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Meta começa a desfazer acordo de US$ 2 bilhões com a Manus por ordem de Pequim
Publicado 12/06/2026 • 10:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 12/06/2026 • 10:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Meta começou a desfazer sua aquisição de US$ 2 bilhões da Manus, enquanto busca cumprir uma ordem de Pequim para reverter o negócio.
A Meta Platforms começou a desfazer sua aquisição de US$ 2 bilhões da Manus, de acordo com uma reportagem da Bloomberg, enquanto a gigante da tecnologia busca cumprir uma ordem sem precedentes de Pequim para reverter o negócio.
A Meta concluiu uma separação operacional, instruindo seus funcionários a interromper o uso das ferramentas da Manus em projetos internos e bloqueando, a partir deste mês, o acesso dos funcionários da empresa sediada em Singapura aos sistemas internos de dados da controladora do Facebook, informado na quinta-feira (11), citando pessoas familiarizadas com o assunto.
A separação ocorre enquanto a Manus e a Meta tentam atender à exigência de Pequim de desfazer o acordo, que se tornou um caso emblemático sobre até onde a China está disposta a ir para proteger sua tecnologia estratégica e seus talentos.
Leia também: Meta aposta em ‘academia de trabalho’ para suprir falta de mão de obra em data centers
Reguladores chineses determinaram em abril que o negócio fosse revertido, uma medida inédita no âmbito do mecanismo de revisão de segurança para investimentos estrangeiros do país. A decisão deu início ao complexo processo de desmantelamento de uma transação já concluída, segundo o escritório de advocacia Zhonglun.
Desde então, Pequim endureceu os controles sobre exportações de tecnologia para manter maior controle sobre transações internacionais, especialmente aquelas que envolvem ativos em setores estratégicos, em meio ao acirramento da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos por talentos, hardware e dados.
Para empresas de tecnologia americanas interessadas em ativos chineses, “a inteligência artificial de origem chinesa agora carrega um tipo de risco de reversão que nenhuma estrutura sofisticada de negócio consegue eliminar”, afirmou Matthias Hendrichs, consultor baseado em Singapura que assessora empresas globais de I.A.
Segundo Hendrichs, o problema central que levou à objeção de Pequim em relação à Manus pode não ter solução. “Depois que os engenheiros de outra empresa tiveram acesso à sua infraestrutura tecnológica, você pode apagar o repositório, mas não pode fazer com que eles deixem de saber o que viram.”
Leia também: Meta fecha acordo para data center de IA na Índia enquanto amplia infraestrutura global
Antes celebrada como um avanço das startups chinesas de inteligência artificial na disputa com concorrentes americanos, a Manus tornou-se um alerta para empreendedores que buscam se desvincular da imagem chinesa transferindo operações para países como Singapura.
“O desfazimento pode ser complicado”, afirmou Han Shen Lin, diretor-geral para a China do The Asia Group. Segundo ele, Pequim enviou uma mensagem ao setor de tecnologia de que a chamada estratégia de “lavagem por Singapura” (“Singapore washing”) tem limites. Também demonstrou a Washington que lançar luz sobre estruturas societárias pode ser tão eficaz quanto impor proibições diretas.
Com origem na China, a Manus transferiu sua sede e equipes principais para Singapura no ano passado. Em dezembro, a Meta anunciou a aquisição da startup especializada em I.A agêntica por US$ 2 bilhões, desencadeando uma investigação que durou meses e envolveu regras de controle de exportação de tecnologia.
No início deste mês, Pequim divulgou um amplo conjunto de normas que reforçam o controle sobre negócios internacionais envolvendo investidores chineses, tecnologia, dados e questões de segurança nacional.
As medidas surgem em um momento em que China e Estados Unidos disputam influência no setor de inteligência artificial. Reguladores chineses teriam orientado empresas como a Moonshot AI, a StepFun e a ByteDance a rejeitar investimentos americanos sem aprovação explícita do governo. Já Washington ampliou recentemente as restrições à exportação de chips de I.A para empresas sediadas na China em todo o mundo.
As novas regras ampliam o alcance de Pequim para negócios realizados fora da China continental, incluindo Taiwan, e concedem ao governo o poder de punir empresas estrangeiras cujos países de origem imponham restrições a investimentos chineses.
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Seguir no GoogleAs diretrizes voltadas para investimentos externos têm como alvo negócios como o da Manus — uma operação de grande visibilidade que sugeria que uma importante empresa chinesa de I.A estava se afastando do mercado doméstico, exemplo que Pequim não desejava ver replicado, afirmou Tilly Zhang, analista de política industrial da Gavekal Dragonomics.
Leia também: Conheça a empresa que deixou Alphabet, Microsoft e Meta para trás no ranking do futuro da tecnologia
Segundo Han Shen Lin, o novo marco regulatório concede ao Estado chinês “um controle retroativo e prospectivo” sobre o capital investido no exterior. “Se houve dinheiro chinês envolvido em uma operação, Pequim agora pode reivindicar jurisdição sobre a saída, a reestruturação ou o reinvestimento”, afirmou.
O novo arcabouço regulatório entra em vigor em 1º de julho e estabelece, pela primeira vez, uma base jurídica abrangente e formalizada para que a China obrigue o desfazimento de transações internacionais já concluídas. As regras também proíbem especificamente a transferência internacional de talentos em setores considerados sensíveis sem autorização prévia.
Leia mais: China bloqueia aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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