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Expansão da Intel no setor de fabricação de chips enfrenta teste crítico após queda de 45% das ações em outubro

Publicado 02/11/2026 • 17:54 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A queda de 29% nas ações da Intel na sexta-feira fez com que o papel acumulasse uma desvalorização de 45% em outubro, seu pior mês da história, segundo a FactSet.
  • A Intel prevê que o mercado global de CPUs para servidores crescerá cinco vezes, atingindo US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos, mas a desaceleração do mercado de PCs está prejudicando a receita dos modelos tradicionais.
  • A Intel está redirecionando parte da capacidade de produção de chips 18A em suas fábricas no Oregon para fabricar chips Intel 3 para seus processadores de servidor.
Intel volta aos holofotes: o que impulsionou a valorização?

Foto: Unsplash

Após registrar sua maior queda diária nas ações desde a década de 1970, em meio à piora das perspectivas para o mercado de computadores pessoais (PCs), a Intel enfrenta uma pressão crescente para tirar do papel seu negócio de fabricação de semicondutores para terceiros, conhecido como foundry.

Essa tem sido uma tarefa difícil para a companhia. Há cinco anos, a Intel investe recursos e uma parcela significativa dos US$ 108 bilhões em despesas de capital acumuladas no período para tentar desafiar a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Apesar disso, a empresa ainda não conquistou nenhum cliente de grande porte para seus chips mais avançados e continua fabricando principalmente semicondutores destinados aos próprios produtos.

A paciência de Wall Street está diminuindo. Depois que o governo dos Estados Unidos adquiriu uma participação de 10% na Intel, em agosto de 2025, e a Nvidia anunciou um investimento de US$ 5 bilhões, as ações da companhia iniciaram uma forte valorização. Os papéis chegaram a subir seis vezes em dez meses, antes de atingirem o pico em junho.

A Intel parecia finalmente encontrar seu espaço no avanço da inteligência artificial (IA), com o fornecimento de processadores centrais utilizados em aplicações de IA agêntica. Ao mesmo tempo, crescia o otimismo em relação aos planos da empresa de expandir sua capacidade de fabricação de chips para terceiros.

A trajetória da companhia mudou drasticamente na quinta-feira, quando informou que sua receita no trimestre atual deverá ficar entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões abaixo das estimativas dos analistas. O desempenho mais fraco está relacionado à desaceleração do mercado de PCs, pressionado pela disparada dos custos de memória e de outros componentes. A Intel ainda depende desse segmento para aproximadamente metade de sua receita, enquanto consumidores adiam a troca de computadores.

As ações despencaram 29% na sexta-feira, registrando o pior pregão desde a década de 1970. A queda encerrou um mês de outubro em que os papéis perderam 45%, o pior desempenho mensal já registrado, segundo dados da FactSet. Na sessão desta segunda-feira, as ações recuaram mais 8%.

Os investimentos da Intel em novas tecnologias deveriam começar a gerar retornos. O CEO Lip-Bu Tan afirmou que prevê uma expansão de até cinco vezes do mercado global de processadores para servidores nos próximos cinco anos, chegando a aproximadamente US$ 200 bilhões.

No terceiro trimestre, a divisão de data centers da Intel registrou crescimento de 78% na comparação anual, alcançando US$ 7,3 bilhões.

A empresa, porém, afirmou que não consegue fabricar chips em quantidade suficiente para atender à demanda. A justificativa envolve restrições de oferta em toda a indústria, incluindo wafers, substratos e componentes de memória, fatores que também prejudicam as vendas de computadores.

A limitação de capacidade está obrigando Tan a tomar decisões difíceis. Para aumentar a produção, a Intel informou que está redirecionando parte da capacidade de sua fábrica no Oregon, antes destinada à fabricação de wafers para os chips avançados 18A, para produzir mais unidades utilizando uma tecnologia anterior, chamada Intel 3, empregada em seus produtos para data centers.

