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Investimentos em IA e robótica pressionam lucro da Tesla, mas refletem corrida global por tecnologia, avalia especialista

Publicado 29/07/2026 • 09:20 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • A Tesla, empresa de Elon Musk, teve uma queda no lucro do último trimestre após acelerar os investimentos em inteligência artificial e robótica.
  • A estratégia de Musk prioriza o crescimento de longo prazo, mesmo com uma pressão maior sobre o caixa e a rentabilidade da empresa no curto prazo.
  • Segundo a avaliação de Gustavo Macedo, especialista em inteligência artificial e professor do Insper, o movimento coloca em lados opostos os interesses imediatos dos investidores e a visão de longo prazo da administração da empresa.

Foto: AFP

A Tesla, empresa de Elon Musk, teve uma queda no lucro do último trimestre após acelerar os investimentos em inteligência artificial e robótica. A estratégia de Musk prioriza o crescimento de longo prazo, mesmo com uma pressão maior sobre o caixa e a rentabilidade da empresa no curto prazo.

Segundo a avaliação de Gustavo Macedo, especialista em inteligência artificial e professor do Insper, o movimento coloca em lados opostos os interesses imediatos dos investidores e a visão de longo prazo da administração da empresa. “Estamos diante de duas forças. De um lado, o investidor que colocou dinheiro e espera retorno por meio da rentabilidade da empresa. Do outro, um gestor como Elon Musk, que está olhando para um mercado de longo prazo e para as transformações que estão acontecendo na economia global”, afirma.

Para o especialista, os investidores tendem a reagir com cautela quando observam uma redução nas margens de lucro, mas precisam considerar o potencial dos investimentos em áreas estratégicas. “Quando o investidor vê uma eventual diminuição da rentabilidade, acende uma luz de alerta. Ao mesmo tempo, ele precisa acompanhar o que a empresa promete em termos de longo prazo”, explica.

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Macedo destaca que a Tesla está inserida em um cenário de profundas mudanças no setor energético, marcado pela disputa entre combustíveis fósseis e fontes renováveis e pelos desafios relacionados à infraestrutura de energia. Esses fatores, segundo ele, influenciam diretamente as decisões de investimento da companhia.

Na avaliação do professor, a percepção do mercado sobre a Tesla também está mudando. Embora a empresa tenha se consolidado como referência em carros elétricos, investidores já analisam outros ativos estratégicos do grupo. “Uma empresa do setor me disse certa vez que não vende carros, vende baterias. O carro é apenas a embalagem da bateria. A Tesla pode ser vista da mesma forma. Para alguns, é uma empresa de mobilidade. Para outros, é uma empresa de baterias”, afirma.

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Ele cita ainda a crescente integração entre Tesla e SpaceX como um exemplo da ampliação das frentes de atuação da companhia. “O investidor precisa entender qual é o rumo que a Tesla pretende tomar em relação a esses dois mercados. Os mercados de mobilidade e energia não são excludentes, são complementares, mas a direção estratégica da gestão é fundamental para orientar novos aportes”, diz.

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Para Macedo, a intensificação dos investimentos em inteligência artificial não é uma iniciativa isolada da Tesla, mas uma resposta à crescente competição internacional no setor de tecnologia. “O Elon Musk não está pressionando outras empresas. Na verdade, ele está seguindo uma tendência de pressão do próprio mercado”, afirma. Segundo ele, empresas dos Estados Unidos, Europa e China disputam a liderança em tecnologias consideradas estratégicas, como inteligência artificial, baterias e infraestrutura energética.

O especialista compara o momento atual à corrida espacial do século passado. “É uma nova corrida tecnológica. Costumo dizer que é como a disputa para ver quem chega primeiro à Lua. Quem liderar esse processo terá vantagem competitiva global.”

Na visão de Macedo, essa disputa passa por toda a cadeia de infraestrutura tecnológica. “Estamos falando de uma verticalização que envolve minerais críticos, data centers, bancos de dados, inteligência artificial e até uma nova corrida espacial, com projetos voltados à exploração industrial de recursos estratégicos”, conclui.

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