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Google fez da nuvem seu negócio mais lucrativo na corrida bilionária pela inteligência artificial
Publicado 23/07/2026 • 07:36 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 23/07/2026 • 07:36 | Atualizado há 2 semanas
Imagem gerada por inteligência artificial
Data center iluminado em tons de âmbar, referência visual à infraestrutura de nuvem que sustenta o crescimento da Alphabet
Nas últimas semanas, o mercado financeiro andou obcecado em descobrir qual seria o refúgio seguro da corrida da inteligência artificial. A Nvidia chegou a perder o posto de empresa mais valiosa do mundo para a Apple, que subiu de posição justamente por ter feito pouco, e colunistas de Wall Street passaram a tratar o silêncio de Cupertino como sinal de prudência num setor em que todo mundo aposta bilhões sem saber quando a mesa vai fechar.
No meio dessa festa de especulação sobre fabricantes de chip, uma empresa que raramente vira manchete nesse tipo de conversa decidiu lembrar a todos que existe outro jeito de lucrar com a inteligência artificial, e não é só vendendo hardware, mas também com a boa velha nuvem e alugando o computador inteiro.
Na na noite do dia 22 de julho, a Alphabet divulgou seu balanço do segundo trimestre e a linha que chamou atenção não foi a receita total de US$ 119,8 bilhões, embora ela tenha superado a previsão dos analistas. Foi o Google Cloud, que faturou US$ 24,8 bilhões, um salto de 82% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para efeito de comparação, no primeiro trimestre o crescimento tinha sido de 63%, e no último trimestre de 2025, de 48%. A curva de crescimento está só acelerando.
O lucro operacional da divisão de nuvem saltou de US$ 2,8 bilhões para US$ 8,8 bilhões em um ano, e a carteira de contratos represados chegou a US$ 514 bilhões, segundo o próprio Sundar Pichai informou aos investidores na teleconferência de resultados.
Quase 90% das empresas da lista Fortune 100 já usam o Gemini Enterprise, e os modelos da casa processam 22 bilhões de tokens por minuto, um número que só faz sentido quando lembramos que o aplicativo Gemini já soma 950 milhões de usuários mensais. A Alphabet também citou o "Ask YouTube", ferramenta que deixa o espectador perguntar sobre o conteúdo de um vídeo usando o Gemini, com mais de 140 milhões de usuários só em junho.
🔍 Backlog, ou carteira de contratos represados, é o valor total de contratos já assinados com clientes que ainda serão executados e faturados nos próximos anos. Funciona como um termômetro de demanda futura, mostrando quanto trabalho a empresa já garantiu, mesmo que o dinheiro ainda não tenha entrado no caixa.
Aqui mora o detalhe mais irônico do resultado. O lucro líquido disponível a acionistas ordinários da Alphabet saltou 298% na comparação anual, para US$ 112,1 bilhões, e boa parte desse salto veio de um ganho contábil de US$ 99 bilhões com participações acionárias da empresa, entre elas a fatia que a Alphabet mantém na Anthropic.
Ou seja, a mesma companhia que compete diretamente com o Google Cloud pelo bolso das empresas que querem rodar modelos de linguagem também está, por tabela, engordando o balanço da Alphabet. Rival no produto, sócia minoritária no lucro. Se existe uma imagem perfeita para descrever como as fronteiras entre concorrentes andam borradas nesta indústria, é essa.
Leia também: Anthropic fez a Amazon vencer uma corrida que já tinham dado como perdida
Nem tudo foram aplausos depois do balanço. As ações da Alphabet recuam 4,15% no pré-market desta quinta-feira (23) - o texto desta coluna está sendo escrito às 7h23 da manhã - com os investidores digerindo a previsão de aumento do Capex - investimento - em infraestrutura para até US$ 205 bilhões neste ano, além dos cerca de US$ 44,9 bilhões só no segundo trimestre.
É o mesmo padrão que se repete em toda essa indústria desde que a corrida começou: por maior que seja o número de receita, o mercado sempre pergunta se o próximo cheque será grande demais para o retorno acompanhar. A Alphabet respondeu que sim, vai gastar mais, porque a demanda por infraestrutura de inteligência artificial segue maior do que a capacidade instalada.
O resultado da Alphabet nesta semana serve como um lembrete incômodo para quem só olha para fabricantes de chip ao tentar entender quem está ganhando dinheiro de verdade com a inteligência artificial. A Nvidia vende a pá. A Alphabet aluga a mina inteira, com engenheiro, eletricidade e conta de manutenção incluídos, e cobra por hora de uso. Nas duas pontas dessa corrida, o apostador que sempre lucra é quem monta a mesa, não necessariamente quem fabrica as fichas.
Falei bastante sobre isso no texto Nvidia leva todo o lucro da corrida por I.A. enquanto o resto acumula trilhão em prejuízo; veja gráfico com resultados.
Estou bastante curioso pra ver o balanço da Amazon e a participação da AWS, que serão divulgados no dia 30 de julho.
Leia outras colunas em AI-451.
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