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Líderes de IA da China ficam em silêncio apesar de ‘publicidade’ dos EUA sobre riscos da tecnologia
Publicado 16/09/2026 • 08:40 | Atualizado há 38 minutos
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Publicado 16/09/2026 • 08:40 | Atualizado há 38 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Enquanto os principais laboratórios de IA dos Estados Unidos têm feito alertas sobre os riscos da inteligência artificial em discursos recentes de grande repercussão, as empresas chinesas têm permanecido, em grande parte, em silêncio.
Z.ai, Moonshot, MiniMax, Alibaba e Tencent não fizeram comentários semelhantes e não forneceram declarações à CNBC quando foram procuradas sobre os alertas feitos pelo Vale do Silício.
É importante ter cautela com a IA, mas a publicidade em torno dos riscos está “um pouco superestimada”, disse Ray Von, fundador, CEO e presidente da OpenPie, uma startup apoiada pela Tencent que desenvolve dispositivos para que empresas utilizem IA com segurança em dados internos.
“É por isso que, na China, não prestamos tanta atenção a isso, porque não é a primeira vez que [os executivos americanos] dizem essas coisas”, afirmou em entrevista por telefone na terça-feira. “Eles deveriam simplesmente fazer isso.”
Leia também: Como a inteligência artificial está mudando a indústria de semicondutores
Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk e Dario Amodei, da Anthropic, pediram uma desaceleração no desenvolvimento de IA durante o fim de semana devido aos riscos incontroláveis. Apesar da rara demonstração de união no setor, Jensen Huang, da Nvidia, contestou a ideia, afirmando que velocidade e segurança podem caminhar juntas e que os desenvolvedores devem agir com responsabilidade.
Amodei, em seu mais recente ensaio, pediu que as empresas americanas ainda mantenham a liderança sobre a China, ecoando um estudo publicado por sua empresa em maio.
O Ministério das Relações Exteriores da China classificou na segunda-feira os comentários dos executivos americanos como “alarmismo”. Artigos de opinião publicados pela mídia estatal em inglês usaram expressões como “manual da Guerra Fria” e “Dr. Frankenstein” para descrever os alertas sobre IA.
“Quando as empresas chinesas criaram uma IA superior, vemos empresas americanas emitindo alertas sobre IA. Não acho que isso seja uma coincidência”, disse Renjie Guo, fundador e CEO da JoyIn, em chinês, em tradução feita pela CNBC.
De uma perspectiva filosófica, ele acredita que a IA é tão perigosa quanto seus desenvolvedores. Assim como os seres humanos, a IA também concluirá que “verdade, bondade e beleza” são a melhor abordagem, afirmou.
Leia também: Inteligência artificial é usada quase duas vezes mais para consultas pessoais do que no trabalho
Enquanto isso, Pequim iniciou sua própria Semana Anual de Cibersegurança, com o lançamento, na noite de segunda-feira, da terceira edição de um “Marco de Governança da Segurança da IA”. O documento bilíngue apresenta diretrizes para a identificação de conteúdos gerados por IA e para o desenvolvimento de sistemas capazes de detectar rapidamente riscos relacionados à tecnologia.
“Acho que, na China, estamos tentando implementar a governança da IA. A regulamentação da IA é importante. Mas… em termos dos laboratórios de IA, as pessoas estão falando menos sobre segurança da IA”, disse Alex Lu, fundador da LSY Consulting.
Ele classificou os comentários da Anthropic, em particular, como uma “comunicação de marketing” destinada a sustentar a visão de que “a única empresa capaz de tornar a IA segura é a Anthropic”.
Empresas americanas e chinesas também adotaram abordagens diferentes em relação à IA.
As empresas chinesas têm focado na comercialização da IA diante das restrições americanas ao acesso a semicondutores avançados. Enquanto isso, empresas dos EUA correram para desenvolver AGI, ou inteligência artificial com capacidade superior à humana, e somente neste ano passaram a enfrentar maior escrutínio de Washington.
Os esforços de Pequim para controlar o setor de tecnologia começaram muito antes.
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Siga o Times | CNBCDurante meses após a OpenAI lançar o ChatGPT, alternativas chinesas foram impedidas de chegar ao público até que Pequim desse sinal verde para seu lançamento, no verão de 2023.
No início de 2026, os chatbots chineses de IA disputavam usuários com grandes promoções durante o feriado do Ano-Novo Lunar. Vários desses modelos competiam com o Claude, da Anthropic, e o ChatGPT, da OpenAI, em desempenho, frequentemente com custos de utilização muito menores. Como resultado, os modelos chineses mais baratos e de código aberto conquistaram muitos usuários nos EUA e em outros países.
Mas uma coisa não havia mudado: o silêncio das IAs sobre temas que Pequim considera sensíveis.
Ao perguntar ao DeepSeek o que aconteceu em 4 de junho de 1989 — data da repressão na Praça da Paz Celestial, em Pequim, quando centenas ou possivelmente milhares de pessoas foram mortas — o sistema responde: “Não posso ajudar com isso”. No entanto, ele consegue explicar que 11 de setembro de 2001 “foi o dia de ataques terroristas coordenados nos Estados Unidos… [que] mataram quase 3 mil pessoas”.
O regulador de cibersegurança da China implementou processos para aprovar novos serviços de IA generativa, especialmente aqueles com potencial de influenciar a opinião pública. A agência publica listas de modelos registrados.
A integração da IA em diferentes setores também é uma parte importante dos planos do governo chinês para o desenvolvimento econômico nos próximos cinco anos.
O desenvolvimento de IA de código aberto pelas empresas chinesas, em particular, também deu apoio aos programas de cooperação internacional de Pequim, como a Iniciativa Global de Governança da IA e a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial.
“Devemos fortalecer a consciência sobre os riscos e garantir que a IA seja segura e controlável”, disse o presidente chinês, Xi Jinping, em julho, durante o lançamento da organização mundial de IA. No fim de semana, durante a cúpula do Brics na Índia, Xi acrescentou que a China promoveria cooperação em IA e tecnologia entre as economias do bloco.
Leia também: Energia vira principal gargalo para expansão da inteligência artificial no mundo; entenda
As empresas chinesas frequentemente destacam a importância da capacidade da IA de gerar receita, em vez de apenas subir nos rankings de inteligência.
“Não estamos procurando os modelos de IA mais [impressionantes], mas tentando liberar o potencial da IA. Vocês verão muitas regulamentações sobre como a IA deve ser aplicada”, disse Lu, citando as regras chinesas sobre segurança de dados e identificação de vídeos gerados por IA.
Segundo ele, o desafio maior é lidar com a tendência dos modelos de IA de inventar informações por meio das chamadas alucinações. Um modelo de IA melhor ajuda, mas não é a maneira mais econômica de resolver o problema, afirmou, destacando uma abordagem que utiliza métodos menos complexos, conhecidos como tecnologia de orquestração (harness technology) e aprendizado por reforço.
Isso significa que muitas empresas chinesas podem não precisar utilizar modelos de IA de ponta.
Ray Von, da OpenPie, afirmou que sua startup utiliza principalmente modelos mais antigos ou versões menores do Qwen, da Alibaba, e do DeepSeek.
“A grande maioria das empresas”, disse ele, “vê muitos ganhos de produtividade, mas ainda não viu nada gerar lucros ou reduzir custos imediatamente”.
“Agora, a publicidade está desviando muita atenção”, afirmou. “O lado das aplicações, o lado empresarial, ainda não apresentou muitos resultados.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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