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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Smart Fit prevê investimento de R$ 2 bilhões para expansão física, diz fundador Edgard Corona

Publicado 07/09/2026 • 20:57 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Fundador da Bio Ritmo e da Smart Fit afirmou que o grupo abre entre 340 e 360 unidades por ano em 16 países da América Latina e no Marrocos.
  • Edgard Corona disse que mais de 50% da receita da companhia já vem de fora do Brasil.
  • Empresário vê espaço para crescimento do mercado fitness, mas alerta para aumento de oferta acima da demanda neste ano.

A Smart Fit prevê investimento de cerca de R$ 2 bilhões em expansão física, com abertura anual de 340 a 360 unidades. É o que afirmou Edgard Corona, fundador da Bio Ritmo e da Smart Fit.

A declaração foi dada durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa discute economia, negócios, inovação, tecnologia e desenvolvimento.

Segundo Corona, a companhia atua hoje em 16 países da América Latina e também iniciou operação no Marrocos, onde abriu as duas primeiras unidades. Mais de 50% da receita do grupo já vem de fora do Brasil.

“A gente lançou entre 340 e 360 lojas por parte física, em 16 geografias da América Latina”, afirmou. “Mais de 50% da receita já está fora do Brasil.”

O empresário disse que a expansão combina abertura de novas unidades e investimento em tecnologia. A companhia mantém mapeamento detalhado de regiões onde pretende atuar, bairro a bairro, especialmente na América Latina.

“A gente tem a América Latina inteira mapeada, bairro a bairro, onde gostaria de estar”, disse.

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Fitness ainda tem espaço para crescer

Corona afirmou que o mercado fitness brasileiro ainda tem espaço relevante para crescer, apesar do avanço dos últimos anos.

Segundo ele, em 2009, cerca de 3% a 4% da população frequentava academias. Hoje, esse índice está próximo de 8% a 9%.

“Estamos chegando a 8%, 9% da população frequentando academia. Muito longe dos 25%, 26% do mercado americano, mas já é uma boa notícia”, afirmou.

Para o fundador da Smart Fit, o crescimento está atrelado a três fatores principais: preço menor, produto melhor e maior disponibilidade de academias perto da casa ou do trabalho dos consumidores.

“Cresceu por preço menor, por um produto melhor e por disponibilidade próximo do lugar de trabalho ou de onde o sujeito vive”, disse.

Corona afirmou que a mudança de comportamento no pós-pandemia também ajudou o setor. Segundo ele, as pessoas passaram a dar mais importância à atividade física e ao treino de força.

Oferta pode superar demanda

Apesar do potencial de expansão, Corona alertou que o mercado pode enfrentar excesso de oferta neste ano.

Segundo ele, nos últimos três ou quatro anos houve aumento expressivo tanto da demanda quanto da abertura de academias. Agora, afirmou, a oferta pode crescer mais do que a procura.

“Esse ano especificamente acho que nós vamos ter um aumento de oferta muito maior do que aumento de demanda”, afirmou.

O empresário comparou o momento a uma festa que já passou do auge. “Está chegando às três da manhã numa festa, a festa já não está tão animada”, disse.

Para Corona, fatores como feriados, Copa do Mundo e eleições também podem afetar a frequência dos alunos e pressionar o setor.

Low cost tem maior mercado

Corona disse que o modelo de baixo custo e alto valor, base da Smart Fit, é o que oferece maior volume de crescimento no setor.

Segundo ele, academias premium, como a Bio Ritmo, têm tíquete mais alto e investimento maior por unidade, mas o mercado de mensalidades entre R$ 110 e R$ 150 é muito mais amplo do que o de academias de R$ 500 a R$ 700.

“O low cost, o high value, low price, é o que dá mais volume”, afirmou.

O empresário disse que a disciplina de retorno sobre investimento é semelhante entre os modelos, mas o potencial de escala é maior nas unidades de menor preço.

“Uma Bio Ritmo dá mais em valor absoluto do que uma Smart, mas o retorno do investimento é bastante parecido”, afirmou.

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Tecnologia e IA

Corona afirmou que a tecnologia deve ganhar peso crescente no setor fitness, tanto em academias de baixo custo quanto em redes de alto padrão.

Segundo ele, a inteligência artificial pode ajudar a melhorar a experiência do cliente ao integrar dados de treino, nutrição, sono, exames, balanças de bioimpedância e dispositivos vestíveis, como pulseiras e anéis inteligentes.

“Você começa a ter informação de nutrição, consegue se medir. Essa informação acaba melhorando a condição de saúde”, disse.

Para Corona, a tecnologia deve dar mais autonomia ao aluno, que passa a ter mais dados sobre o próprio treino e sobre a própria saúde. “Você passa a ser o senhor do seu treino”, afirmou.

O empresário disse que a Smart Fit também trabalha em sistemas para personal trainers, com ferramentas que ajudam a montar treinos, acompanhar execução e adaptar exercícios a diferentes locais.

Recovery e socialização

Além do treino tradicional, Corona afirmou que áreas de recuperação devem ganhar espaço nas academias. Ele citou saunas, banheiras de gelo, botas de compressão, cadeiras de massagem e outras estruturas de recovery.

Segundo ele, parte dessas soluções deve chegar também às próximas gerações de unidades da Smart Fit.

“As próximas gerações de Smarts devem ter uma sauninha infravermelha, alguma área de sair do quente para o frio, bota de recovery, cadeira de massagem”, afirmou.

Corona disse que as academias também tendem a se tornar espaços de socialização. Para ele, o aluno pode ser fidelizado não apenas por preço ou tecnologia, mas pela experiência de frequentar um lugar onde treina, encontra pessoas e cria vínculos.

“Virou um lugar que eu gosto de ir, porque eu treino e ainda bato um papo”, afirmou.

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Juros e custo Brasil

O empresário afirmou que o Brasil ainda impõe obstáculos importantes ao crescimento do setor, especialmente devido aos juros elevados, custos de importação e burocracia.

Segundo Corona, equipamentos de academia são mais caros no Brasil do que em outros países da América Latina. Ele afirmou que, no México, o custo de equipamentos pode ser metade do observado no mercado brasileiro. “O México é metade do preço daqui”, comentou.

Corona também citou a taxa de juros como entrave ao investimento. Segundo ele, captar recursos a 18% ao ano exige retornos muito elevados dos negócios. “A gente olha para 18% ao ano e pensa: que negócio dá 20% de retorno?”, afirmou.

Apesar disso, o empresário disse que a companhia precisa operar dentro das condições do país e buscar eficiência nesse ambiente.

“Não adianta falar ‘mas se’. Não tem se. É isso aí, vamos trabalhar desse jeito”, afirmou.

Treino de força e longevidade

Corona afirmou que o treino de força se consolidou como uma das principais tendências do mercado fitness.

Segundo ele, no início dos anos 2000, as academias tinham muito cardio e pouca musculação. Hoje, a percepção mudou, especialmente pela relação entre massa muscular, metabolismo, saúde e longevidade.

O empresário afirmou que o público das academias também se ampliou. Pessoas que tinham 30 anos quando começaram a treinar nos anos 1990 hoje estão perto dos 60 e mantiveram o hábito. Ao mesmo tempo, adolescentes passaram a aderir mais cedo à musculação.

“Você conseguiu aumentar o número de praticantes na pirâmide”, afirmou.

Para Corona, o setor fitness passa por uma fase em que saúde, estética, tecnologia, recuperação e socialização se combinam.

“O sujeito não vai mais para a noite, ele tem que achar outro ponto para socializar”, disse.

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