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Ações da Novo despencam após farmacêutica apresentar estratégia de crescimento pós-Wegovy
Publicado 21/09/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 21/09/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
SERGEI GAPON/AFP
Novo Nordisk
As ações da Novo despencaram nesta segunda-feira (21), depois que as novas metas de longo prazo da companhia não conseguiram aliviar as preocupações dos investidores sobre sua capacidade de competir no mercado cada vez mais concorrido de medicamentos para perda de peso, segmento que a empresa ajudou a desenvolver.
A farmacêutica dinamarquesa afirmou que pretende lançar mais de cinco medicamentos com potencial para se tornarem grandes sucessos comerciais até 2030 e gerar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 23 bilhões) em vendas ajustadas ao risco de seu portfólio de medicamentos em desenvolvimento até 2035, incluindo ativos que já fazem parte da companhia.
A empresa também espera que o crescimento da receita entre 2026 e 2030 fique em linha com o de seus pares do setor, sem fornecer mais detalhes.
As ações negociadas em Copenhague chegaram a cair 7%, mas reduziram parte das perdas e recuavam 5,4% às 12h30, no horário local.
“Os investidores esperavam um ‘milagre’ de projeto que pudesse reverter o momento no curto prazo”, afirmou Per Hansen, economista de poupança da Nordnet, à CNBC. “Por razões óbvias, esse milagre não existe.”
O CEO Mike Doustdar disse a investidores durante o Capital Markets Day da companhia, em Londres, que o “elefante na sala” é o fato de que a semaglutida, princípio ativo dos medicamentos para perda de peso e diabetes Wegovy e Ozempic, começará a perder a exclusividade de algumas de suas principais patentes no início da próxima década.
A patente da semaglutida expira em 2032 nos Estados Unidos, mercado que respondeu por mais da metade das vendas totais da Novo no ano passado.
Essa perda de exclusividade “é o que está na cabeça da maioria das pessoas, e com razão”, afirmou Doustdar.
“Nós criamos um mercado incrivelmente atraente, e agora praticamente todas as outras empresas farmacêuticas, grandes ou pequenas, estão tentando entrar e competir conosco. Precisamos estar preparados para isso”, acrescentou.
Doustdar também apresentou planos para diversificar a companhia e afirmou que a Novo não está “subestimando” a perda de exclusividade “nem os desafios que vêm com ela”, relacionados à pressão sobre os preços.
“Planejamos chegar ao outro lado da perda de exclusividade como uma empresa maior do que somos hoje e muito mais diversificada”, afirmou.
Antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira, as ações da Novo acumulavam queda de 27% nos 12 meses anteriores, enquanto os papéis de sua principal concorrente, a Eli Lilly, haviam subido 52% no mesmo período.
A Lilly conseguiu conquistar a maior fatia do mercado de medicamentos injetáveis da classe GLP-1 com Mounjaro e Zepbound, apesar de ter lançado os medicamentos anos depois dos produtos da Novo.
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Siga o Times | CNBCEmbora a Novo tenha lançado a versão em comprimido do Wegovy nos Estados Unidos no início deste ano, com forte desempenho, os investidores continuam cautelosos quanto às perspectivas de recuperação da farmacêutica. A empresa também começou a lançar o comprimido do Wegovy em outros mercados, mas o produto ainda representa uma parcela pequena de suas vendas totais.
Uma série de resultados negativos em testes clínicos e mudanças na liderança ao longo do último ano aumentou as preocupações dos investidores.
Na semana passada, a Novo anunciou que mudaria seu nome de Novo Nordisk para Novo e atualizaria sua cultura corporativa. Doustdar disse à CNBC que a mudança de marca e a reformulação da cultura eram “partes do mesmo pacote” para enfrentar a forte concorrência da Lilly.
Leia também: China aceita pedido da Novo Nordisk para vender Wegovy em comprimido
Mesmo com a Novo indicando que pretende manter margens operacionais estáveis, o anúncio desta segunda-feira não apresenta a ambição financeira que o mercado esperava, afirmou Jacob Pedersen, estrategista de investimentos do banco dinamarquês Middelfart Sparekasse, à CNBC.
“Os investidores são muito específicos sobre o que querem da Novo, e isso não corresponde ao que esperavam”, disse Pedersen. Segundo ele, a meta da Novo de crescer em linha com um grupo amplo de empresas farmacêuticas indica um ritmo de expansão mais lento do que aquele que os investidores historicamente esperavam da companhia.
Em agosto, a Novo afirmou que espera que as vendas e o lucro operacional ajustados caiam entre 6% e zero em 2026, considerando taxas de câmbio constantes.
Analistas e investidores têm opiniões divergentes sobre a necessidade de a Novo ampliar significativamente seu portfólio ou concentrar esforços nas áreas terapêuticas em que já atua.
Leia também: Novo Nordisk eleva projeção para 2026, mas ações caem após guidance decepcionar investidores
“Não faz muito tempo que a empresa queria se concentrar mais, e agora quer ampliar sua atuação”, disse Pedersen.
O movimento de diversificação representa uma mudança na estratégia apresentada por Doustdar depois que assumiu o cargo de CEO no ano passado. Na ocasião, a Novo havia reforçado o foco nos negócios principais de obesidade e diabetes e se afastado da expansão para novas áreas.
A Novo afirmou nesta segunda-feira que agora pretende ir além de suas áreas centrais de obesidade e diabetes. Doustdar disse que esses segmentos continuam sendo a base da companhia, mas que a empresa pretende ampliar seu portfólio para doenças hematológicas e endócrinas, doenças hepáticas e doenças cardiovasculares.
O executivo também afirmou que a Novo será mais ativa no desenvolvimento de negócios, iniciativa que não foi incluída na meta de vendas para 2030.
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