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Professores brasileiros lideram uso de inteligência artificial na educação
Publicado 06/10/2025 • 22:51 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 06/10/2025 • 22:51 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
José Cruz/Agência Brasil
Mais da metade dos professores brasileiros já utiliza ferramentas de inteligência artificial (IA) em sua rotina pedagógica. Segundo dados da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, divulgada nesta segunda-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 56% dos docentes no Brasil afirmam empregar IA para preparar aulas, planejar atividades e aprimorar métodos de ensino — percentual bem acima da média dos países da OCDE, de 36%.
O levantamento, que compara práticas educacionais em 53 países, foi conduzido com professores e diretores dos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano.
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Entre os brasileiros que utilizam a tecnologia, 77% dizem usar IA para criar planos de aula ou atividades, 64% para ajustar automaticamente o nível de dificuldade dos conteúdos conforme o desempenho dos alunos, e 63% para aprender ou resumir temas com mais eficiência.
As aplicações menos frequentes incluem o uso de IA para analisar dados de participação e desempenho (42%), gerar textos de feedback ou comunicação com pais e responsáveis (39%) e corrigir trabalhos dos alunos (36%).
Apesar do avanço, a OCDE ressalta que os impactos da inteligência artificial na educação ainda são incertos. Segundo o relatório, o uso de IA no ensino é estudado há mais de 40 anos, mas o lançamento do ChatGPT, em 2022, acelerou sua incorporação no cotidiano escolar e levantou novas questões sobre como e em que medida a tecnologia deve ser aplicada em sala de aula.
O uso de IA na educação varia amplamente entre os países pesquisados. Singapura e Emirados Árabes Unidos lideram a adoção, com cerca de 75% dos professores afirmando usar as ferramentas. Já França e Japão registram taxas abaixo de 20%. O Brasil ocupa a 10ª posição entre as nações analisadas.

A pesquisa também aponta que os professores brasileiros reconhecem a necessidade de capacitação para o uso de tecnologia, especialmente da IA, no processo de ensino.
As principais áreas em que buscam formação são: educação de alunos com necessidades especiais (48%), uso de inteligência artificial para ensino e aprendizagem (39%) e trabalho em ambientes multiculturais ou multilíngues (37%).
Entre os docentes que ainda não utilizam IA, 64% afirmam não ter o conhecimento ou as habilidades necessárias, um percentual menor que a média da OCDE (75%). Além disso, 60% dizem que a falta de infraestrutura tecnológica nas escolas impede o uso — índice superior ao observado nos países da organização (37%).
A Talis mostra que a pandemia de covid-19 impulsionou o ensino híbrido e online em vários sistemas educacionais, e parte dessas práticas foi mantida. No Brasil, 17% dos professores trabalham em escolas que ofereceram aulas híbridas ou virtuais no último mês, levemente acima da média da OCDE (16%).
O estudo destaca ainda que o uso de ferramentas digitais em sala de aula divide opiniões. A maioria dos docentes — 85% em média — acredita que a tecnologia aumenta o interesse dos alunos pela aprendizagem. No entanto, menos de metade dos professores da Áustria, França, Finlândia e Suécia consideram que as ferramentas digitais melhoram o desempenho acadêmico.
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Seguir no GoogleNa direção oposta, mais de 95% dos professores na Albânia, Arábia Saudita e Vietnã avaliam positivamente o impacto da tecnologia no aprendizado.
Esta é a quarta edição da Pesquisa Talis, realizada no Brasil entre junho e julho de 2024 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com as secretarias de Educação dos 27 estados.
Os resultados reforçam a posição do país como um dos líderes globais na adoção de IA na educação, ao mesmo tempo em que evidenciam os desafios estruturais e de formação docente necessários para que a tecnologia se consolide como ferramenta de aprendizado efetiva.
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