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A I.A está tornando os alunos menos preparados?
Publicado 04/08/2026 • 13:14 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 04/08/2026 • 13:14 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
A I.A está tornando os alunos menos preparados?
O uso da inteligência artificial nas escolas (I.A) cresce rapidamente, mas um novo estudo sugere que essa praticidade pode comprometer a aprendizagem.
Embora a tecnologia ajude estudantes a concluir tarefas de casa com mais rapidez e melhores notas, pesquisadores identificaram uma queda significativa no desempenho em provas e exames de longo prazo.
Segundo a Fortune, a pesquisa, publicada pelo Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR) e conduzida por pesquisadores da Universidade de Estocolmo e da Universidade de Hong Kong, analisou 26.811 estudantes chineses do sétimo ao décimo segundo ano. O objetivo foi medir os impactos do uso da I.A generativa no processo de aprendizagem.
Os resultados mostram um contraste importante. As notas das tarefas de casa aumentaram, em média, 18%, enquanto o tempo necessário para concluí-las caiu 30%. No entanto, após seis meses, as notas das provas mensais recuaram 20%. Já nos exames de admissão à universidade, as taxas de aprovação diminuíram entre 18% e 24%, com o pior desempenho registrado após dois anos.
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Segundo os pesquisadores, o problema apareceu principalmente entre estudantes que passaram a “terceirizar” a lição de casa, deixando a I.A produzir as respostas em vez de utilizá-la como ferramenta de apoio. Cerca de 80% dos casos de baixo desempenho nos testes estavam concentrados nesse perfil.
Para os autores, a tecnologia não substitui o processo de aprendizagem. “Concluir essas tarefas com eficiência não é o objetivo; o importante é aprender com elas”, afirmam no estudo.
Eles também alertam que a rápida adoção da I.A generativa na educação pode provocar impactos negativos duradouros sobre o aprendizado.
A pesquisa reforça um debate que acompanha a popularização dessas ferramentas. Nos Estados Unidos, um levantamento do College Board mostra que 84% dos estudantes do ensino médio já utilizam inteligência artificial para realizar tarefas escolares.
Ao mesmo tempo, aumentam os relatos de uso inadequado da tecnologia. Em entrevista à Fortune, o professor associado de Direito da Saúde da Western University, Jacob Shelley, afirmou ter identificado resultados considerados anormais em uma prova final. Segundo ele, alguns alunos obtiveram notas muito altas nas questões objetivas, mas entregaram respostas dissertativas com conteúdos que sequer faziam parte da disciplina.
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Siga o Times | CNBCApesar disso, Shelley diz compreender por que muitos estudantes recorrem à I.A. O receio de perder espaço para a automação influencia esse comportamento.
Dados da plataforma Monster mostram que quase 90% dos universitários que se formarão em 2026 temem que a inteligência artificial substitua vagas de entrada no mercado de trabalho.
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Para o neurocientista Jared Cooney Horvath, os resultados não são uma surpresa. Ele afirma que outras tecnologias educacionais produziram efeitos semelhantes ao longo da história.
Horvath lembra que, ainda em 1924, o psicólogo Sidney Pressey criou uma “máquina de ensinar” capaz de automatizar exercícios.
Décadas depois, B. F. Skinner desenvolveu uma versão mais sofisticada. Em ambos os casos, os estudantes aprendiam a utilizar o equipamento, mas não conseguiam aplicar o conhecimento fora dele, o que levou os próprios pesquisadores a abandonarem os projetos.
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Na avaliação de Horvath, a I.A pode repetir esse padrão quando substitui o esforço necessário para desenvolver habilidades. Embora reconheça benefícios, como adaptar conteúdos ao nível de cada estudante, ele afirma que a tecnologia não oferece o processo de reflexão e prática indispensável para consolidar o aprendizado.
Por isso, o estudo conclui que o principal desafio das escolas não é apenas definir quando permitir o uso da I.A, mas encontrar formas de incorporá-la sem substituir o processo de aprendizagem e o desenvolvimento do pensamento crítico.
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