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Por que a Europa está apostando alto em drones?
Publicado 15/07/2026 • 11:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/07/2026 • 11:20 | Atualizado há 1 hora
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Northrop Grumman
Foto: Divulgação/Northrop Grumman
A Europa passou anos reconstruindo suas capacidades militares em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. Agora, os investimentos estão convergindo cada vez mais para uma tecnologia considerada central para a segurança futura do continente: os drones.
Uma série de anúncios nas últimas duas semanas mostra a rapidez com que essa mudança está se acelerando.
A OTAN lançou uma nova iniciativa voltada para drones, o Reino Unido destinou bilhões de libras para drones e sistemas antidrones, a Alemanha avançou na aquisição de 50 mil drones para a Ucrânia, e a startup de tecnologia de defesa Helsing alcançou uma avaliação de US$ 18 bilhões.
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Os acontecimentos refletem uma mudança mais ampla no planejamento militar, com drones e sistemas autônomos deixando de ser ferramentas especializadas de campo de batalha para se tornarem parte central da guerra moderna.
A tendência está criando oportunidades não apenas para fabricantes de drones, mas também para empresas que desenvolvem inteligência artificial, software, guerra eletrônica e comunicações seguras.
“A defesa do futuro está caminhando para um campo de batalha em camadas, no qual, por exemplo, um tanque não apenas disparará projéteis; ele também lançará drones, receberá dados de alvos em tempo real de satélites e de veículos aéreos não tripulados, compartilhará informações por todo o campo de batalha e operará como parte de uma força integrada em rede”, afirmou à CNBC a analista da Morningstar Loredana Muharremi.
As lições aprendidas no campo de batalha na Ucrânia, juntamente com o uso, pelo Irã, de drones Shahed de baixo custo no Oriente Médio, demonstraram a importância de drones relativamente baratos, equipados com inteligência artificial, capazes de coletar informações de inteligência, ampliar o alcance de armamentos convencionais e operar de forma cada vez mais autônoma.
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Essas lições do campo de batalha estão remodelando as decisões de aquisição militar em toda a Europa.
Na semana passada, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que a aliança militar se tornará “preparada para drones” ao anunciar uma iniciativa segundo a qual os países aliados investirão mais de US$ 40 bilhões em capacidades antidrones nos próximos cinco anos.
Os drones “alteraram fundamentalmente” o caráter da guerra moderna e se tornaram um “fator decisivo” no campo de batalha, disse Rutte, citando a guerra entre Rússia e Ucrânia como um exemplo.
O Reino Unido também está investindo fortemente em sistemas autônomos. Em seu Plano de Investimentos em Defesa, publicado no fim de junho, o governo destinou 5 bilhões de libras (US$ 6,7 bilhões) a um programa de “transformação dos drones do Reino Unido”, com o objetivo de fortalecer as Forças Armadas do país.
A Alemanha, por sua vez, está ampliando o apoio à Ucrânia. Na segunda-feira, a empresa de software de defesa Auterion e a fabricante ucraniana de drones Skyfall anunciaram um pedido de 90 milhões de euros para 50 mil drones equipados com o sistema operacional da Auterion, encomendados por um país europeu membro da OTAN.
Uma fonte familiarizada com o assunto confirmou à CNBC que o país era a Alemanha.
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Siga o Times | CNBC“Esta é a primeira guerra que acontece em um momento em que os drones já eram suficientemente difundidos para começarem a desempenhar um papel relevante”, disse à CNBC o CEO da Auterion, Lorenz Meier.
Segundo Meier, o software está definindo cada vez mais o campo de batalha.
O sistema operacional da Auterion permite que os drones continuem atingindo alvos mesmo sob interferência eletrônica, tornando-os mais eficazes em ambientes disputados. “Ele permite que mergulhem em direção ao alvo, mesmo quando o alvo possui bloqueadores de sinal, situação em que antes perderiam o sinal de vídeo e errariam o alvo”, afirmou Meier.
O sistema também permite atingir um alvo abaixo do horizonte de rádio, por exemplo, quando um drone desce por um vale. A empresa planeja lançar um software que permitirá aos operadores controlar enxames coordenados de drones, em vez de pilotar cada aeronave individualmente.
Embora o pedido mais recente seja destinado à Ucrânia, Meier afirmou que a tecnologia já desperta interesse de forças armadas, incluindo as da Alemanha, Noruega, Reino Unido e França.
Drones de baixo custo também estão sendo cada vez mais combinados com armamentos de alta tecnologia para aumentar sua eficácia, distraindo ou sobrecarregando as defesas aéreas inimigas.
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O uso crescente de drones e de outros sistemas autônomos também está impulsionando a demanda pelas tecnologias necessárias para coordená-los em tempo real, segundo Muharremi. Isso inclui comunicações seguras, softwares de gerenciamento de batalha, inteligência artificial, inteligência baseada em satélites, sensores e sistemas de guerra eletrônica.
“Como resultado, empresas com escala em plataformas físicas e presença nas áreas de autonomia, defesa aérea, sensores, guerra eletrônica, software e espaço têm maior probabilidade de conquistar uma parcela dos futuros gastos com defesa”, afirmou.
Isso ocorre em um momento em que os gastos básicos com defesa na Europa dobraram desde 2019 e, sob a meta da OTAN de destinar 3,5% do PIB à defesa até 2035, podem alcançar cerca de 800 bilhões de euros até 2030, aproximadamente 2,9% do PIB, segundo a McKinsey.
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Os investimentos de capital de risco em tecnologia de defesa também aceleraram fortemente em 2025 dos dois lados do Atlântico.
O volume de negócios mais do que dobrou em relação ao ano anterior, segundo a McKinsey, e o financiamento para empresas europeias de tecnologia de defesa passou de cerca de 200 milhões de euros em 2021 para 2,6 bilhões de euros em 2025.
Entre os principais beneficiários está a Helsing, sediada em Munique. Na segunda-feira, a empresa anunciou uma rodada de investimentos que a avaliou em US$ 18 bilhões, consolidando sua posição como uma das startups de tecnologia de defesa mais bem financiadas da Europa.
A Helsing fabrica drones e sistemas subaquáticos de vigilância, além de desenvolver inteligência artificial e software autônomo para operar essas aplicações militares, evidenciando como a indústria europeia de defesa aposta cada vez mais que o futuro da guerra dependerá tanto de software e autonomia quanto de equipamentos militares tradicionais.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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