dado mais refinado. Eu preciso, de fato, entender quais são os pontos que eu tenho de gargalo”, afirmou. Na avaliação dele, muitas empresas ainda tratam projetos tecnológicos de forma isolada, sem integrar as áreas impactadas pelas mudanças. “Muitas vezes eu desenvolvo uma tecnologia, só que as três ou quatro áreas que são impactadas por isso não fazem ideia do que eu estou implementando”, acrescentou.

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Ao comentar iniciativas de cidades inteligentes, o executivo citou o programa Smart Sampa como exemplo dos desafios de gestão de dados em larga escala. “Como eu faço o gerenciamento de 50 mil dispositivos? Como eu garanto a privacidade adequada para todo mundo que passa por essa solução?”, questionou. Segundo ele, projetos desse porte exigem governança robusta e atenção especial à proteção das informações coletadas.

Potencial para data centers

Na avaliação de Ceciliato, o Brasil possui vantagens competitivas importantes para se consolidar como um polo regional de data centers. Entre elas, destacou a matriz energética e a disponibilidade de espaço físico para novos empreendimentos.

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Dos principais países desse polo de conexão, o Brasil é o segundo país com a malha energética sustentável do mundo”, afirmou. Segundo ele, cerca de 89% da energia produzida no país é proveniente de fontes sustentáveis, característica que tem peso crescente nas decisões de investimento das empresas do setor.

Além disso, o executivo ressaltou que o país dispõe de áreas adequadas para a construção de novas estruturas de processamento e armazenamento de dados. Para ele, o principal desafio atualmente está relacionado ao ambiente tributário e regulatório. “Dentro do Senado Federal tem um projeto de lei para aprovar o REDATA, que basicamente é um incentivo adicional para você trazer esses equipamentos para fazer todo esse processamento de inteligência artificial”, explicou.

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Segurança estratégica

Outro tema destacado pelo executivo foi a crescente importância da cibersegurança dentro das organizações. Segundo ele, a proteção digital deixou de ser uma preocupação exclusiva dos departamentos de tecnologia e passou a ocupar posição estratégica nos negócios.

Os dois dispositivos que hoje sofrem mais ataques são impressoras e TVs smart”, afirmou. Para Ceciliato, esse cenário evidencia o nível de vulnerabilidade existente tanto em ambientes corporativos quanto residenciais. “O quão vulnerável a gente está para ter um tipo de ataque ou as nossas informações vazarem e serem usadas para uma parte não tão positiva”, alertou.

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Apesar dos avanços, ele considera que ainda existe um desafio importante de integração entre as áreas responsáveis pela segurança digital e as demais áreas de negócio. “Eu não posso ter um departamento só de cibersegurança, mas que não conecte com o meu negócio”, afirmou. Segundo ele, a governança precisa envolver toda a organização para evitar impactos operacionais decorrentes de ataques ou interrupções de sistemas.

Planos para o Brasil

Ao comentar a estratégia da Axis Communications para o mercado brasileiro, Ceciliato afirmou que a companhia vê espaço para crescimento além do segmento tradicional de segurança.

Nos próximos cinco anos, a nossa perspectiva é dobrar o nosso faturamento, porque a gente vê que tem muita possibilidade não só com o tema relacionado à segurança, mas sim trazendo eficiência operacional para as empresas”, declarou.

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Segundo ele, a empresa atua no desenvolvimento de soluções voltadas à captura e transmissão de dados para apoiar processos de gestão e tomada de decisão. “A gente desenvolve soluções que são capturadores de dados. Eu pego através da conectividade, transporto essas informações e entrego para as empresas trabalharem com essa governança e trazerem mais eficiência para elas”, concluiu.

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