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EXCLUSIVO: Universidades apostam em IA para formar brasileiros e “errar menos” no futuro
Publicado 08/02/2026 • 12:00 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 08/02/2026 • 12:00 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
A capacidade técnico-científica das universidades brasileiras de ponta pode fazer com que o Brasil “erre menos” ao promover, em ambiente acadêmico, a integração da Inteligência Artificial à formação profissional do estudante universitário. A avaliação é do professor Luiz Cláudio Costa, ex-secretário executivo do MEC e ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas). Para ele, o preocupante não é o fato de a IA aportar tarde ao universo acadêmico brasileiro, e sim chegar sem mediação institucional.
Costa explica que se as universidades resistirem e não se adaptarem à IA, o aprendizado com base no fenômeno acaba sendo assumido pelo próprio estudante – e isso pode ter consequências negativas. “Ele vai aprender sozinho, de uma forma fragmentada, mas pode ser sem reflexão ética, sem orientação crítica. E isso, evidentemente, fragiliza muito o aprendizado e reduz o papel da universidade como espaço de pensamento”, avalia.
“E é uma ilusão perigosa achar que o Brasil não tem mais tempo (de incluir a IA no dia a dia das universidades) – ele tem, na verdade, é menos margem de erro”, complementa Costa, que fundou o primeiro curso de graduação em Inteligência Artificial no Brasil, em 2018, e é autor de dois livros sobre a IA e sua relação com a ética e a humanidade.
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O professor explica que, em 2018, era o momento de se formatar cursos sobre o tema. “Hoje não é mais o momento de criar. O que nós temos que ver agora é como vamos trabalhar o nosso currículo, como adaptar isso ao estudante; que capacidades humanas precisam ser fortalecidas quando as máquinas já sabem responder, escrever, programar, diagnosticar.”
Para Luiz Cláudio Costa, por outro lado, o Brasil ainda está engatinhando em adaptar o ambiente acadêmico ao fenômeno da IA e precisa acelerar essa transição, “com tranquilidade e competência, integrando a IA de uma forma crítica, transversal, humanamente orientada”.
“E no nosso país isso é ainda mais crítico, porque se as universidades não assumirem rapidamente um papel ativo, formando profissionais capazes de trabalhar com IA e não competir contra ela, nós corremos o risco de ampliar a desigualdade, formar gerações altamente qualificadas, mas para um mercado que já mudou, para uma sociedade que já mudou”, pontua.
O professor reforça que o desafio, atualmente, é ressignificar a atuação da universidade frente ao fenômeno da IA. “Não está em jogo a função da universidade, nem o valor do professor, mas sim a revisão da arquitetura de aprendizagem”, afirma. “A universidade tem que liderar a formação de pessoas, as ideias de transformação. Tenho confiança que o Brasil pode fazer isso de forma muito bem-feita, pela competência das suas instituições”, diz.
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Para o especialista, adaptando o fenômeno da IA ao ambiente acadêmico, o desafio passa a ser formar jovens que tenham não somente domínio técnico, mas que pensem criticamente sobre a tecnologia. “É necessário que eles compreendam os impactos sociais disso, usando a IA como amplificadora da inteligência humana, não como substituta do julgamento, da ética e da criatividade”, finaliza.
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