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“Boa sorte, meu amigo”: os bastidores das últimas horas da Spirit Airlines

Publicado 03/05/2026 • 11:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Spirit Airlines encerrou suas operações às 3h da manhã de sábado, após o fracasso nas negociações por um resgate financeiro.
  • A companhia aérea de baixo custo levou viagens acessíveis a milhões nos EUA, Caribe e América Latina ao longo de sua trajetória.
  • Mais de 17 mil funcionários diretos e indiretos perderam seus empregos com o colapso da empresa.

REUTERS/Mike Blake/File Photo/File Photo

Um avião comercial Spirit se prepara para pousar no Aeroporto Internacional de San Diego, em San Diego, Califórnia, EUA, em 18 de janeiro de 2024.

A Spirit Airlines estava a poucas horas de seus voos finais na tarde de sexta-feira (1º). Ao mesmo tempo, Jeremiah Burton, um técnico de ar-condicionado e aquecimento de 45 anos, estava se preparando para entrar em um avião pela primeira vez.

É a minha primeira vez voando”, disse Burton à CNBC, no Aeroporto Internacional Baltimore/Washington Thurgood Marshall, pouco antes de embarcar para Nova Orleans para visitar a filha e seus gêmeos recém-nascidos.

Para falar a verdade, eu só entrei na internet e procurei a passagem aérea mais barata”, afirmou, acrescentando que pagou cerca de US$ 500 (R$ 2,5 mil) pela viagem no fim do mês passado. Ele estava programado para retornar em 6 de maio.

Enquanto Burton aguardava seu voo, a Spirit fazia os preparativos finais para encerrar suas operações durante a madrugada, colocando fim a uma trajetória de três décadas de viagens de baixo custo a milhões de pessoas nos Estados Unidos e até destinos como o Peru.

Leia também: Como a companhia Spirit Airlines criou um modelo que o setor copiou e, 34 anos depois, faliu

A empresa cancelou voos internacionais na quinta-feira (30) para evitar que passageiros, aeronaves e tripulações ficassem presos. A companhia informou ter transportado mais de 50 mil pessoas no dia anterior ao colapso.

Os detentores de títulos da Spirit rejeitaram uma proposta de resgate de última hora do governo de Donald Trump, que poderia incluir até US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) para manter a companhia operando. O acordo colocaria o governo à frente de outros credores e lhe daria até 90% de participação na empresa.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, ligou para o CEO Dave Davis para informar que não havia acordo e que as negociações estavam distantes, segundo fonte familiarizada com o tema. Os credores enviaram uma carta ao conselho da empresa confirmando que o fim estava próximo.

Terminais ficam silenciosos

Antes do amanhecer de sábado, o site e o aplicativo da Spirit exibiam a mensagem de que as operações haviam sido encerradas: “Todos os voos foram cancelados e o atendimento ao cliente não está mais disponível”.

Leia também: Spirit Airlines encerra operações após fracasso em resgate financeiro em meio a colapso da guerra

Ao meio-dia, o Marine Air Terminal de LaGuardia, em Nova York, estava praticamente silencioso. O espaço, inaugurado em 1940 e que já abrigou os Clippers da Pan Am, era até então ocupado pela Spirit no aeroporto.

Lojas fecharam mais cedo por falta de clientes, agentes foram dispensados e telas exibiam: “Lamentamos informar que a Spirit Airlines encerrou suas operações globais”.

Foi uma honra aproximar amigos e famílias por 34 anos”, dizia a mensagem, acompanhada de um QR code com orientações.

Companhias como United Airlines, Frontier Airlines, American Airlines, Southwest Airlines e JetBlue Airways anunciaram limites de tarifas para ajudar passageiros. A United informou que cerca de 14 mil clientes da Spirit compraram passagens com a empresa no sábado.

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A JetBlue também anunciou expansão de sua malha a partir de Fort Lauderdale, com novos voos para destinos como Cali, na Colômbia, e Nashville, no Tennessee.

Tripulações correram para voltar para casa. O comandante Jon Jackson, da Spirit, que faria seu voo de aposentadoria no sábado, não conseguiu realizá-lo após o encerramento da empresa.

Ele embarcou em um voo da Southwest Airlines, onde foi homenageado com um jato d’água e aplausos ao desembarcar.

Problemas em efeito cascata

Embora a crise tenha se intensificado nesta semana com a falta de caixa, os problemas da Spirit vinham se acumulando há anos. A companhia foi lucrativa na década de 2010, mas não registra lucro desde 2019.

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A empresa enfrentou forte concorrência de rivais como Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines, além de pressão por tarifas mais baixas, aumento de custos, falha na fusão com a JetBlue e defeitos em motores que afetaram parte da frota.

O recente aumento nos preços do combustível, impulsionado pela guerra no Irã, foi um desafio adicional que a empresa não conseguiu superar.

Em agosto passado, a companhia entrou com pedido de proteção contra falência pela segunda vez em menos de um ano, sem conseguir implementar mudanças suficientes para reduzir custos ou reestruturar suas operações.

Cerca de 17 mil funcionários diretos e indiretos perderam seus empregos, segundo a empresa.

A dor dessa decisão não será sentida nas salas de conselho, mas por pilotos, comissários, mecânicos e suas famílias”, escreveu Jason Ambrosi, presidente da associação internacional de pilotos.

A companhia que os americanos amavam odiar

Com cerca de 4% de participação no mercado dos EUA, a Spirit tinha presença marcante entre consumidores.

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O analista Henry Harteveldt classificou a empresa como uma “verdadeira pioneira do transporte aéreo de baixo custo”, mas também como a companhia que “os americanos adoravam odiar”.

A empresa investiu em melhorias, incluindo treinamentos com o Disney Institute, e avançou em pontualidade, mantendo clientes fiéis até o fim.

Para alguns passageiros, o preço baixo compensava o desconforto em voos curtos, enquanto outros preferiam companhias tradicionais em viagens mais longas.

“Boa sorte a todos”

Na noite de sexta-feira, executivos da empresa acompanhavam os últimos voos a partir da sede em Dania Beach, na Flórida.

A confirmação de que as operações seriam encerradas às 3h da manhã de sábado marcou o fim da companhia.

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Em comunicações de rádio, funcionários de outras empresas desejaram “boa sorte” aos tripulantes da Spirit.

Em um dos últimos voos, de Detroit para Dallas, o piloto perguntou se haveria outras aeronaves da empresa chegando depois. A resposta foi negativa.

Pouco antes do encerramento, um despachante enviou a um piloto a mensagem:
NÃO OFICIALMENTE PARAMOS DE VOAR ÀS 03h DE 02/05. BOA SORTE, MEU AMIGO.”

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