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Flamengo critica restrição às bets e alerta para impacto no esporte

Publicado 25/09/2026 • 15:05 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Flamengo afirma que mudanças nas regras das bets podem reduzir investimentos, arrecadação e recursos destinados ao esporte brasileiro.
  • Clube defende o combate às apostas ilegais, mas argumenta que o setor regulamentado deve ser preservado e fiscalizado.
  • Betano paga R$ 266 milhões anuais ao Flamengo, enquanto operadoras já avaliam contratos de patrocínio com clubes brasileiros.
CT do Flamengo

Foto: Agência Brasil

O Flamengo se posicionou nesta sexta-feira (25) contra a restrição à operação das casas de apostas no Brasil e afirmou que uma mudança brusca nas regras pode afetar investimentos, empregos e o financiamento do esporte. A manifestação ocorre no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar uma Medida Provisória sobre o setor.

Segundo o clube, o mercado de apostas passou por um processo de regulamentação que levou empresas a investir no país e assumir compromissos com base nas normas estabelecidas pelo governo federal, incluindo fiscalização, tributação e mecanismos de proteção ao consumidor.

“O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar. E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade”, diz a nota.

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Flamengo cita segurança jurídica

Na manifestação, o Flamengo argumenta que eventuais problemas no mercado devem ser enfrentados com mudanças na regulamentação e punição às empresas que descumprirem a legislação, em vez do desmonte das regras vigentes.

Para o clube, alterações repentinas no marco regulatório também atingiriam outros setores que tomam decisões de investimento com base em normas estabelecidas pelo Estado. “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirma.

O clube também aponta possíveis consequências para diferentes áreas do esporte, incluindo futebol profissional, categorias de base, futebol feminino, modalidades olímpicas e competições. A avaliação é que os efeitos alcançariam ainda empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços.

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Mercado ilegal entra no argumento

Outro ponto levantado pelo Flamengo é que a retirada das empresas regulamentadas não necessariamente eliminaria as apostas, podendo ampliar a participação de plataformas clandestinas.

A nota cita pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em maio de 2026 com 2.291 apostadores. A partir desses dados, estudo da LCA Consultores estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil esteja atualmente em plataformas ilegais. Segundo o levantamento mencionado pelo clube, a estimativa havia ficado entre 41% e 51% em 2025.

“O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população. Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas”, acrescenta a nota.

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Patrocínios podem ser afetados

O Flamengo mantém um dos principais contratos do futebol brasileiro com uma empresa do setor. A Betano concordou em pagar R$ 266 milhões por ano para ocupar o espaço mais valorizado da camisa rubro-negra, no maior acordo de patrocínio do país. A empresa também patrocina competições como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

Operadoras que patrocinam equipes das Séries A e B já começaram a notificar clubes sobre a possibilidade de rescisão imediata dos contratos comerciais. Atualmente, 14 dos 20 times da Série A têm marcas de casas de apostas no espaço principal de suas camisas.

Caso a restrição alcance apenas cassinos online e jogos de azar, como o chamado “Tigrinho”, os contratos existentes terão de ser renegociados. Se toda a operação das bets for proibida no país, as empresas do setor consideram inevitável o encerramento dos acordos de patrocínio.

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