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EXCLUSIVO CNBC: Cisco vê IA impulsionar novo ciclo de crescimento, diz CEO

Publicado 13/08/2026 • 21:45 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • A Cisco teve ano e trimestre recordes e superou a projeção de crescimento dos analistas, segundo o CEO Chuck Robbins.
  • Silicon One coloca a companhia entre as empresas capazes de fornecer redes para treinamento e inferência de inteligência artificial.
  • Pedidos cresceram mais de 30% em telecomunicações e avançaram também nos segmentos corporativo e público no trimestre.

A Cisco está nos estágios iniciais de diferentes ciclos de crescimento, impulsionados pela inteligência artificial, pelos hiperescaladores e pela expansão da demanda de empresas e operadoras de telecomunicações, segundo Chuck Robbins, CEO da companhia. Em entrevista à CNBC, o executivo defendeu os resultados da gigante de tecnologia, destacou o desempenho recorde e afirmou que todas as áreas do negócio contam atualmente com ventos favoráveis.

As ações da Cisco caem forte em Wall Street, mesmo após a companhia superar as expectativas e projetar resultados acima do previsto. Robbins evitou avaliar diretamente a reação dos papéis. “Não vou comentar sobre o que está acontecendo com as ações. Veremos como as coisas se desenrolam nas próximas semanas, que é quando importa”, afirmou o executivo, antes de ressaltar o desempenho alcançado pela empresa. “Estou orgulhoso da equipe. Tivemos um ano recorde. Trimestre recorde”, acrescentou.

Resultados acima das expectativas

O CEO chamou atenção para a diferença entre as projeções dos analistas e o crescimento efetivamente entregue pela Cisco. “Os analistas projetavam um crescimento de 9%. Achei curioso que esperassem apenas 9%. Entregamos 15% e eles perguntaram por que fomos tão conservadores”, relatou Robbins, ao defender os números apresentados pela companhia.

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Apesar do desempenho acima do esperado, o executivo explicou que a Cisco prefere adotar alguma cautela no começo do novo exercício. “Nesta época do ano estamos iniciando um novo ano fiscal. Operamos em mercados fantásticos”, destacou, acrescentando que esse também é um momento para “começar o ano sendo um pouco prudentes” diante dos desafios que ainda precisam ser enfrentados.

A avaliação sobre as perspectivas da companhia, entretanto, permanece positiva. “Se você pensar em todas as áreas do nosso negócio que você acabou de listar, todas elas têm ventos favoráveis agora”, ressaltou Robbins. O CEO acrescentou que a Cisco está “super otimista e satisfeita” com sua posição atual.

Silicon One fortalece posição em IA

O desenvolvimento de chips próprios é um dos principais componentes da estratégia da Cisco para capturar o aumento dos investimentos em inteligência artificial. Robbins destacou especialmente o Silicon One, resultado de uma decisão tomada há cerca de dez anos para desenvolver tecnologia própria.

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“Se não tivéssemos nosso silício, pois projetamos o nosso, somos efetivamente uma das três empresas que podem fornecer a camada de rede para esses grandes exercícios de treinamento de IA”, explicou o CEO, ressaltando que a oportunidade também deverá avançar conforme os clientes ampliarem o uso dos modelos. Segundo ele, a Cisco poderá fornecer “a rede que nossos clientes precisarão à medida que avançam na inferência”.

A estratégia também incluiu aquisições no segmento de tecnologias ópticas. “Tomamos uma decisão sobre algumas aquisições estratégicas em óptica”, lembrou Robbins, ao citar o desempenho da Acacia. “A Acacia teve outro trimestre de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) em óptica coerente”, destacou.

Para o executivo, a combinação entre chips próprios, sistemas de rede e tecnologias ópticas tornou-se uma vantagem competitiva diante do crescimento da infraestrutura necessária para a inteligência artificial.

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Cisco garante capacidade de produção

Robbins também destacou a relação direta mantida pela Cisco com a TSMC e afirmou que a companhia já definiu sua capacidade dedicada para atender às necessidades previstas para o ano.

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“A estratégia que adotamos de projetar nosso próprio silício, de construir sistemas, manter um relacionamento direto com a TSMC e ter nossa capacidade dedicada já definida para o ano” permite à Cisco enfrentar o aumento da demanda, explicou o executivo. Segundo ele, “já temos os componentes, nosso silício e tudo alinhado para entregar a tecnologia para o número do ano que projetamos”.

A estrutura também oferece margem para atender uma procura superior às projeções atuais. Robbins afirmou que a companhia está preparada “para ganhos adicionais, caso precisemos”, reforçando que os componentes necessários já estão alinhados com a estratégia para o período.

O CEO relacionou essa preparação ao desempenho financeiro da companhia. “Acho que o principal é o modelo de negócios que estamos operando agora, com margens operacionais no nível mais alto que talvez já tenhamos visto no quarto trimestre”, observou Robbins, destacando também as perspectivas para as margens e para o lucro por ação.

Na avaliação do executivo, os resultados validam as escolhas feitas pela empresa. “As decisões de modelo de negócios que tomamos, os negócios que conquistamos dos hiperescaladores e o crescimento que observamos são decisões prudentes”, avaliou.

Crescimento vai além dos hiperescaladores

Questionado por Jim Cramer sobre a possibilidade de a Cisco estar sendo beneficiada simultaneamente por diferentes ciclos de investimentos, Robbins indicou que o movimento pode ter continuidade. Para o CEO, “estamos nos estágios iniciais de tudo”, com crescimento aparecendo entre hiperescaladores, operadoras de telecomunicações, empresas e clientes do setor público.

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O desempenho junto aos maiores clientes de tecnologia é um dos destaques. “A ironia é que nosso negócio de hiperescaladores com todos os quatro grandes cresceu em dígitos triplos”, ressaltou Robbins, ao indicar que a expansão não está limitada a uma base específica do negócio.

As operadoras de telecomunicações também participam desse movimento. “Você tem um negócio de telecomunicações que as pessoas não achavam que realmente participaria de todo esse ciclo”, afirmou o executivo, acrescentando que “nossos pedidos cresceram mais de 30% no trimestre”.

O avanço também aparece em outras categorias de clientes. “O corporativo subiu 21%, o público 30%”, enumerou Robbins. Regionalmente, os números apresentados pelo executivo apontaram crescimento de 44% nas Américas, 25% na Europa e 19% na Ásia, reforçando a avaliação de que os atuais vetores de expansão da Cisco estão distribuídos por diferentes áreas do negócio.

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