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Paradas para hidratação viram novo ativo comercial da Copa

Publicado 19/06/2026 • 14:09 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Pausas adotadas durante as partidas ampliam oportunidades de exposição para marcas e geram novas receitas para o futebol.
  • Professor afirma que momento concentra alta atenção do público e tende a ganhar valor crescente para patrocinadores.
  • Para Marcelo Toledo, necessidade de novas fontes de receita acompanha o aumento dos custos da indústria esportiva.

As paradas para hidratação deixaram de ser apenas uma medida voltada ao bem-estar dos atletas e se transformaram em um novo ativo comercial para o futebol, afirmou o professor de Gestão e Marketing Esportivo da ESPM, Marcelo Toledo. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (19), ele avaliou que a iniciativa amplia as possibilidades de monetização das transmissões e cria novos espaços de exposição para patrocinadores durante as partidas.

Segundo Toledo, a estratégia faz parte de um movimento mais amplo de valorização dos ativos comerciais ligados ao jogo. “A Fifa e o futebol tomaram uma decisão de tentar dividir o jogo em quatro partes, e a parada de hidratação vai bem ao encontro desse tipo de iniciativa. Com isso, você gera mais um ativo comercial. Antes existiam o pré-jogo, o intervalo e o pós-jogo, e agora você consegue criar nesse meio do caminho mais alguma coisa para monetizar”, explicou.

O especialista lembrou que outras ferramentas já vinham sendo utilizadas para ampliar a presença de marcas durante as transmissões. “A gente já via monetização na substituição, na placa de substituição, no VAR e em estatísticas exibidas durante o jogo. Já havia esse movimento de tentar trazer mais dinheiro para dentro da partida”, observou.

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Atenção do público

Para Toledo, um dos principais diferenciais das pausas para hidratação é o alto nível de atenção do público naquele momento do jogo.

“Esse espaço vai ser monetizado e com valores altos. É um momento de atenção plena, e o torcedor quer saber o que está acontecendo, quer ver a reação do jogador, ouvir o que o técnico está falando e entender como a partida pode mudar depois da parada”, afirmou.

Segundo ele, a interrupção cria uma nova camada de narrativa esportiva e aumenta o engajamento da audiência. “Ao invés de ser um momento em que você não presta atenção, passa a ser um momento em que você presta atenção justamente porque quer saber o que vai acontecer a seguir”, destacou.

O professor acredita que a tendência deve se consolidar em diferentes competições ao redor do mundo. “Eu acho que a hidratação veio para ficar, não só pelo ponto de vista físico, mas também pelo ponto de vista comercial”, avaliou.

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Dinheiro e espetáculo

Questionado sobre possíveis críticas de torcedores mais tradicionais, Toledo argumentou que a necessidade de novas receitas acompanha a evolução econômica do esporte.

“Os direitos de transmissão estão cada dia mais caros e os jogadores estão cada dia ganhando mais dinheiro. A indústria precisa descobrir novas formas de faturamento. Para pagar uma estrutura de um time de ponta e transmitir os jogos desses atletas, você precisa de dinheiro”, ressaltou.

Na avaliação do especialista, a busca por receitas adicionais é uma consequência natural da profissionalização do setor. “O torcedor quer ver os melhores jogadores em campo e os melhores espetáculos. Isso tem um preço. Não dá para fazer isso de graça”, afirmou.

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Toledo também observou que a pausa oferece benefícios físicos aos atletas, independentemente das condições climáticas. “Pausa para hidratação não quer dizer apenas calor. Um atleta tem desgaste físico em qualquer temperatura e precisa se recuperar durante a partida”, explicou.

Copa fragmentada

Ao analisar os primeiros dias da Copa do Mundo de 2026, Toledo destacou a fragmentação das transmissões e a multiplicação de telas como algumas das principais novidades da competição.

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“É a primeira Copa em que a gente tem uma fragmentação de transmissão tão forte no Brasil. Isso levou até a uma discussão sobre emissoras e sobre latência, algo que passou a fazer parte das conversas do cotidiano”, observou.

Segundo ele, a possibilidade de acompanhar jogos, entrevistas e conteúdos em diferentes plataformas ampliou o alcance do evento e abriu novas oportunidades para as marcas.

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“Hoje eu posso acompanhar uma partida andando na rua, no trabalho ou no transporte público. Essa fragmentação de mídias, com qualidade, é muito bacana e as marcas tentam capitalizar em cima disso”, afirmou.

O professor, porém, alertou para os riscos do chamado marketing de emboscada, quando empresas tentam se associar a grandes eventos sem patrocínio oficial. “O esporte é movido por dinheiro. Para você ter uma Copa do Mundo, precisa de empresas que apostem naquilo e coloquem recursos. É importante garantir segurança para quem investe”, concluiu.

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