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CBF e clubes ampliam investimentos na base para formar novas atletas no futebol feminino

Publicado 21/09/2026 • 14:47 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Cerca de 78% das convocadas para a seleção brasileira sub-17 atuam por Flamengo, Corinthians, Ferroviária ou São Paulo, segundo dados apresentados por Marcelo Abreu.
  • Clubes começam a enxergar a formação de atletas como investimento, embora as transferências no futebol feminino ainda tenham valores menores que no masculino.
  • Novo calendário internacional e maior período de preparação das seleções podem ampliar o desenvolvimento das categorias de base.

O futebol feminino de base entrou em uma nova fase de expansão no Brasil, com clubes e CBF ampliando competições, calendário e investimentos na formação de atletas. Para Marcelo Abreu, professor da Trevisan Escola de Negócios, o crescimento da modalidade também cria oportunidades de geração de receitas e desenvolvimento de novas jogadoras.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Marcelo Abreu afirmou que grandes eventos esportivos costumam gerar uma onda de investimentos, patrocínios e transmissões nos países-sede. Segundo ele, a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, pode contribuir para acelerar esse movimento também nas categorias de base.

“É super importante contarmos mais histórias do futebol feminino”, afirmou o professor. Para Marcelo, a exposição de atletas e competições pode ajudar a aumentar o interesse das meninas pela modalidade e fortalecer o ecossistema de formação.

Quatro clubes concentram 78% das convocadas

Marcelo citou dados sobre a seleção brasileira sub-17 que disputará o Mundial da categoria no Marrocos. Segundo ele, cerca de 78% das atletas convocadas atuam por quatro clubes: Flamengo, Corinthians, Ferroviária e São Paulo. O São Paulo, de acordo com o professor, é o que mais fornece jogadoras entre essas equipes.

Na avaliação de Marcelo, a concentração também evidencia a importância dos clubes formadores para o desenvolvimento da modalidade. Ao mesmo tempo, ele apontou riscos relacionados à situação financeira das associações que mantêm essas estruturas.

“Três deles que representam 72%, uma situação financeira muito ruim”, afirmou. Marcelo ressaltou, porém, que esse cenário não significa que a formação de atletas seja inviável, mas representa um fator de risco para o desenvolvimento sustentável do futebol feminino.

Formação começa a ser vista como investimento

A lógica de investir nas categorias de base para revelar atletas e posteriormente gerar receitas com transferências, já consolidada no futebol masculino, começa a ganhar espaço entre os clubes femininos.

Marcelo afirmou que os dirigentes estão mais atentos à possibilidade de transformar a formação em um investimento, especialmente diante das dificuldades financeiras enfrentadas por diversas equipes.

“Os clubes, os formadores pensam sim nessa receita”, explicou. Apesar disso, ele considera pequena a probabilidade de um clube de médio ou pequeno porte conseguir equilibrar o orçamento anual apenas com a venda de uma atleta.

Segundo o professor, essa dificuldade é ainda maior no futebol feminino, que ainda apresenta valores de mercado inferiores aos observados no futebol masculino.

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Brasil já tem estrutura para revelar atletas

Marcelo destacou que o país possui uma estrutura considerada relevante para a formação de jogadoras. Na avaliação dele, o Campeonato Brasileiro Feminino Sub-17 está entre os maiores e melhores campeonatos nacionais da categoria.

Um dos exemplos citados foi o projeto do SESI São Paulo. Segundo Marcelo, a iniciativa possui 20 unidades no estado, reúne cerca de 2.500 atletas e trabalha tanto a iniciação quanto o desenvolvimento competitivo.

“São 2.500 atletas, sendo que na categoria de 6 a 15 anos são 2.000 atletas e, na de aperfeiçoamento e competitividade, em torno de 450 atletas”, detalhou.

Para Marcelo, estruturas como essa podem ampliar o número de jogadoras disponíveis para os clubes e aumentar a capacidade de identificação de novos talentos.

Novo calendário pode ampliar formação das seleções

A mudança no calendário internacional também pode impactar o desenvolvimento das categorias de base. Marcelo citou a decisão da FIFA de realizar torneios mundiais anuais e afirmou que a CBF anunciou uma programação mais extensa para as seleções sub-17 e sub-20.

A expectativa é que as equipes nacionais tenham mais períodos de treinamento e preparação. Para o professor, o aumento do tempo de trabalho pode melhorar o desenvolvimento das atletas e contribuir para a formação de novas referências no futebol feminino.

“Histórias de atletas de sucesso é que motivam as garotas do projeto SESI a quererem praticar cada vez mais o futebol feminino”, afirmou.

A combinação entre competições nacionais, maior exposição internacional e investimentos em formação pode ampliar o número de atletas profissionais e criar novas oportunidades comerciais para clubes e projetos esportivos. Para Marcelo, o desafio está em transformar esse crescimento em uma estrutura sustentável de longo prazo.

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