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Em semana de decisão do Copom, Lula terá encontro com Lara Resende, um dos pais do Real e crítico dos juros altos
Publicado 01/11/2026 • 19:19 | Atualizado há 14 minutos
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Publicado 01/11/2026 • 19:19 | Atualizado há 14 minutos
KEY POINTS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nesta semana, em Brasília, com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real e crítico da atual política de juros do Banco Central.
A reunião ocorre em um momento em que Lara Resende voltou a defender publicamente uma mudança profunda na condução da política monetária brasileira. A informação sobre o encontro foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Em artigo publicado em setembro, intitulado “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, o economista sustenta que o patamar elevado da taxa básica de juros contribui diretamente para a deterioração das contas públicas.
“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”, escreveu.
Leia também: Novo governo Lula terá ‘problemas sérios’ sem ajuste fiscal de até 4% do PIB, diz economista Carlos Braga
Lara Resende propõe que o Banco Central anuncie uma trajetória gradual de redução da Selic para cerca de 7,5% ao ano ao longo de aproximadamente 12 meses. Hoje, a taxa básica está em 13,75% ao ano.
Pela proposta do economista, seria criado um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para estabelecer metas coordenadas de política fiscal e monetária para períodos de quatro a cinco anos.
Após uma fase de transição, a Selic deveria permanecer, em condições normais, dentro de uma faixa entre a meta de inflação, atualmente de 3%, e o crescimento nominal potencial da economia, que Lara Resende estima em cerca de 5,5% ao ano.
O patamar de 7,5% proposto inicialmente incluiria uma margem temporária de segurança de dois pontos percentuais sobre esse teto, que seria gradualmente retirada.
Lara Resende argumenta que uma redução do custo médio da dívida de perto de 13% para 7,5% poderia gerar, após incorporada à estrutura do endividamento público, uma economia próxima de quatro pontos percentuais do PIB por ano.
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Siga o Times | CNBCA tese ganhou espaço justamente em um momento em que o mercado cobra do governo sinais sobre a política fiscal e sobre a condução econômica do novo mandato de Lula.
Lara Resende argumenta que o debate costuma atribuir ao gasto primário uma responsabilidade excessiva pela trajetória da dívida, enquanto subestima o impacto das despesas financeiras.
Ele também reconhece riscos em uma redução dos juros, especialmente sobre o câmbio. Uma queda expressiva da Selic poderia diminuir o diferencial de juros do Brasil em relação a outros países, provocar saída de capital e pressionar o dólar.
Para enfrentar esse risco, o economista defende que o Banco Central utilize as reservas internacionais para suavizar movimentos mais intensos de desvalorização do real.
Leia também: Oposição entre ajuste fiscal e política social é um ‘falso dilema’
A proposta foi debatida em outubro em evento do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). Na ocasião, Lara Resende voltou a defender maior coordenação entre política monetária e fiscal e questionou os modelos utilizados para justificar a manutenção dos juros brasileiros em níveis elevados.
André Lara Resende participou da formulação dos planos Cruzado e Real, foi diretor do Banco Central e presidente do BNDES.
Nos últimos anos, tornou-se uma das vozes mais críticas à interpretação tradicional sobre a relação entre juros, inflação e dívida pública no Brasil.
O encontro com Lula ocorre às vésperas de uma nova decisão do Comitê de Política Monetária, marcada para quarta-feira (4), quando o Banco Central voltará a definir o nível da Selic.
A reunião também acontece em meio à discussão sobre os primeiros passos da política econômica do quarto mandato de Lula, com investidores atentos sobretudo às sinalizações para as contas públicas e à escolha da equipe que comandará a área econômica.
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