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Quem é mais otimista em relação à IA; quem não é, e quem se beneficia; veja estudo da Anthropic
Publicado 20/03/2026 • 10:25 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/03/2026 • 10:25 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Dado Ruvic/Illustration/Reuters
Pessoas da África Subsaariana e da Ásia são mais otimistas em relação à inteligência artificial do que aquelas da Europa Ocidental e da América do Norte, segundo um relatório da Anthropic que ouviu cerca de 81 mil pessoas em 159 países.
O estudo, publicado na quarta-feira (18), revelou que os ganhos econômicos com o uso de I.A. são a principal aspiração da maioria dos entrevistados, mas analistas também alertaram que nem todos devem se beneficiar igualmente.
Pesquisadores da Anthropic convidaram usuários de seu modelo de linguagem Claude para participar de conversas sobre hábitos de uso, expectativas e preocupações em relação ao desenvolvimento da I.A.
Essas conversas, realizadas com o Anthropic Interviewer — uma versão do Claude treinada para conduzir entrevistas — também foram analisadas pelo próprio Claude. Primeiro, para filtrar respostas “irrelevantes, pouco sérias ou muito curtas”, e depois para classificar e rotular o sentimento das respostas.
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Os entrevistados relataram ter suas maiores expectativas em relação à I.A. — e perceber seus maiores benefícios — no ambiente de trabalho.
Segundo o relatório, 18,8% buscavam “excelência profissional” com o uso da I.A. Da mesma forma, 32% afirmaram que a IA é mais útil para aumentar a produtividade.
A maior parte desses ganhos veio da delegação de tarefas mais rotineiras à I.A., permitindo que os usuários se concentrem em “problemas estratégicos de nível mais alto”. Outros disseram que a I.A. liberou tempo para atividades além do trabalho.
Alguns analistas não se surpreenderam com esses resultados, afirmando que o estágio atual da I.A. favorece aplicações mais simples.
“No momento, a IA é mais adequada para tarefas altamente repetitivas, focadas e orientadas a objetivos… semelhantes a tarefas específicas em uma linha de montagem”, escreveu Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia.
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Mais especificamente, essas aplicações incluem tarefas administrativas como RH, faturamento e funções de backoffice, segundo Seema Shah, vice-presidente da Sensor Tower.
Os ganhos financeiros da I.A. também parecem favorecer trabalhadores independentes — como empreendedores, donos de pequenos negócios e pessoas com “bicos” — que relataram mais que o triplo de empoderamento econômico com I.A. em comparação a funcionários assalariados
Mas desenvolvimentos recentes indicam que até trabalhos mais complexos podem ser impactados.
Após a Anthropic lançar o Cowork em fevereiro — uma versão do Claude capaz de lidar com tarefas mais complexas, como modelagem financeira e gestão de dados — ações de empresas de software e pesquisa sofreram quedas, diante do receio dos investidores.
À medida que empresas como a Alibaba e a própria Anthropic investem bilhões em I.A. “agêntica” (capaz de agir de forma autônoma), pode se tornar ainda mais difícil prever como as profissões serão transformadas.
“Esses agentes vão realizar tarefas cada vez mais sofisticadas em nome das pessoas, e isso terá impactos massivos”, disse Marc Einstein, diretor da Counterpoint Research.
Diante dessa incerteza, o medo de perda de emprego apareceu como uma das principais preocupações: 22,3% dos entrevistados disseram que esse é seu maior receio.
Segundo o relatório, essas preocupações estão “relativamente distribuídas entre diferentes profissões”.
“Quando estou programando agora, sou mais um observador do que um criador. Posso ver que, mesmo nesse papel, talvez eu não seja mais necessário”, disse um engenheiro de software dos EUA citado no estudo.
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Com o ritmo acelerado de desenvolvimento da I.A., especialistas divergem sobre quem realmente ganhará com ela.
“Vejo a I.A. como um grande nivelador”, afirmou Einstein. “Uma das coisas bonitas da I.A. é que alguém na Indonésia rural ou no Brasil tem acesso à mesma I.A. que alguém nos EUA ou no Japão.”
Usuários do Claude em economias emergentes, como África Subsaariana e América Latina, demonstraram níveis de percepção negativa 10% a 12% menores do que usuários da Europa Ocidental e América do Norte.
Eles também mostraram maior interesse em empreendedorismo e independência financeira por meio da I.A..
No entanto, especialistas alertam que esses dados têm limitações. A pesquisa foi voluntária e baseada em usuários que já utilizam I.A. — o que pode enviesar os resultados para visões mais positivas.
Além disso, quase metade dos entrevistados era da América do Norte e Europa Ocidental.
“Os resultados devem ser vistos como um indicativo de como usuários iniciais e ativos percebem suas experiências com I.A., e não como um retrato definitivo”, disse Lia Raquel Neves, da consultoria ética EITIC.
Embora o entusiasmo seja maior em economias emergentes, ainda não está claro como os benefícios da I.A. serão distribuídos.
Em um relatório de 2025, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento alertou que a I.A. pode ampliar desigualdades socioeconômicas, já que os benefícios tendem a se concentrar em países com maior infraestrutura digital.
“Na ausência de condições adequadas, a I.A. pode amplificar vulnerabilidades existentes, como exclusão digital, vieses algorítmicos ou dependência de sistemas externos”, disse Neves.
Embora ainda seja cedo para saber quem perderá mais com a I.A., há menos dúvidas sobre quem pode ganhar.
“Quem conseguir desenvolver com sucesso os agentes de I.A. que todos nós vamos usar, certamente vai vencer”, concluiu Einstein.
A Anthropic não respondeu aos pedidos de comentário da CNBC.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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