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Crise no São Paulo: Casares enfrenta votação de impeachment sob cerco de força-tarefa policial
Publicado 15/01/2026 • 17:29 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 15/01/2026 • 17:29 | Atualizado há 3 semanas
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Divulgação/SPFC
Júlio Casares, presidente do São Paulo
O Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne nesta sexta-feira (16) para votar o afastamento do presidente Júlio Casares.
O clima de instabilidade política atingiu o ápice após a investigação sobre supostos desvios de verba ser remetida a uma Vara Especializada em Crimes Tributários e Organizações Criminosas. Com a criação de uma força-tarefa pelo Ministério Público, o processo ganhou novo fôlego, colocando em xeque a permanência da atual gestão no comando do clube.
A Polícia Civil investiga a retirada atípica de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do clube por meio de 35 saques na boca do caixa entre 2021 e 2025. O relatório do Coaf apontou que as movimentações dificultam o rastreio dos valores.
A defesa do São Paulo alega que o montante foi destinado a compromissos rotineiros do futebol que exigem espécie, enquanto prepara um laudo para tentar comprovar a regularidade financeira das operações perante as autoridades.
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Outro ponto crítico da apuração é o depósito de R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Casares, realizado através de 132 operações bancárias. O Coaf considerou o valor incompatível com a remuneração mensal de R$ 27,5 mil recebida pelo presidente.
Os advogados de defesa argumentam que o dinheiro provém de economias lícitas acumuladas na iniciativa privada e que os depósitos serviam para manter o padrão de vida do dirigente, que hoje exerce a função de forma exclusiva.
A investigação também mira empresas terceirizadas e diretores como Carlos Belmonte e Rui Costa, além de um esquema de venda clandestina de camarotes. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou que a votação do impeachment ocorra de forma híbrida, permitindo a participação virtual de conselheiros.
Caso o afastamento seja aprovado amanhã, Casares deixará o cargo provisoriamente, aguardando uma decisão definitiva da Assembleia Geral sobre o futuro político do clube.
O cerco contra a gestão de Casares não é um fato isolado, mas o desdobramento de uma série de suspeitas que colocaram o futebol paulista sob vigilância rigorosa. Recentemente, a Polícia Civil incluiu o São Paulo no radar após investigações sobre a suposta influência de facções criminosas no esporte, citando conexões semelhantes às apuradas em clubes rivais.
Esse histórico de instabilidade institucional fortaleceu o coro da oposição, que utiliza os relatórios de inteligência financeira como prova de uma crise ética sem precedentes no MorumBis.
A crise também foi alimentada pelo afastamento recente de figuras do alto escalão, como Mara Casares e Douglas Schawrtzmann. Ambos foram flagrados em gravações que sugeriam o controle de um esquema clandestino de ingressos e camarotes durante eventos de grande porte.
O Ministério Público acredita que essas operações paralelas possam ter servido para alimentar o fluxo de caixa dois, o que justificaria os saques frequentes na boca do caixa identificados pelos bancos e reportados ao governo federal.
Historicamente, Júlio Casares desfrutava de um amplo apoio político, consolidado após conquistas recentes no campo. No entanto, o prestígio desmoronou à medida que as sindicâncias internas falharam em dar respostas claras sobre as terceirizadas investigadas, como a Off Side.
A mudança de tom do Conselho Deliberativo reflete a pressão de sócios e torcedores, que agora exigem transparência absoluta sobre como os recursos do clube foram geridos desde o início do mandato em 2021.
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