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Por que torcedores e delegações estão sendo barrados na Copa do Mundo 2026?

Publicado 15/06/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 mês

KEY POINTS

  • A Copa do Mundo de 2026 começou cercada por questões internas que vão além do futebol e do espetáculo esperado.
  • Exigências de entrada nos Estados Unidos passaram a impactar diretamente delegações, árbitros, jornalistas e torcedores.
  • Nesta edição, a FIFA não criou um sistema especial de entrada para facilitar o acesso ao torneio.
Bandeira dos Estados Unidos

Foto: AFP

Por que torcedores e delegações estão sendo barrados na Copa de 2026

A Copa do Mundo de 2026 começou cercada por questões internas que vão além do futebol e do espetáculo esperado. Pela primeira vez na história da competição, restrições migratórias e exigências de entrada nos Estados Unidos passaram a impactar diretamente delegações, árbitros, jornalistas e torcedores.

Diferente das edições anteriores, a FIFA não criou um sistema especial de entrada para facilitar o acesso ao torneio. Com isso, o mundial, que também conta com 48 seleções pela primeira vez, enfrenta obstáculos por parte dos EUA que alteram a ideia inicial do campeonato.

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Qual o motivo do bloqueio?

Mesmo com muitos casos de vistos negados, entrada bloqueada e ingressos revogados, as autoridades americanas afirmam que cada decisão de entrada negada no país é analisada separadamente. Entretanto, em muitos casos, diversos torcedores impedidos de entrar afirmam que todos os documentos necessários estariam regularizados.

Além disso, as fortes restrições também afetaram figuras oficiais do torneio, como o caso de Omar Abdulkadir, árbitro FIFA que teve sua entrada barrada. Segundo as autoridades, o motivo da exclusão de Omar estaria relacionado a ligações com grupos terroristas.

Delegações e jogadores

Outra situação de bloqueio atingiu o Irã, país que está em guerra com os EUA. Segundo a imprensa estatal, pelo menos 15 integrantes considerados essenciais para a campanha tiveram vistos negados. Além disso, a federação iraniana afirmou que perdeu o direito de distribuir ingressos para seus torcedores.

O técnico Amir Ghalenoei criticou a decisão e afirmou que nunca tinha visto situação semelhante em uma Copa. A seleção passou a ficar concentrada fora dos Estados Unidos.

Entretanto, o impacto das medidas não ficou restrito ao Irã. O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou quase 7 horas retido no aeroporto O’Hare, em Chicago, antes de receber autorização para entrar, de acordo com o The Guardian.

Já o fotógrafo Talal Salah permaneceu mais de 10 horas detido e depois recebeu negativa após inspeção no celular. A seleção da África do Sul também sofreu atraso para viajar até o México depois que jogadores embarcaram sem documentação completa.

Outro caso envolveu Breel Embolo, da Suíça. O atacante precisou procurar com urgência a embaixada americana em Berna após enfrentar problemas ligados ao visto.

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Alto custo e entrada negada

Antes do início da Copa do Mundo de 2026, torcedores também relatam dificuldades no país americano. O sistema ESTA, utilizado pelos Estados Unidos, gerou casos de autorizações aprovadas e depois canceladas. Uma reportagem da BBC Scotland mostrou que duas famílias escocesas tiveram viagens inviabilizadas dias antes da estreia.

Além da burocracia, o custo dos documentos também impacta a decisão negativa. O ESTA custa US$ 40 (cerca de R$ 206), enquanto o visto tradicional custa US$ 185 (R$ 954), sem considerar custos com passagens, hospedagem e ingressos.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm restrições totais ou parciais para cidadãos de 39 países e interromperam o processamento de vistos de imigrante em 75 nações.

Entre as 48 seleções da Copa, Haiti e Irã enfrentam proibições totais, enquanto Costa do Marfim e Senegal convivem com restrições parciais. Diversos países também apresentam taxas de rejeição superiores a 40%, incluindo Uzbequistão, Equador, além de representantes da África e Oriente Médio.

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Copa histórica com desafios de acesso

A edição de 2026 promete ser a maior da história em número de seleções e partidas. Ao mesmo tempo, o torneio já está marcado com críticas por barreiras migratórias, custos elevados e regras mais rígidas de entrada.

Para milhares de torcedores, jornalistas, dirigentes e integrantes de delegações, a Copa do Mundo de 2026 corre o risco de entrar para a história também como uma das mais difíceis de acesso.

Após o caso envolvendo o árbitro somali e as constantes reclamações sobre os preços cobrados, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, declarou como lamentáveis as restrições pela entrada e disse que a Copa do Mundo deve ser um lugar de acesso para todas as nações.

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