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Quando a geopolítica entra na pista: relembre as corridas da Fórmula 1 afetadas por conflitos e outras crises
Publicado 07/09/2026 • 13:08 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/09/2026 • 13:08 | Atualizado há 2 horas
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ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Fórmula 1
A Fórmula 1 precisou recorrer a um antigo conhecido para preencher uma lacuna provocada pela tensão no Oriente Médio. Sepang, na Malásia, voltará a receber uma etapa da categoria pela primeira vez desde 2017, mas, curiosamente, a corrida não será chamada de GP da Malásia: o evento manterá o nome de GP do Bahrein.
A mudança ocorre depois do cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, ainda no primeiro semestre, em razão do conflito entre Estados Unidos e Irã. A Fórmula 1 chegou a tentar remarcar a prova em Sakhir para manter as 23 etapas previstas no calendário de 2026, mas a continuidade da tensão na região tornou a alternativa inviável.
O espaço disponível entre os GPs do Azerbaijão e de Singapura, entre 2 e 4 de outubro, abriu caminho para Sepang. A proximidade com Singapura e a curta distância entre o circuito e o principal aeroporto da Malásia pesaram na escolha, já que facilitam a logística das equipes e permitem uma transição mais rápida para a etapa seguinte.
Sepang deixou o calendário da F1 após 2017 devido ao aumento dos custos cobrados pela categoria para sediar o Mundial. Agora, retorna ao calendário em circunstâncias completamente diferentes.
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A atual crise não é a primeira vez que conflitos na região interferem diretamente na Fórmula 1. Em 2022, durante o primeiro treino livre do GP da Arábia Saudita, em Jeddah, uma instalação petrolífera da Saudi Aramco foi atingida por um míssil lançado por rebeldes houthis do Iêmen.
A explosão provocou uma grande coluna de fumaça visível do circuito. O episódio chegou a gerar preocupação entre os pilotos e equipes. Max Verstappen, inclusive, perguntou aos engenheiros se o cheiro percebido no local vinha de seu próprio carro. Após cerca de quatro horas de reuniões entre pilotos e chefes de equipe, as atividades do fim de semana foram mantidas.
A decisão foi diferente da tomada no GP do Bahrein de 2011. Naquele ano, o país enfrentava uma onda de protestos violentos durante a Primavera Árabe, levando ao cancelamento da etapa.
Quinze anos depois, a segurança continua sendo um dos principais desafios para países do Oriente Médio que recebem grandes eventos esportivos. O peso econômico dessas competições, porém, faz com que governos e organizadores busquem alternativas para mantê-las.
Antes do cancelamento das etapas deste ano, a Arábia Saudita chegou a oferecer um sistema antimísseis como forma de garantir a realização da corrida. A medida, entretanto, não foi suficiente para convencer a Federação Internacional de Automobilismo.
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Siga o Times | CNBCOs impactos não ficam restritos às pistas. Mesmo com o espaço aéreo aberto, a percepção de insegurança pode fazer com que turistas reconsiderem viagens para a região no médio e longo prazo.
E mesmo assim, o setor aéreo já sente os efeitos da instabilidade. As companhias enfrentam atualmente a pior crise desde a pandemia de Covid-19, com mais de 37 mil voos cancelados e uma perda superior a US$ 50 bilhões em valor de mercado entre as 20 maiores empresas do setor.
A influência da geopolítica sobre a Fórmula 1, no entanto, é muito anterior aos conflitos atuais. Em 1957, a chamada Crise de Suez, envolvendo a disputa pelo canal de mesmo nome, afetou a logística internacional e provocou racionamento de combustível e aumento de custos. Como consequência, os GPs da Espanha, Bélgica e Holanda foram cancelados naquele ano.
Em 1985, a categoria também sofreu os efeitos do boicote ao Apartheid na África do Sul. As equipes francesas Renault e Ligier se recusaram a viajar ao país em oposição ao regime de segregação racial, enquanto outras marcas evitaram se associar à etapa.
Mais recentemente, a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, levou a novas consequências para a categoria. O GP da Rússia, disputado em Sochi, foi cancelado após a imposição de sanções ao país. Posteriormente, a Fórmula 1 rompeu definitivamente o contrato para a realização da prova.
A equipe americana Haas também encerrou sua relação com a Rússia naquele período, dispensou o piloto Nikita Mazepin e rescindiu o contrato com o patrocinador principal, uma empresa russa.
Os episódios mostram que, apesar de ser um campeonato esportivo global, a Fórmula 1 depende de estabilidade política, segurança e logística internacional para manter seu calendário. Em 2026, mais uma vez, a geopolítica obrigou a categoria a alterar seus planos e fez um antigo circuito voltar ao Mundial.
A fórmula 1 retorna neste fim de semana com o GP da Espanha, em Madri. A prova marcará a estreia do novo circuito Madring no calendário da Fórmula 1, levando a categoria pela primeira vez ao novo traçado da capital espanhola.
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