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Como ‘The White Lotus’ está mudando o turismo de luxo

Publicado 06/09/2026 • 23:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Série impulsiona o turismo de locação, levando fãs a buscar hotéis e destinos vistos na produção.
  • Exposição pode ameaçar a exclusividade, com especialistas alertando para a transformação de hotéis de luxo em atrações turísticas.
  • 4ª temporada coloca a Riviera Francesa em evidência, com gravações em Cannes, Saint-Tropez, Mônaco e Paris.

Divulgação

fim de semana - Como 'The White Lotus' está mudando o turismo de luxo

A poucos meses da chegada da quarta temporada de The White Lotus, a série da HBO voltou a movimentar o mercado de viagens de alto padrão. Desta vez, as gravações acontecem na Riviera Francesa, com cenas em Cannes, Saint-Tropez, Mônaco e Paris.

O fenômeno chama atenção porque o impacto da produção vai além da televisão: hotéis que aparecem na trama ganham visibilidade internacional e destinos inteiros passam a ser procurados por viajantes interessados em conhecer os cenários vistos na tela.

O sucesso da série ajudou a consolidar uma nova forma de escolher viagens de luxo. Em vez de buscar apenas hotéis reconhecidos ou destinos tradicionalmente exclusivos, parte do público passou a procurar lugares que tenham aparecido em produções populares. O chamado turismo de locação, impulsionado pelas redes sociais, transformou a ficção em uma espécie de vitrine para a hotelaria.

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Da televisão para o roteiro de viagem

De acordo com o Robb Report, nas temporadas anteriores, o efeito foi percebido em diferentes destinos associados à série. Hotéis utilizados como cenário passaram a despertar a curiosidade de espectadores que queriam experimentar, na vida real, o ambiente mostrado pelos personagens.

A estratégia criou uma relação incomum entre entretenimento e turismo. Uma produção televisiva passou a influenciar decisões que normalmente envolvem grandes gastos, como a escolha de hotéis, cidades e experiências de viagem.

O movimento também alterou a lógica de divulgação do setor. A exposição em uma série de alcance global pode gerar uma repercussão muito maior do que uma campanha publicitária tradicional. Ao mesmo tempo, aumenta o risco de transformar uma propriedade exclusiva em um ponto disputado por turistas que chegam em busca da experiência retratada na televisão.

A busca pelo lugar que aparece na tela

Para especialistas em viagens de luxo, esse comportamento faz parte de uma mudança mais ampla no perfil do turista. A viagem deixou de ser apenas uma experiência para ser também um conteúdo.

Hotéis, restaurantes, praias e cidades passaram a ser avaliados pelo potencial que oferecem para fotografias e vídeos. A presença em uma produção de grande audiência pode funcionar como um selo de relevância cultural e colocar um destino no radar de pessoas que antes sequer consideravam visitá-lo.

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É justamente nesse ponto que surgem as críticas. Profissionais do setor temem que a popularização excessiva retire dos destinos uma característica fundamental do turismo de luxo: a sensação de exclusividade.

Quando a fama pode virar um problema

A exposição provocada por The White Lotus também revela um paradoxo. Quanto mais pessoas desejam conhecer determinado lugar, maior pode ser a pressão sobre o destino e menor a sensação de exclusividade que ajudou a torná-lo atraente.

Para alguns especialistas, o turismo de alto padrão corre o risco de entrar em uma espécie de ciclo de celebrização. O viajante passa a escolher determinado hotel porque ele está em evidência, enquanto propriedades menos conhecidas, mas com experiências culturais relevantes, ficam fora da disputa pela atenção.

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Nesse cenário, a popularidade deixa de ser apenas uma vantagem comercial. Para hotéis muito exclusivos, preservar a identidade e o perfil dos hóspedes pode ser tão importante quanto conquistar novos clientes.

Riviera Francesa

A quarta temporada leva esse debate para um dos mercados mais tradicionais do turismo de luxo. A produção utiliza o Hôtel Martinez, em Cannes, e o Château de la Messardière, em Saint-Tropez, como cenários dos hotéis fictícios da trama.

A escolha acompanha a própria história da região. Cannes é conhecida pelo Festival de Cinema e por receber executivos, artistas, produtores e grandes marcas durante o evento. Saint-Tropez, por outro lado, carrega uma imagem associada ao glamour, ao verão europeu e ao turismo de alto padrão.

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A série, porém, pode criar uma percepção diferente da realidade. As cidades apresentadas na ficção parecem próximas dentro da narrativa, mas estão separadas por uma distância considerável. Para quem conhece pouco a geografia da região, a televisão pode produzir uma impressão de proximidade que não existe na prática.

O mesmo vale para a experiência fora da temporada de eventos. Cannes possui uma forte relação com congressos, feiras e viagens corporativas. O cenário de celebridades e festas mostrado durante o festival não representa necessariamente a rotina da cidade durante todo o ano.

Hotéis ganham exposição, mas também desafios

Para propriedades de luxo, aparecer em uma série de sucesso pode representar uma oportunidade rara de alcançar milhões de potenciais clientes. Marcas menores podem se beneficiar ainda mais, já que possuem menos recursos de divulgação do que grandes grupos internacionais.

O problema é administrar o aumento da procura. Uma propriedade que passa a ser associada a uma produção famosa pode receber visitantes interessados mais no cenário do que na experiência oferecida pelo hotel.

Há ainda uma questão de posicionamento. Parte dos especialistas considera que a exposição imediata pode não compensar uma eventual perda de exclusividade no longo prazo.

Os preços elevados funcionam como uma barreira natural. Em hotéis cujas diárias durante o verão podem ultrapassar 3 mil euros, o custo reduz o público capaz de transformar a curiosidade em uma reserva.

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O novo luxo pode estar longe dos lugares óbvios

A influência de The White Lotus também fortalece uma discussão sobre o que significa viajar com exclusividade atualmente.

Enquanto destinos famosos ganham atenção global, especialistas começam a defender lugares menos evidentes, onde a experiência cultural e o contato com a região podem ter mais peso do que a fama nas redes sociais.

Na Riviera Francesa, cidades como Nice aparecem como alternativas para quem procura uma experiência menos concentrada nos endereços que se tornaram símbolos do glamour internacional.

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A tendência indica uma possível mudança no comportamento dos viajantes mais experientes. Em vez de simplesmente seguir os lugares que aparecem na televisão, parte desse público pode começar a buscar propriedades menores, experiências locais e destinos que ainda não foram transformados em fenômenos de audiência.

Uma nova relação entre entretenimento e turismo

O impacto de The White Lotus mostra que o turismo de luxo já não depende apenas de revistas especializadas, agências ou recomendações pessoais. Séries, filmes e redes sociais passaram a participar diretamente da formação do desejo de viajar.

A quarta temporada pode ampliar ainda mais esse efeito ao colocar a Riviera Francesa no centro da narrativa. Cannes, Saint-Tropez, Mônaco e Paris devem ganhar uma exposição que dificilmente seria reproduzida por uma campanha convencional.

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Essa talvez seja a principal transformação provocada por The White Lotus. A série não apenas mostra onde os ricos viajam. Ela também está ajudando a definir para onde milhões de pessoas querem viajar.

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