A tecnologia 18A é uma das principais apostas da Intel para atrair clientes externos ao negócio de fabricação de semicondutores. Por isso, a transferência de recursos pode dificultar essa estratégia.

David Yoffie, professor da Harvard Business School e ex-integrante do conselho da Intel por quase três décadas, afirmou que as medidas recentes não são favoráveis à conquista de novos clientes.

“Os potenciais clientes estão preocupados com a possibilidade de a Intel não ter capacidade excedente além daquela necessária para atender à própria demanda. Nesse cenário, a empresa não seria uma fornecedora suficientemente confiável”, afirmou.

Segundo Yoffie, caso a Intel não conquiste um cliente de grande porte para sua operação de fabricação de chips no prazo de um ano, as pressões sobre a situação financeira da companhia deverão ficar ainda mais evidentes.

A Intel não respondeu a um pedido de comentário.

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A empresa é mais conhecida por seus processadores centrais, conhecidos como CPUs. No início do ciclo de expansão da inteligência artificial, as unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia e da Advanced Micro Devices (AMD) dominaram o mercado por sua capacidade de executar grandes cargas de trabalho no treinamento de modelos e na inferência de sistemas de IA, como os chatbots.

Já os processadores da Intel são fundamentais para operar máquinas virtuais utilizadas por aplicações de IA agêntica, como o Muse, da Meta.

Concorrente ou parceira?

Por ser uma das poucas empresas do mundo capazes de fabricar e empacotar os chips avançados necessários para seus próprios produtos, a Intel tem “mais controle sobre seu próprio destino” do que a maioria das fabricantes de semicondutores, afirmou Jordan Klein, analista da Mizuho Securities.

“Se você não tem capacidade de produção suficiente, deixa receita e dinheiro sobre a mesa”, disse Klein.

O ex-CEO da Intel Pat Gelsinger, afastado do cargo no fim de 2024, dedicou seus quatro anos à frente da companhia a investimentos agressivos no negócio de fabricação de chips para terceiros. A estratégia buscava recuperar o atraso tecnológico provocado por dificuldades no desenvolvimento dos processos de 7 e 10 nanômetros, tecnologias avançadas que permitem acomodar mais transistores em cada chip.

Tan adotou uma abordagem mais cautelosa, limitando os investimentos até que exista demanda confirmada por parte dos clientes. Na quinta-feira, afirmou que espera anunciar “alguns clientes” nos próximos dois trimestres.

Os chips 18A da Intel, destinados ao uso próprio da companhia, já estão em produção em larga escala no Arizona, onde uma segunda fábrica também está em desenvolvimento.

Em Ohio, a empresa acaba de instalar a primeira estrutura de treliça de sua nova unidade industrial. O projeto, porém, está quase cinco anos atrasado em relação ao cronograma original.

Outro obstáculo para conquistar clientes, segundo Yoffie, é a possibilidade de fabricantes como Broadcom e Qualcomm hesitarem em produzir seus semicondutores em uma empresa que também concorre com elas no desenvolvimento e na comercialização de produtos.

“A solução correta seria separar o negócio de fabricação de chips da Intel em uma empresa independente. Não é apenas a melhor solução, talvez seja a única”, afirmou Yoffie.

Klein avalia que a AMD provavelmente é a única grande fabricante de semicondutores que não teria interesse em contratar os serviços da Intel, já que as duas empresas competem diretamente no mercado de CPUs. Para ele, a questão envolve concorrência, sigilo e privacidade.

A AMD divulga seus resultados do terceiro trimestre após o fechamento do mercado nesta terça-feira.

Yoffie também destacou a importância estratégica da Intel para os Estados Unidos e para a indústria americana de semicondutores.

“Em última análise, a TSMC só consegue estabelecer talvez de 20% a 25% de sua capacidade global nos Estados Unidos, e isso ainda levará vários anos. Se não tivermos uma fabricante americana de chips e enfrentarmos problemas geopolíticos ou interrupções nas cadeias de suprimentos, como aconteceu durante a Covid, isso será ruim para o país e para a indústria americana de semicondutores”, afirmou.

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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